{"id":11831,"date":"2010-09-20T17:56:29","date_gmt":"2010-09-20T17:56:29","guid":{"rendered":"http:\/\/www.cienciasdasaude.org\/portal\/?p=11830"},"modified":"2022-02-15T03:26:06","modified_gmt":"2022-02-15T03:26:06","slug":"esponja-podera-ser-arma-contra-o-cancer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonini.psc.br\/?p=11831","title":{"rendered":"Esponja poder\u00e1 ser arma contra o c\u00e2ncer"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">[singlepic id=898 w=160 h=120 float=left]A diversidade de compostos qu\u00edmicos presente nas esponjas coloca esses animais marinhos entre as mais promissoras fontes para a obten\u00e7\u00e3o de produtos naturais bioativos visando \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de novas drogas, de acordo com Raymond Andersen, professor do Departamento de Qu\u00edmica e Ci\u00eancias da Terra e do Oceano da Universidade da Col\u00fambia Brit\u00e2nica, no Canad\u00e1.<!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Andersen, cujo laborat\u00f3rio se dedica \u00e0 prospec\u00e7\u00e3o, isolamento, an\u00e1lise estrutural e s\u00edntese de compostos extra\u00eddos de organismos marinhos, participou, nesta quinta-feira (9\/9), do Workshop sobre biodiversidade marinha: avan\u00e7os recentes em bioprospec\u00e7\u00e3o, biogeografia e filogeografia, realizado pelo programa Biota-FAPESP.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O cientista apresentou, durante o evento na sede da FAPESP, trabalhos realizados por seu grupo sobre compostos isolados a partir de esponjas coletadas em Papua-Nova Guin\u00e9 e na costa canadense. Os compostos t\u00eam a\u00e7\u00e3o antimit\u00f3tica \u2013 ou seja, s\u00e3o capazes de deter o processo de divis\u00e3o celular, o que permitiria sua utiliza\u00e7\u00e3o no desenvolvimento de drogas contra o c\u00e2ncer, por exemplo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo Andersen, as esponjas marinhas s\u00e3o especialmente interessantes para a prospec\u00e7\u00e3o de compostos bioativos, pois raramente se encontra uma diversidade qu\u00edmica t\u00e3o not\u00e1vel em um s\u00f3 organismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cUm dos fatores que explicam essa espantosa diversidade qu\u00edmica \u00e9 que as esponjas n\u00e3o t\u00eam defesas f\u00edsicas, mas t\u00eam cores vivas, ficam expostas e n\u00e3o se movem, n\u00e3o podendo fugir de predadores. Por isso, elas t\u00eam necessidade de defesas qu\u00edmicas. Acreditamos que, por serem animais muito primitivos, elas sejam capazes de tolerar e produzir compostos qu\u00edmicos especialmente ex\u00f3ticos\u201d, disse \u00e0 Ag\u00eancia FAPESP.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A necessidade de defesa ligada \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o, no entanto, n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica explica\u00e7\u00e3o para a variedade de compostos qu\u00edmicos presentes nas esponjas, segundo o pesquisador. Boa parte dessa diversidade pode ser fruto da simbiose \u2013 outra caracter\u00edstica marcante das esponjas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cCada vez mais come\u00e7amos a acreditar que muitos desses compostos encontrados em esponjas s\u00e3o provenientes de rela\u00e7\u00f5es simbi\u00f3ticas com microrganismos dos quais elas se alimentam\u201d, disse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fotos microsc\u00f3picas dos tecidos das esponjas mostram a presen\u00e7a \u2013 no interior dos pr\u00f3prios tecidos, ou em suas adjac\u00eancias \u2013 de uma quantidade imensa de microrganismos. \u201cAchamos que a alta toler\u00e2ncia das esponjas \u00e0s rela\u00e7\u00f5es simbi\u00f3ticas, desenvolvida ao longo da evolu\u00e7\u00e3o, possa ser uma das explica\u00e7\u00f5es para que esses organismos sejam uma fonte t\u00e3o rica de novos compostos qu\u00edmicos\u201d, disse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo Andersen, em compara\u00e7\u00e3o com outros organismos marinhos, apenas os corais moles \u2013 da ordem Alcyonacea, que n\u00e3o possuem esqueleto de carbonato de c\u00e1lcio \u2013 aproximam-se das esponjas com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 riqueza de compostos qu\u00edmicos e metab\u00f3litos secund\u00e1rios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cMesmo assim, a qu\u00edmica dos corais moles n\u00e3o tem tanta diversidade. O mais not\u00e1vel, no caso das esponjas, \u00e9 que as classes de compostos s\u00e3o todas provenientes de biossint\u00e9ticos diferentes. Mais uma vez, acreditamos que essa caracter\u00edstica possa ser reflexo do fato de que boa parte desses compostos \u00e9 feita por meio de simbiose, contando com a imensa diversidade de micr\u00f3bios que vivem dentro das esponjas e s\u00e3o respons\u00e1veis pela incr\u00edvel diversidade qu\u00edmica que encontramos nelas\u201d, explicou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dependendo do local onde uma mesma esp\u00e9cie de esponja \u00e9 coletada, pode-se encontar compostos qu\u00edmicos muito diferentes. Para Andersen, isso \u00e9 mais uma evid\u00eancia de que a diversidade qu\u00edmica \u00e9 proveniente da simbiose.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cProvavelmente, as esponjas que vivem em diferentes locais t\u00eam simbiose com microrganismos diferentes. De certo modo, trata-se de uma maravilhosa amplifica\u00e7\u00e3o da biodiversidade. Se a qu\u00edmica estivesse ligada apenas \u00e0s c\u00e9lulas da esponja, provavelmente a mesma esponja em todos os lugares teria a mesma composi\u00e7\u00e3o. Mas, como a qu\u00edmica est\u00e1 relacionada \u00e0 simbiose, a mesma esp\u00e9cie de esponja pode ter composi\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas distintas em diferentes partes do mundo, multiplicando as possibilidades de prospec\u00e7\u00e3o de produtos bioativos\u201d, afirmou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O procedimento de prospec\u00e7\u00e3o consiste em coletar o maior n\u00famero poss\u00edvel de esponjas e analisar, em uma fase posterior, o potencial bioativo dos compostos qu\u00edmicos presentes nelas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEm geral, j\u00e1 sabemos que as esponjas s\u00e3o uma rica fonte de compostos qu\u00edmicos. Ent\u00e3o, n\u00e3o orientamos a busca para compostos espec\u00edficos. Coletamos muitas esponjas de modo que possamos montar uma grande biblioteca de extratos, com grande diversidade qu\u00edmica. A\u00ed, usando ensaios biol\u00f3gicos, procuramos por compostos que tenham tipos espec\u00edficos de atividade biol\u00f3gica, como a atividade antimit\u00f3tica, ou a a\u00e7\u00e3o em um receptor espec\u00edfico\u201d, explicou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Gargalo da produ\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois de coletar esponjas e obter uma grande diversidade biol\u00f3gica, os cientistas sabem que t\u00eam \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o uma grande diversidade qu\u00edmica de compostos. \u201cUsamos ent\u00e3o testes qu\u00edmicos para descobrir, na nossa imensa cole\u00e7\u00e3o de compostos, aqueles dois ou tr\u00eas que realmente queremos e que possuem as atividades biol\u00f3gicas que precisamos\u201d, disse Andersen.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O segredo para uma boa bioprospec\u00e7\u00e3o, segundo ele, \u00e9 possuir uma biblioteca qu\u00edmica muito rica e, ao mesmo tempo, ter \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o ensaios de atividade biol\u00f3gica que sejam muito eficientes e seletivos para os diversos tipos de compostos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAs mol\u00e9culas que procuramos devem cumprir os seguintes crit\u00e9rios: ter interesse te\u00f3rico devido \u00e0 novidade de sua biog\u00eanese \u2013 como mol\u00e9culas que possuem novos esqueletos de carbono \u2013, devem mostrar atividade biol\u00f3gica in vitro, o que faz delas potenciais alvos para o desenvolvimento de agentes farmac\u00eauticos e, por \u00faltimo, devem mostrar atividades biol\u00f3gicas que lhes permitam ter um papel central na biologia do organismo que as produz\u201d, explicou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma vez encontrada a mol\u00e9cula, segundo o professor da Universidade da Col\u00fambia Brit\u00e2nica, surge o principal gargalo para a produ\u00e7\u00e3o de novos f\u00e1rmacos: a produ\u00e7\u00e3o em escala.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cQuando se trata de esponjas, n\u00e3o podemos ir \u00e0 natureza colet\u00e1-las e us\u00e1-las como fonte para o desenvolvimento de drogas. Nenhuma ind\u00fastria farmac\u00eautica investiria em um composto que fosse desenvolvido exclusivamente a partir de um recurso natural desse tipo. \u00c9 preciso ter uma fonte renov\u00e1vel. Por isso, depois de encontrar um composto que pare\u00e7a realmente promissor, \u00e9 preciso sintetizar a mol\u00e9cula e produzi-la em escala. Esse \u00e9 um ponto cr\u00edtico do processo, antes de partir para testes cl\u00ednicos\u201d, afirmou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ag\u00eancia Fapesp<\/strong> S\u00e1bado, 18 de setembro de 2010 &#8211; 10h21<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">[<a href=\"javascript:history.go(-1)\">Voltar<\/a>]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[singlepic id=898 w=160 h=120 float=left]A diversidade de compostos qu\u00edmicos presente nas esponjas coloca esses animais marinhos entre as mais promissoras fontes para a obten\u00e7\u00e3o de produtos naturais bioativos visando \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de novas drogas, de acordo com Raymond Andersen, professor do Departamento de Qu\u00edmica e Ci\u00eancias da Terra e do Oceano da Universidade da Col\u00fambia [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[27],"tags":[],"class_list":["post-11831","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/11831","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=11831"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/11831\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":27721,"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/11831\/revisions\/27721"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=11831"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=11831"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=11831"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}