{"id":13265,"date":"2010-11-28T21:12:08","date_gmt":"2010-11-28T21:12:08","guid":{"rendered":"http:\/\/www.cienciasdasaude.org\/portal\/?p=13265"},"modified":"2022-02-15T03:26:05","modified_gmt":"2022-02-15T03:26:05","slug":"o-dilema-dos-virus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonini.psc.br\/?p=13265","title":{"rendered":"O dilema dos v\u00edrus"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright\" alt=\"\" src=\"http:\/\/antonini.med.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2010\/11\/porco-gripe-274x300-150x150.jpg\" width=\"150\" height=\"150\" \/>Os v\u00edrus mais letais s\u00e3o os menos contagiosos. Mas suas muta\u00e7\u00f5es n\u00e3o tiram do caminho a possibilidade de que um deles mate milh\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">At\u00e9 o fechamento desta edi\u00e7\u00e3o a gripe su\u00edna n\u00e3o tinha arrasado o mundo. A humanidade pode ter escapado desta vez \u2013 mas a pulga atr\u00e1s da orelha n\u00e3o. Se n\u00e3o o v\u00edrus da gripe su\u00edna, ser\u00e1 que algum outro poderia deixar um estrago realmente grande, com milh\u00f5es de mortos pelo seu caminho? Sim. Isso acontecer\u00e1 caso surja algum v\u00edrus altamente transmiss\u00edvel e 100% letal. N\u00e3o \u00e9 imposs\u00edvel. Mas, para isso acontecer, os v\u00edrus precisam resolver um dilema: os mais facilmente transmiss\u00edveis s\u00e3o pouco letais. E os mais letais s\u00e3o os menos contagiosos.<!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os altamente transmiss\u00edveis s\u00e3o os que passam de humano para humano pelas vias a\u00e9reas, como gripes, catapora e sarampo. Os v\u00edrus s\u00e3o espalhados pelo ar quando um infectado espirra ou tosse. Para voc\u00ea se expor, basta n\u00e3o estar imunizado e respirar \u2013 ou tocar numa superf\u00edcie contaminada e levar a m\u00e3o ao rosto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A gripe do tipo A, a su\u00edna, \u00e9 especialmente perigosa porque seu v\u00edrus passa por muta\u00e7\u00f5es dram\u00e1ticas. E a cada cepa surge uma doen\u00e7a para a qual o sistema imunol\u00f3gico n\u00e3o sabe a resposta. Mas, mesmo quando aparecem superv\u00edrus, a fatalidade deles tem sido relativamente baixa. A gripe espanhola, por exemplo, matou mais do que bala de carabina em 1918 e 1919. Mais mesmo: foram 50 milh\u00f5es de v\u00edtimas \u2013 6 vezes mais que a 1a Guerra Mundial, sua contempor\u00e2nea. Muito, mas isso corresponde a apenas 2,5% dos infectados. J\u00e1 o v\u00edrus do ebola t\u00eam fatalidade de at\u00e9 90% \u2013 diarreia hemorr\u00e1gica, v\u00f4mito negro, sangue, sangue, sangue e morte. Mas foram poucos os casos. E por um motivo simples: o v\u00edrus mata t\u00e3o r\u00e1pido que acaba \u201cse suicidando\u201d antes de se espalhar decentemente. Essa regra, por\u00e9m, n\u00e3o equivale a negar que estamos perto de uma pandemia devastadora. Desde 2005 a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) alerta que alguma, um dia, dever\u00e1 matar at\u00e9 7,5 milh\u00f5es de pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para isso, basta que o v\u00edrus letal mantenha o doente vivo por tempo bastante para se espalhar. Al\u00e9m disso, as pr\u00f3prias pessoas j\u00e1 tratam de se espalhar mais elas mesmas \u2013 e aumentar as chances dos v\u00edrus.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1918, quando as viagens internacionais eram feitas basivamente de navio e trem, uma pandemia demorava de 6 a 9 meses para atingir todo o mundo. Hoje, com 2,2 bilh\u00f5es de passageiros a\u00e9reos circulando entre as 4 mil cidades com aeroportos no planeta, esse tempo encurta para no m\u00e1ximo 3 meses. Quando uma supergripe chegar, ser\u00e3o necess\u00e1rios estoques de vacinas e drogas antivirais, funcion\u00e1rios, hospitais, equipamentos. E poucos pa\u00edses t\u00eam isso em quantidade. Por essas, a gripe su\u00edna pelo menos serviu de alerta para quando a pr\u00f3xima pandemia vier.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pandemia ou epidemia?<\/strong><br \/>\nMuito se falou em \u201cpandemia\u201d, quando a \u00fanica palavra que as pessoas conheciam era a outra: epidemia. E n\u00e3o faltou confus\u00e3o. Mas a diferen\u00e7a \u00e9 simples: a pandemia \u00e9 uma epidemia globalizada. Algumas doen\u00e7as ficam instaladas constantemente num lugar ou numa popula\u00e7\u00e3o. S\u00e3o como a mal\u00e1ria, que h\u00e1 d\u00e9cadas infecta cerca de 500 mil pessoas por ano, mas apenas na Amaz\u00f4nia. Essas s\u00e3o as endemias. Mas o n\u00famero de casos pode de repente dar um salto muito grande. Se isso acontecer, a doen\u00e7a \u00e9 considerada epid\u00eamica. Por exemplo, a c\u00f3lera era considerada sob controle no Zimb\u00e1bue, at\u00e9 que em agosto de 2008 ela desembestou e em um semestre infectou 91 mil e matou 4 000. Doen\u00e7as que at\u00e9 ent\u00e3o n\u00e3o existiam tamb\u00e9m podem ser consideradas epidemias \u2013 tal como a febre hemorr\u00e1gica ebola. Tanto a c\u00f3lera no Zimb\u00e1bue quanto o ebola ficaram isolados geograficamente. J\u00e1 quando uma epidemia pula os muros geogr\u00e1ficos e populacionais e se espalha mundialmente, ela vira uma pandemia. Nos \u00faltimos 200 anos houve 7 pandemias de c\u00f3lera. Nos \u00faltimos 100, 3 de gripe. E nas \u00faltimas d\u00e9cadas, mais de 25 milh\u00f5es morreram de outra pandemia: a aids.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Os passos de uma pandemia de gripe, segundo a OMS<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">FASE 1<br \/>\nO v\u00edrus influenza circula em animais, mas nenhum humano \u00e9 infectado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">FASE 2<br \/>\nAlgum v\u00edrus circulante em animais domesticados ou selvagens causa infec\u00e7\u00e3o em pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">FASE 3<br \/>\nCome\u00e7a a transmiss\u00e3o de pessoa para pessoa, mas em pequena quantidade e sob circunst\u00e2ncias restritas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">FASE 4<br \/>\nA transmiss\u00e3o de humano para humano est\u00e1 mais forte: atinge uma comunidade inteira, pelo menos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">FASE 5<br \/>\nContamina\u00e7\u00f5es de gente para gente ocorrem em mais de um pa\u00eds. \u00c9 um forte sinal de que a pandemia est\u00e1 nos rondando.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">FASE 6<br \/>\nGrandes surtos da doen\u00e7a acontecem em regi\u00f5es distantes \u2013 em dois continentes, por exemplo. Epidemia global a caminho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Texto de <strong>Maur\u00edcio<\/strong> <strong>Horta<\/strong>, publicado na revista <strong>Super<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">[<a href=\"javascript:history.go(-1)\">Voltar<\/a>]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os v\u00edrus mais letais s\u00e3o os menos contagiosos. Mas suas muta\u00e7\u00f5es n\u00e3o tiram do caminho a possibilidade de que um deles mate milh\u00f5es. At\u00e9 o fechamento desta edi\u00e7\u00e3o a gripe su\u00edna n\u00e3o tinha arrasado o mundo. A humanidade pode ter escapado desta vez \u2013 mas a pulga atr\u00e1s da orelha n\u00e3o. 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