{"id":13292,"date":"2010-12-08T12:06:19","date_gmt":"2010-12-08T12:06:19","guid":{"rendered":"http:\/\/www.cienciasdasaude.org\/portal\/?p=13292"},"modified":"2022-02-15T03:26:05","modified_gmt":"2022-02-15T03:26:05","slug":"cientistas-contestam-estudo-sobre-bacteria-composta-por-arsenio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonini.psc.br\/?p=13292","title":{"rendered":"Cientistas contestam estudo sobre bact\u00e9ria composta por ars\u00eanio"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 mais de meio s\u00e9culo se pesquisa a composi\u00e7\u00e3o e o funcionamento do material gen\u00e9tico e nesse tempo todo, como ningu\u00e9m tinha encontrado, ainda, um organismo com composi\u00e7\u00e3o diferente? Todo e qualquer experimento cient\u00edfico s\u00e9rio \u00e9 feito usando-se m\u00e9todos e equipamentos que fornecem resultados num\u00e9ricos, em forma de gr\u00e1ficos, em tra\u00e7os de espectros, borr\u00f5es ou manchas em determinadas posi\u00e7\u00f5es de uma placa e etc, e as conclus\u00f5es s\u00e3o formuladas a partir da interpreta\u00e7\u00e3o desses achados e, por isso, \u00e9 altamente prov\u00e1vel que uma contamina\u00e7\u00e3o no meio de cultura tenha levado os investigadores a encontrar o ars\u00eanico no meio dos resultados emitidos pelos equipamentos utilizados. Leiam na mat\u00e9ria abaixo, transcrito do Globo.com a contesta\u00e7\u00e3o de diversos especialistas na \u00e1rea que atestam a contamina\u00e7\u00e3o da amostra pelo ars\u00eanico.<!--more--><\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\">Reportagem do site Slate consultou especialistas que reprovaram estudo. Material avaliado poderia ter adquirido o elemento qu\u00edmico por acidente.<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-16329\" alt=\"bacteria_arsenico\" src=\"http:\/\/antonini.med.br\/home\/wp-content\/uploads\/2010\/12\/bacteria_arsenico1.jpg\" width=\"294\" height=\"206\" \/>Uma reportagem publicada nesta ter\u00e7a-feira (7) no site Slate traz cr\u00edticas de cientistas ao estudo divulgado pela Nasa na \u00faltima quinta-feira sobre uma bact\u00e9ria que consegue viver com o elemento qu\u00edmico ars\u00eanio em seu DNA. O an\u00fancio repercutiu na imprensa mundial pelo fato de todas as formas de vida at\u00e9 ent\u00e3o conhecidas serem baseadas principalmente na combina\u00e7\u00e3o de apenas seis \u00e1tomos b\u00e1sicos: carbono (C), hidrog\u00eanio (H), nitrog\u00eanio (N), oxig\u00eanio (O), f\u00f3sforo (P) e enxofre (S).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para a professora de microbiologia Rosie Redfield, da Universidade da Columbia Brit\u00e2nica, no Canad\u00e1, o trabalho denominado &#8220;Uma bact\u00e9ria que consegue crescer usando ars\u00eanio em vez de f\u00f3sforo&#8221; \u00e9 &#8220;sem sentido&#8221;. &#8220;Fiquei impressionada com o n\u00edvel ruim de ci\u00eancia do artigo&#8221;, disse ao site. Ela pretende escrever uma carta \u00e0 revista &#8220;Science&#8221;, que publicou o estudo, formalizando suas queixas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para o microbiologista Forest Rohwer, da Universidade Estadual de San Diego (EUA), especialista em novas esp\u00e9cies de bact\u00e9rias e v\u00edrus em recifes de corais, a descoberta seria interessante, se fosse confi\u00e1vel. &#8220;Nenhum dos argumentos foi muito convincente&#8221;, disse o cientista. J\u00e1 Shelley Copley, da Universidade de Colorado, vai mais longe. &#8220;O artigo n\u00e3o deveria ter sido publicado.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar das censuras, nenhum dos pesquisadores consultados pelo site negou a possibilidade de a estranha bact\u00e9ria ser poss\u00edvel. Roger Summons, professor do Instituto Tecnol\u00f3gico de Massachussetts (MIT, na sigla em ingl\u00eas) e um dos entrevistados, foi coautor de um estudo da Academia Americana de Ci\u00eancias sobre vida extraterrestre que defendia a pesquisa em biologia com base em ars\u00eanio, publicado na &#8220;Science&#8221; em 2007.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma das cr\u00edticas citadas refere-se ao m\u00e9todo de retirada do DNA do micro-organismo utilizado pelos cientistas da Nasa, que deveria ter contado com precau\u00e7\u00f5es a mais para &#8220;limpar&#8221; o material de outras mol\u00e9culas. Sem essas medidas, o ars\u00eanio pode simplesmente ter se atrelado ao DNA. &#8220;\u00c9 bem trivial fazer um trabalho melhor que esse&#8221;, disse Rohwer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para o microbiologista Alex Bradley, da Universidade Harvard, os cientistas da Nasa demonstraram, sem querer, falhas na pesquisa. Ao fazer a imers\u00e3o do DNA da bact\u00e9ria GFAJ-1 na \u00e1gua para an\u00e1lise, os pesquisadores deveriam ter observado uma fragmenta\u00e7\u00e3o do material gen\u00e9tico, j\u00e1 que compostos com ars\u00eanio se desintegram rapidamente no contato com o l\u00edquido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bradley defende que o DNA manteve-se unido por causa da presen\u00e7a de fosfato, mesmo em quantidades reduzidas. O pesquisador lembra que micro-organismos crescem no Atl\u00e2ntico Norte com n\u00edveis de fosfato 300 vezes menores que os aferidos em culturas de laborat\u00f3rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como os pesquisadores da Nasa utilizaram sais para alimentar as bact\u00e9rias que, segundo eles pr\u00f3prios admitiram, continham pequenas doses de fosfato, os cr\u00edticos acreditam que as bact\u00e9rias usaram parte dessa provis\u00e3o escassa do elemento qu\u00edmico para sobreviver.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Norman Pace, tamb\u00e9m da Universidade de Colorado, pioneiro na identifica\u00e7\u00e3o de micro-organismos pela an\u00e1lise de DNA e coautor do trabalho divulgado h\u00e1 3 anos, foi outro a n\u00e3o poupar cr\u00edticas. &#8220;N\u00edveis reduzidos de fosfato, investigadores ing\u00eanuos e revisores ruins fazem a hist\u00f3ria desse estudo&#8221;, disse.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A defesa<\/strong><br \/>\n&#8220;Todo debate proposto dever\u00e1 passar por uma revis\u00e3o, da mesma forma que nosso artigo passou, com todas as discuss\u00f5es podendo ser moderadas corretamente&#8221;, disse Felisa Wolfe-Simon, do instituto de astrobiologia da Nasa e principal autora do artigo publicado na semana passada na &#8220;Science&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 Ronald Oremland, ligado a um \u00f3rg\u00e3o de pesquisa geol\u00f3gica norte-americano, disse que o debate sobre o estudo n\u00e3o pode descambar para um &#8220;f\u00f3rum midi\u00e1tico&#8221;. &#8220;Se estamos errados, outros cientistas deveriam reproduzir nossos achados. Se estivermos certos, ent\u00e3o nossos competidores nos aceitar\u00e3o e nos ajudar\u00e3o a compreender melhor esse fen\u00f4meno.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A negativa de debater em p\u00fablico os resultados contestados n\u00e3o convenceu Jonathan Eisen, da Universidade da Calif\u00f3rnia em Davis. &#8220;Eles fizeram ci\u00eancia por meio de notas para a imprensa e \u00f3rg\u00e3os de m\u00eddia&#8221;, disse o pesquisador. &#8220;\u00c9 um pouco hip\u00f3crita eles quererem basear sua defesa agora na literatura cient\u00edfica.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com o site, a equipe da Nasa ofereceu a cultura de bact\u00e9ria GFAJ-1 para testes que decidir\u00e3o, de uma vez por todas, se o micro-organismo possui, de fato, um DNA sustentado com base no ars\u00eanio.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">[<a href=\"javascript:history.go(-1)\">Voltar<\/a>]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 mais de meio s\u00e9culo se pesquisa a composi\u00e7\u00e3o e o funcionamento do material gen\u00e9tico e nesse tempo todo, como ningu\u00e9m tinha encontrado, ainda, um organismo com composi\u00e7\u00e3o diferente? 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