{"id":13546,"date":"2011-04-04T03:20:01","date_gmt":"2011-04-04T03:20:01","guid":{"rendered":"http:\/\/www.cienciasdasaude.org\/portal\/?p=13546"},"modified":"2022-02-15T03:25:05","modified_gmt":"2022-02-15T03:25:05","slug":"desenvolvimento-de-superbacterias-ameaca-futuro-da-medicina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonini.psc.br\/?p=13546","title":{"rendered":"Desenvolvimento de superbact\u00e9rias amea\u00e7a futuro da medicina"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Cada vez mais microorganismos mostram resist\u00eancia aos antibi\u00f3ticos. Incapacidade de matar bact\u00e9rias pode fazer a medicina retroceder.<!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-16308 alignright\" alt=\"superbacteria2\" src=\"http:\/\/antonini.med.br\/home\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/superbacteria2.jpg\" width=\"304\" height=\"246\" srcset=\"https:\/\/antonini.psc.br\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/superbacteria2.jpg 304w, https:\/\/antonini.psc.br\/wp-content\/uploads\/2011\/04\/superbacteria2-300x242.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 304px) 100vw, 304px\" \/>David Livermore est\u00e1 numa corrida contra a evolu\u00e7\u00e3o. Em seu laborat\u00f3rio no Norte de Londres, segura uma placa de culturas com um cheiro ruim, lambuzada de <strong>bact\u00e9rias<\/strong>. Esta col\u00f4nia, de tom amarelo e aspecto cremoso, \u00e9 o inimigo: um novo tipo de germes, resistente aos mais poderosos antibi\u00f3ticos j\u00e1 feitos pela humanidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nas ruas, Steve Owen corre a mesma corrida \u2013 batendo pernas para atrair aten\u00e7\u00e3o para o problema das infec\u00e7\u00f5es resistentes \u00e0s drogas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Donald, pai de Owen, morreu h\u00e1 quatro anos de fal\u00eancia m\u00faltipla dos \u00f3rg\u00e3os num hospital brit\u00e2nico. Ele tinha dado entrada para operar o joelho. Mas pegou Staphylococcus aureus resistente \u00e0 meticilina (MRSA, na sigla em ingl\u00eas), uma \u201csuperbact\u00e9ria\u201d que nenhuma das drogas receitadas pelos m\u00e9dicos conseguiu vencer. Depois de quase 18 meses de muita dor, a infec\u00e7\u00e3o chegou ao sangue dele, dominou os \u00f3rg\u00e3os vitais e o matou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Owen e sua esposa Jules se comprometeram a correr 12 corridas ao longo do mesmo n\u00famero de meses para angariar fundos para uma institui\u00e7\u00e3o que trabalha para combater a MRSA. \u201cIsso simplesmente n\u00e3o deveria ter acontecido\u201d, diz Jules, enquanto o casal cuida das pernas doloridas, depois de uma meia-maratona. \u201cEra o joelho \u2013 n\u00e3o \u00e9 algo que deveria t\u00ea-lo matado\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Bem vindos a um mundo no qual as drogas n\u00e3o funcionam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois que <strong>Alexander Fleming<\/strong> descobriu o primeiro antibi\u00f3tico, a penicilina, rapidamente nos convencemos de que t\u00ednhamos a qu\u00edmica para vencer as bact\u00e9rias. \u00c9 claro, elas evoluem e desenvolvem resist\u00eancia. Mas por d\u00e9cadas os cientistas conseguiram desenvolver medicamentos para estar pelo menos um passo \u00e0 frente do inimigo sempre mutante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Agora, contudo, nossa estrada pode estar perto do fim. Estima-se que somente a MRSA mate cerca de 19 mil pessoas por ano nos EUA \u2013 bem mais que o <strong>HIV e a Aids<\/strong> \u2013 e um n\u00famero semelhante na Europa. Outras superbact\u00e9rias est\u00e3o se espalhando. A tuberculose \u201ccom resist\u00eancia abrangente \u00e0s drogas\u201d cresceu como uma praga nos \u00faltimos anos. Uma nova onda de \u201csuper superbact\u00e9rias\u201d, com uma muta\u00e7\u00e3o chamada NDM 1, que surgiu inicialmente na \u00cdndia, j\u00e1 est\u00e1 em todo o mundo, da Gr\u00e3-Bretanha \u00e0 Nova Zel\u00e2ndia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 NDM 1 que est\u00e1 crescendo nas placas que Livermore segura com as m\u00e3os vestidas com luvas. \u201cN\u00e3o d\u00e1 para vencer a evolu\u00e7\u00e3o\u201d, diz o cientista, que passa os dias monitorando a emerg\u00eancia de superbact\u00e9rias num laborat\u00f3rio de refer\u00eancia nacional na <strong>Ag\u00eancia Brit\u00e2nica de Prote\u00e7\u00e3o \u00e0 Sa\u00fade<\/strong>. \u201cTudo o que se pode tentar fazer \u00e9 estar um passo \u00e0 frente\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Isso n\u00e3o est\u00e1 acontecendo no momento por uma s\u00e9rie de raz\u00f5es. De in\u00edcio, as bact\u00e9rias est\u00e3o em todos os lugares, dando \u00e0s bact\u00e9rias incont\u00e1veis oportunidades de desenvolver rotas de escape. As drogas podem ser pegas sem prescri\u00e7\u00e3o por centavos em pa\u00edses como Tail\u00e2ndia, \u00cdndia e partes da Am\u00e9rica Latina. Embora o uso seja controlado no Ocidente, o sistema estimula os m\u00e9dicos a atirar nas bact\u00e9rias primeiro e perguntar depois. Talvez mais preocupante seja o fato de que as duas maiores companhias farmac\u00eauticas do mundo, deparadas com um retorno cada vez menor e com uma ci\u00eancia cada vez mais cara e dif\u00edcil, n\u00e3o s\u00f3 diminu\u00edram seus esfor\u00e7os no desenvolvimento de antibi\u00f3ticos, como tamb\u00e9m est\u00e3o abandonando esse campo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje, apenas duas grandes companhias \u2013 GlaxoSmithKline e AstraZeneca \u2013 ainda t\u00eam pesquisas e programas de desenvolvimento fortes e ativos em rela\u00e7\u00e3o aos antibi\u00f3ticos, segundo a Sociedade de Doen\u00e7as Infecciosas dos EUA. Nos anos 1990, havia cerca de 20.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O impacto sobre o modo como tratamos nossas doen\u00e7as pode ser profundo. \u201cSe alguns dos mais potentes tipos multirresistentes que conhecemos hoje se acumularem, ent\u00e3o a medicina moderna \u2013 desde transplantes at\u00e9 tratamento de c\u00e2ncer, e mesmo cirurgias mais comuns \u2013 se torna insustent\u00e1vel\u201d, diz Livermore. \u201cVoc\u00ea precisa da capacidade de tratar infec\u00e7\u00f5es em pacientes vulner\u00e1veis. Perca isso e uma faixa da medicina moderna se torna inst\u00e1vel\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estar\u00edamos em via de come\u00e7ar a ir para tr\u00e1s, para uma era antes dos antibi\u00f3ticos, na qual pr\u00f3teses, quimioterapia e terapia intensiva eram simplesmente imposs\u00edveis? O medo \u00e9 grande o suficiente para que Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade dedicasse o Dia Mundial da Sa\u00fade deste ano (7 de abril) \u00e0 resist\u00eancia antimicrobial, numa tentativa de salvaguardar as drogas as futuras gera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA medicina moderna n\u00e3o funciona sem antibi\u00f3ticos eficazes\u201d, diz Derek Butler, presidente da institui\u00e7\u00e3o \u201cMRSA Action UK\u201d, para a qual Owen est\u00e1 angariando fundos. \u201cSe perdermos essas balas m\u00e1gicas, a medicina regredir\u00e1 em mais de 80 anos\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um aspecto da corrida contra as bact\u00e9rias mudou pouco desde a \u00e9poca de Fleming. A higiene hospitalar \u00e9 o trabalho b\u00e1sico, mal pago e sem glamour que forma a primeira linha de defesa, vital contra os pat\u00f3genos. Quando feita corretamente, diminui a demanda pelas drogas. Ainda assim, <strong>Steve Owen<\/strong> se lembra do pai contando que viu um rato correndo pela enfermaria \u2013 um choque para um hospital de um pa\u00eds desenvolvido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Transcrito do jornal <a href=\"http:\/\/www.gazetadopovo.com.br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Gazeta do Povo<\/a> de Curitiba<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">[<a href=\"javascript:history.go(-1)\">Voltar<\/a>]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cada vez mais microorganismos mostram resist\u00eancia aos antibi\u00f3ticos. 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