{"id":1474,"date":"2009-02-15T16:00:23","date_gmt":"2009-02-15T18:00:23","guid":{"rendered":"http:\/\/antonini.med.br\/blog\/?p=1474"},"modified":"2022-08-25T23:46:51","modified_gmt":"2022-08-25T23:46:51","slug":"criterio-de-malignidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonini.psc.br\/?p=1474","title":{"rendered":"Crit\u00e9rio de Malignidade"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Quando prepara\u00e7\u00f5es citol\u00f3gicas n\u00e3o ginecol\u00f3gicas s\u00e3o realizadas \u00e9 necess\u00e1rio distinguir entre c\u00e9lulas normais reativas e malignas. Nas prepara\u00e7\u00f5es ginecol\u00f3gicas h\u00e1 a complica\u00e7\u00e3o adicional de reconhecer c\u00e9lulas discari\u00f3ticas, as quais \u00e9 necess\u00e1rio distinguir entre uma les\u00e3o intra-epitelial e uma invasiva. A confiabilidade do relat\u00f3rio depende do reconhecimento de um bom crit\u00e9rio de malignidade e em muitos casos o diagn\u00f3stico pode ser t\u00e3o acurado como em um corte de tecidos. Contudo, tem que ser aceito que h\u00e1 casos nos quais os crit\u00e9rios de malignidade s\u00e3o insuficientes, embora caracter\u00edsticas suspeitas possam estar presentes. Nestes casos as c\u00e9lulas anormais seriam descritas como discari\u00f3ticas, com uma afirma\u00e7\u00e3o suplementar esbo\u00e7ando as raz\u00f5es para suspeita de uma les\u00e3o invasiva. \u00c9 importante como isto modificar\u00e1 a conduta cl\u00ednica do caso, particularmente com respeito ao tamanho e profundidade da bi\u00f3psia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O crit\u00e9rio mais comum de irregularidade s\u00e3o as altera\u00e7\u00f5es nucleares e nucleolares, relacionamento do n\u00facleo com citoplasma e relacionamento de uma c\u00e9lula com outra. Outras caracter\u00edsticas tais como multinuclea\u00e7\u00e3o, hipercromatismo, forma da c\u00e9lula e pleomorfismo, tem que ser aplicadas com cautela. J\u00e1 se tem mostrado que estas altera\u00e7\u00f5es podem refletir somente rea\u00e7\u00e3o e regenera\u00e7\u00e3o celular.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large\" src=\"\/img\/198_JPG.jpg?w=560\" width=\"560\" height=\"406\"\/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>198. N\u00facleos malignos: grumos de cromatina. <\/strong>Em c\u00e9lulas discari\u00f3ticas h\u00e1 grumos grosseiros de cromatina, mas a cromatina \u00e9 uniformemente distribu\u00edda atrav\u00e9s do n\u00facleo. Em compara\u00e7\u00e3o, o n\u00facleo neste campo mostra-se grande, com grumos irregulares de cromatina com \u00e1reas claras irregulares entre eles. \u00c9 importante se estar certo de que os grumos de cromatina t\u00eam uma borda n\u00edtida, assim como a necrose coagulativa d\u00e1 uma apar\u00eancia semelhante exceto pelas bordas borradas e difusas. Isto pode tamb\u00e9m se aplicar para condensa\u00e7\u00e3o irregular de cromatina na membrana nuclear. Esta caracter\u00edstica \u00e9 tamb\u00e9m vista neste n\u00facleo. Irregularidades da membrana nuclear s\u00e3o tamb\u00e9m importantes e um entalhe n\u00edtido com esmaecimento de um p\u00f3lo \u00e9 visto neste n\u00facleo. (x 620)<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large\" src=\"\/img\/199_JPG.jpg?w=560\" width=\"560\" height=\"406\"\/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">199. <strong>Carcinoma de c\u00e9lula escamosa: bi\u00f3psia em cunha. <\/strong>Exame do tecido do c\u00e2ncer invasivo neste caso mostra que as mesmas irregularidades da cromatina est\u00e3o presentes. (H&amp;E, X125)<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large\" src=\"\/img\/200_JPG.jpg?w=560\" width=\"560\" height=\"406\"\/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">200. <strong>Carcinoma de c\u00e9lula escamosa: bi\u00f3psia em cunha. <\/strong>Esta \u00e9 mais aparente quando o tecido \u00e9 fotografado no mesmo aumento que a prepara\u00e7\u00e3o citologia. Notar o formato irregular dos nucl\u00e9olos. (H&amp;E, x 620)<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large\" src=\"\/img\/201_JPG.jpg?w=560\" width=\"560\" height=\"406\"\/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">201. <strong>N\u00facleos malignos: membrana nuclear.<\/strong> Neste exemplo existe irregularidade da cromatina condensada na membrana nuclear. Em um p\u00f3lo \u00e9 muito espesso e no outro est\u00e1 ausente. Notar tamb\u00e9m a irregularidade da forma dos nucl\u00e9olos e a espicula\u00e7\u00e3o da cromatina nuclear e membrana nucleolar. (x 620)<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large\" src=\"\/img\/202_JPG.jpg?w=560\" width=\"560\" height=\"406\"\/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">202. <strong>N\u00facleo maligno: irregularidade da forma nuclear.<\/strong> Al\u00e9m das irregularidades de cromatina, dois destes n\u00facleos mostram-se bem definidos, com recortes n\u00edtidos no nucleoplasma; h\u00e1 tamb\u00e9m alguma vacuoliza\u00e7\u00e3o. Os outros n\u00facleos mostram irregularidades mais delicadas da membrana nuclear.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large\" src=\"\/img\/203_JPG.jpg?w=560\" width=\"560\" height=\"406\"\/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">203. <strong>Necrose coagulativa: n\u00facleo discari\u00f3tico degenerativo. <\/strong>Este campo ilustra o modo pelo qual a confus\u00e3o cresce quando a necrose coagulativa est\u00e1 presente. Compara\u00e7\u00e3o entre 198 e 202 mostra que neste quadro as bordas dos grumos de cromatina s\u00e3o difusas e o recorte no nucleoplasma \u00e9 macio e arredondado. (x 620)<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large\" src=\"\/img\/204_JPG.jpg?w=560\" width=\"560\" height=\"406\"\/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">204. <strong>C\u00e9lula maligna queratinizada.<\/strong> Esta c\u00e9lula mostra duas caracter\u00edsticas de interesse. Os n\u00facleos est\u00e3o colocados para o lado da c\u00e9lula e a borda citoplasm\u00e1tica exatamente paralela \u00e0 borda do n\u00facleo maior; esta \u00e9 outra caracter\u00edstica vista nas c\u00e9lulas malignas (Frost, 1969). A c\u00e9lula \u00e9 binucleada, mas os n\u00facleos diferem acentuadamente em tamanho, um \u00e9 vesiculoso, enquanto o outro \u00e9 picn\u00f3tico. Queratiniza\u00e7\u00e3o irregular est\u00e1 presente, mas este achado n\u00e3o \u00e9 espec\u00edfico. (x 620)<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large\" src=\"\/img\/205_JPG.jpg?w=560\" width=\"560\" height=\"406\"\/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">205. <strong>C\u00e9lula maligna binucleada. <\/strong>Este \u00e9 outro exemplo de uma c\u00e9lula binucleada com n\u00facleos de forma e rela\u00e7\u00f5es um com outro. Contraste deste com exemplos pr\u00e9vios de c\u00e9lulas multinucleadas, vistas em rea\u00e7\u00e3o e discariose (72, 73, 85, 104, 158, 168). (x 620)<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large\" src=\"\/img\/206_JPG.jpg?w=560\" width=\"560\" height=\"406\"\/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">206. <strong>C\u00e9lula em fibra maligna. <\/strong>Em um aumento menor, este campo apresenta numerosas c\u00e9lulas em fibra queratinizadas degeneradas. Compara\u00e7\u00f5es com 74, mostram que estas diferem em irregularidades acentuadas da cromatina nuclear, as quais s\u00e3o vistas. Esta \u00e9 a caracter\u00edstica que leva ao diagn\u00f3stico de malignidade e n\u00e3o a forma da c\u00e9lula. (x 160)<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large\" src=\"\/img\/207_JPG.jpg?w=560\" width=\"560\" height=\"406\"\/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">207. <strong>C\u00e9lulas malignas fusiformes. <\/strong>Compara\u00e7\u00f5es com 80 e 183, mostram que neste caso a cromatina nuclear est\u00e1 irregularmente agrupada com \u00e1reas claras. Pleomorfismo e irregularidades do contorno nuclear tamb\u00e9m est\u00e3o presentes. Altera\u00e7\u00f5es degenerativas s\u00e3o menos acentuadas que em 206. (x 160)<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large\" src=\"\/img\/208_JPG.jpg?w=560\" width=\"560\" height=\"406\"\/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">208. <strong>C\u00e9lula em \u201cgirino\u201d maligna. <\/strong>Este \u00e9 um exemplo de diferencia\u00e7\u00e3o anormal na c\u00e9lula maligna. Notar que a cauda parece ser, no processo, subst\u00e2ncia removida com o resto da c\u00e9lula. Isto sugere outro exemplo de divis\u00e3o anormal, com lise do segundo n\u00facleo. Em outro campo e na bi\u00f3psia, isto foi confirmado como um carcinoma de c\u00e9lula escamosa, mas esta pequena c\u00e9lula isolada mostra degenera\u00e7\u00e3o demasiada para um diagn\u00f3stico seguro ser feito. Compara\u00e7\u00f5es com n\u00facleos polimorfos no campo mostram que esta \u00e9 uma pequena c\u00e9lula. (x 620)<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large\" src=\"\/img\/209_JPG.jpg?w=560\" width=\"560\" height=\"406\"\/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">209. <strong>C\u00e9lula em \u201cgirino\u201d maligna. <\/strong>Por contraste, neste campo, que tamb\u00e9m apresenta exemplos de diferencia\u00e7\u00e3o, n\u00facleos mostram bom crit\u00e9rio de malignidade. (x 400)<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large\" src=\"\/img\/210_JPG.jpg?w=560\" width=\"560\" height=\"406\"\/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">210. <strong>C\u00e9lula em \u201cgirino\u201d discari\u00f3tica. <\/strong>Compare o padr\u00e3o de cromatina nuclear desta c\u00e9lula discari\u00f3tica binucleada com o padr\u00e3o de cromatina nuclear visto em 209. Ser\u00e1 observado neste exemplo que o padr\u00e3o de cromatina nuclear se parece com aquele visto em c\u00e9lulas discari\u00f3ticas ilustradas no cap\u00edtulo 5. Note tamb\u00e9m que os dois n\u00facleos s\u00e3o id\u00eanticos, diferentes do par de n\u00facleos vistos em 204 e 205. (x 160)<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large\" src=\"\/img\/211_JPG.jpg?w=560\" width=\"560\" height=\"406\"\/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">211 <strong>P\u00e9rola maligna. <\/strong>Compare este exemplo de forma\u00e7\u00e3o perolar com 82 e 83. Ser\u00e1 visto que em compara\u00e7\u00e3o com uma perola discari\u00f3tica benigna, esta pode ser reconhecida como uma p\u00e9rola maligna por causa do padr\u00e3o mais irregular de cromatina nuclear. (x 320)<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large\" src=\"\/img\/212_JPG.jpg?w=560\" width=\"560\" height=\"406\"\/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">212 <strong>C\u00e9lulas colunares malignas. <\/strong>Os exemplos de c\u00e9lulas malignas j\u00e1 ilustrados t\u00eam sido de carcinoma de c\u00e9lulas escamosas, e na maioria dos casos a diferencia\u00e7\u00e3o citoplasm\u00e1tica tem sido em harmonia. Neste campo formas acinares s\u00e3o vistas e o citoplasma \u00e9 flocular. Ser\u00e1 notado que a cromatina nuclear \u00e9 granular em lugar de grumos e as \u00e1reas irregulares de clareamento s\u00e3o menores, mas ainda presentes. Nucl\u00e9olos s\u00e3o mais evidentes. (x 40)<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large\" src=\"\/img\/213_JPG.jpg?w=560\" width=\"560\" height=\"406\"\/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">213 <strong>C\u00e9lulas malignas indiferenciadas. <\/strong>Estes grupos de c\u00e9lulas malignas t\u00eam uma alta rela\u00e7\u00e3o nucleocitoplasm\u00e1tica, sendo dif\u00edcil estar seguro do tipo de diferencia\u00e7\u00e3o citoplasm\u00e1tica. O bordo citoplasm\u00e1tico bem marcado e arcos conc\u00eantricos em uma c\u00e9lula tornam mais prov\u00e1vel que este seja um carcinoma escamoso de pequenas c\u00e9lulas, mas seria possivelmente sensato descrever como uma &#8220;diferencia\u00e7\u00e3o incerta&#8221;. (x 400)<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large\" src=\"\/img\/214_JPG.jpg?w=560\" width=\"560\" height=\"406\"\/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">214 <strong>C\u00e9lulas malignas indiferenciadas. <\/strong>Este \u00e9 um outro exemplo de c\u00e9lulas malignas de \u201cdiferencia\u00e7\u00e3o incerta\u201d. Neste caso o corte histol\u00f3gico foi tamb\u00e9m referido como um carcinoma indiferenciado. (X 250)<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large\" src=\"\/img\/215_JPG.jpg?w=560\" width=\"560\" height=\"406\"\/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">215 <strong>Diatesis tumoral.<\/strong> Este quadro mostra o fundo serossanguinolento, o qual tem sido descrito como \u201dDi\u00e1tese tumoral&#8221;. Isoladamente este \u00e9 um achado inespec\u00edfico, pois pode ser visto na presen\u00e7a de dano tecidual de qualquer causa. (x 40)<\/p>\n<ul>\n<li><a href=\"?p=1481\">Exemplos de casos com carcinoma de c\u00e9lula escamosa<\/a><\/li>\n<li><a href=\"?p=1490\" target=\"_self\" rel=\"noopener\">Exemplos de casos com adenocarcinoma da c\u00e9rvix<\/a><\/li>\n<li><a href=\"?p=1497\" target=\"_self\" rel=\"noopener\">Casos variados<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: center;\">[<a href=\"javascript:history.go(-1)\">Voltar<\/a>]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando prepara\u00e7\u00f5es citol\u00f3gicas n\u00e3o ginecol\u00f3gicas s\u00e3o realizadas \u00e9 necess\u00e1rio distinguir entre c\u00e9lulas normais reativas e malignas. Nas prepara\u00e7\u00f5es ginecol\u00f3gicas h\u00e1 a complica\u00e7\u00e3o adicional de reconhecer c\u00e9lulas discari\u00f3ticas, as quais \u00e9 necess\u00e1rio distinguir entre uma les\u00e3o intra-epitelial e uma invasiva. 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