{"id":15726,"date":"2013-02-02T17:37:34","date_gmt":"2013-02-02T17:37:34","guid":{"rendered":"http:\/\/opatriota.org\/portal\/?p=15726"},"modified":"2022-02-15T03:25:03","modified_gmt":"2022-02-15T03:25:03","slug":"por-que-tantos-hackers-estao-ficando-com-raiva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonini.psc.br\/?p=15726","title":{"rendered":"Por que tantos hackers est\u00e3o ficando com raiva?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">O texto que se segue \u00e9 de autoria de Glyn Moody, publicado originalmente, em ingl\u00eas, no blog <a href=\"http:\/\/blogs.computerworlduk.com\/open-enterprise\/2011\/07\/why-are-hackers-becoming-so-angry\/index.htm\">Open Enterprise<\/a>. A tradu\u00e7\u00e3o \u00e9 do Prof. Pedro Antonio Dourado de Rezende.<!--more--><\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\" align=\"justify\">\n<p>\u00c9 not\u00f3ria essa tendencia recente. Grupos de hackers est\u00e3o botando as m\u00e3os em coisas que at\u00e9 ent\u00e3o estavam trancadas, e disponibilizando-as livremente online, para grande embara\u00e7o e aborrecimento daqueles envolvidos.<\/p>\n<p>Exemplos bem conhecidos incluem Wikileaks, Anonymous e LulzSec, aos quais podemos acrescentar mais um nome. Surge agora Greg Maxwell, que, provocado pela saga de Aaron Swartz, (sobre a qual o autor antes havia escrito), acaba de disponibilizar por conta pr\u00f3pria um grande cole\u00e7\u00e3o de arquivos:<\/p>\n<p>Tal cole\u00e7\u00e3o, de 33 GB, cont\u00e9m 18.592 publica\u00e7\u00f5es cient\u00edficas, todas da Philosophical Transactions of the Royal Society, que deveriam estar dispon\u00edveis sem custo para qualquer um, mas que na sua maioria s\u00f3 estavam dispon\u00edveis a um alto custo, atrav\u00e9s de intermediadores virtuais como a JSTOR.<\/p>\n<p>Acesso limitado a tais documentos \u00e9 tipicamente vendido a US$ 19 por artigo, embora para alguns mais antigos o acesso possa ser obtido por US$ 8. Comprar acesso a esta cole\u00e7\u00e3o de artigos assim, um por um, poderia custar centenas de milhares de d\u00f3lares.<\/p>\n<p>A forma escolhida por Maxwell para disponibilizar essa cole\u00e7\u00e3o, que est\u00e1 em dom\u00ednio p\u00fablico, \u00e9 particularmente interessante porque ela vem com uma explica\u00e7\u00e3o muito bem articulada a respeito de porque est\u00e1 sendo feita.<\/p>\n<p>Grandes editoras s\u00e3o atualmente capazes de comprar influ\u00eancia pol\u00edtica necess\u00e1ria para abusarem do estrito escopo de prote\u00e7\u00e3o comercial do direito autoral, extendendo-o para \u00e1reas completamente inaplic\u00e1veis: luxuosas reprodu\u00e7\u00f5es de documentos hist\u00f3ricos e de obras art\u00edsticas, e explora\u00e7\u00e3o n\u00e3o paga do trabalho de cientistas, por exemplo.<\/p>\n<p>Com tal influ\u00eancia essas editoras s\u00e3o at\u00e9 capazes de fazer com que seus ataques \u00e0 sociedade livre acabem sendo pagos pelos contribuintes, ao buscarem a via da persecu\u00e7\u00e3o criminal (tradicionalmente o direito autoral \u00e9 mat\u00e9ria c\u00edvel) e onerando assim institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, inclusive com tarifas exorbitantes por assinaturas de seus servi\u00e7os.<\/p>\n<p>O direito autoral \u00e9 uma fic\u00e7\u00e3o legal que representa um estreito acordo de concess\u00f5es: renunciamos ao nosso direito natural de intercambiar informa\u00e7\u00f5es, em troca da cria\u00e7\u00e3o de um incentivo econ\u00f4mico tempor\u00e1rio para autores, para que todos possam ao final desfrutar de mais obras. Mas quando editores abusam do sistema para alavancar sua exist\u00eancia, quando deturpam o alcance e a cobertura dos direitos autorais, quando amea\u00e7am a torto e a direito com a\u00e7\u00f5es judiciais fr\u00edvolas para reprimir a dissemina\u00e7\u00e3o de obras que est\u00e3o em dom\u00ednio p\u00fablico, s\u00e3o eles que est\u00e3o roubando de todos n\u00f3s.<\/p>\n<p>Existem dois pontos importantes aqui. Primeiro, Maxwell destaca a influ\u00eancia pol\u00edtica que est\u00e1 propiciando abusos do sistema de direito autoral. Mesmo que esse sistema tenha sido algum dia justo e razo\u00e1vel, certamente hoje ele n\u00e3o \u00e9 mais, porque grandes interesses corporativos o perverteram. Nesse percurso, os extremistas do direito autoral (que se autodenominam &#8220;maximalistas&#8221;) v\u00eam cooptando governos para atacarem cidad\u00e3os comuns por compartilharem coisas, com enormes danos a liberdades b\u00e1sicas.<\/p>\n<p>\u00c9 por causa da crescente onda de radicaliza\u00e7\u00e3o do direito autoral, com legisla\u00e7\u00f5es cada vez mais severas e desequilibradas, tais como o ACTA, HADOPI, the Digital Economy Act (na Gr\u00e3 Bretanha), La Ley Sinde (na Espanha) PROTECT IP (nos EUA) e outros, que hackers est\u00e3o ficando com raiva. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 porque essas leis s\u00e3o em si injustas e desequilibradas, mas pela maneira como elas vem sendo impostas.<\/p>\n<p>Geralmente essas legisla\u00e7\u00f5es s\u00e3o costuradas em encontros secretos entre pol\u00edticos de cargos importantes e representantes de poderosas ind\u00fastrias. Depois as propostas s\u00e3o novamente discutidas em outros encontros secretos, onde os grupos da sociedade civil &#8212; os mais afetados por esses esquemas &#8212; nunca s\u00e3o convidados. Para adicionar insulto \u00e0 inj\u00faria, ao cidad\u00e3o n\u00e3o \u00e9 permitido conhecer o resultado desses esquemas antes que estejam finalizados e implementados.<\/p>\n<p>Em face dessa prepot\u00eancia e comportamento insultante \u00e9 que hackers est\u00e3o agora come\u00e7ando a reagir, obtendo material que essas for\u00e7as poderosas n\u00e3o querem que pessoas comuns vejam &#8212; frequentemente documentos que exp\u00f5em seu jogo sujo de tr\u00e1fego de influ\u00eancias. O que esses poderosos n\u00e3o entendem \u00e9 que ao tentarem coibir desta forma uma ampla gama de comportamentos, radicalizando e abusando das leis autorais &#8212; por exemplo, extraditando Richard O&#8217;Dwyer por manter um site que cont\u00e9m links para c\u00f3pias n\u00e3o autorizadas de material alheio &#8212; simplesmente ati\u00e7am mais lenha na fogueira, levando a mais rea\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A divulga\u00e7\u00e3o por Greg Maxwell de material que est\u00e1 em dom\u00ednio p\u00fablico mas que n\u00e3o estava livremente dispon\u00edvel \u00e9 sinal recente disso; uma rea\u00e7\u00e3o \u00e0s a\u00e7\u00f5es persecut\u00f3rias desproporcionais dirigidas contra Aaron Swartz. O que \u00e9 not\u00e1vel, neste caso, n\u00e3o \u00e9 tanto que a rea\u00e7\u00e3o de hackers tenha ocorrido &#8212; isto era at\u00e9 previs\u00edvel &#8212; , mas que tenha levado apenas dois dias para se manifestar.<\/p>\n<p>Contra esse pano de fundo, de planos para ampla censura na web, de &#8220;resposta graduada&#8221; (em que provedores de acesso s\u00e3o for\u00e7ados a agir como pol\u00edcia e juiz de copyright), de multas alt\u00edssimas por compartilhamento de arquivos (mesmo na aus\u00eancia de evid\u00eancias de ganho ou de preju\u00edzo financeiro em consequ\u00eancia), e de amea\u00e7as de extradi\u00e7\u00e3o (mesmo quando o ato causador n\u00e3o \u00e9 delito onde praticado) prevemos mais rea\u00e7\u00f5es de hackers frustrados com o cont\u00ednuo e crescente abuso de sistemas legais, econ\u00f4micos e pol\u00edticos por parte de uns poucos grupos poderosos &#8212; particularmente na esfera midi\u00e1tica &#8212; visando apenas seus pr\u00f3prios interesses.<\/p>\n<p>Segundo, quanto ao porqu\u00ea dos que assim reagem serem na maioria hackers, a raz\u00e3o \u00e9 simples. Al\u00e9m de estarem bem posicionados para entender as profundas implica\u00e7\u00f5es da transi\u00e7\u00e3o de uma economia fechada, baseada na escassez de recursos anal\u00f3gicos, para uma aberta, baseada na abund\u00e2ncia de recursos digitais, eles formam um dos poucos grupos com habilidade e meios necess\u00e1rios para canalizar esses recursos de forma a reagir contra esses abusos. <strong><br \/>\n<\/strong><strong><\/strong><strong><br \/>\n<\/strong>Tradutor: Pedro A D Rezende<br \/>\nEsta tradu\u00e7\u00e3o recebeu autoriza\u00e7\u00e3o do autor original para publica\u00e7\u00e3o sob a licen\u00e7a dispon\u00edvel em <a href=\"http:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by-nc\/2.5\/br\">http:\/\/creativecommons.org\/licenses\/by-nc\/2.5\/br<\/a><\/p>\n<p>Traduzido por Pedro A. D. Rezende<br \/>\nDepartamento de Ci\u00eancia da Computa\u00e7\u00e3o<br \/>\nUniversidade de Bras\u00edlia agosto de 2011 <a href=\"http:\/\/www.cic.unb.br\/docentes\/pedro\/sd.php\">http:\/\/www.cic.unb.br\/docentes\/pedro\/sd.php<\/a> &gt; Lei e Inform\u00e1tica | Cidadania<\/p>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: center;\">[<a href=\"javascript:history.go(-1)\">Voltar<\/a>]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O texto que se segue \u00e9 de autoria de Glyn Moody, publicado originalmente, em ingl\u00eas, no blog Open Enterprise. 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