{"id":16100,"date":"2013-06-05T13:52:21","date_gmt":"2013-06-05T13:52:21","guid":{"rendered":"http:\/\/antonini.med.br\/blog\/?p=16100"},"modified":"2022-02-15T02:40:50","modified_gmt":"2022-02-15T02:40:50","slug":"breve-historico-da-evolucao-dos-analgesicos-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonini.psc.br\/?p=16100","title":{"rendered":"Breve hist\u00f3rico da evolu\u00e7\u00e3o dos analg\u00e9sicos"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Os analg\u00e9sicos, como s\u00e3o conhecidos atualmente, tamb\u00e9m trilharam um longo e tortuoso caminho.<!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A busca por analgesia remonta \u00e0 Pr\u00e9-Hist\u00f3ria. Em desenhos encontrados em s\u00edtios arqueol\u00f3gicos \u00e9 poss\u00edvel ver os primeiros humanos tratando suas dores com emplastos ou cataplasmas (THOM, 1958).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O primeiro registro de tentativas de analgesia com elementos da natureza vem dos Sum\u00e9rios. Aproximadamente cinco mil anos antes de Cristo, os sacerdotes tratavam os pacientes em nome do deus Ormuz (THOM, 1958). Escritos em caracteres cuneif\u00f3rmicos em pranchas de argila (tablitas sum\u00e9rias) ensinavam como cultivar o \u00f3pio, mas n\u00e3o aparece men\u00e7\u00e3o de uso do alcaloide em qualquer tipo de tratamento, no entanto, os historiadores deduzem tratar-se de uma descri\u00e7\u00e3o pr\u00e9via de como obter a droga para aplicar nos doentes (BROWNSTEIN, 1993).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por volta do ano 1.500 a.C., os eg\u00edpcios descreveram, no Papiro de Ebers, as propriedades da casca do salgueiro no controle da dor e da febre (BROWNSTEIN, 1993).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os gregos mais antigos, por volta do ano 800 a.C., empregavam o \u00f3pio tanto com fins terap\u00eauticos quanto recreacionais. Na Odiss\u00e9ia de Homero, o guerreiro Tel\u00eamaco usa o \u00f3pio para esquecer suas afli\u00e7\u00f5es (BROWNSTEIN, 1993).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quatrocentos anos depois, ainda na Gr\u00e9cia, Hip\u00f3crates de C\u00f3s usou o p\u00f3 das cascas de salgueiro no tratamento de v\u00e1rios tipos de dores, incluindo a cefaleia (BROWNSTEIN, 1993).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na oitava d\u00e9cada da era crist\u00e3, o grego Pedanyus Dioscorydes escreveu uma colet\u00e2nea de cinco volumes sobre tratamento de doen\u00e7as com elementos da natureza, incluindo a casca do salgueiro. Sua obra chamou-se de Pharmacopea e foi recompilada diversas vezes em grego, latim e \u00e1rabe (BROWNSTEIN, 1993).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s um longo per\u00edodo de desuso, o \u00f3pio retornou \u00e0 terap\u00eautica na Europa pelas m\u00e3os de Paracelso (BROWNSTEIN, 1993). Paracelso, ou Phillipus Aureulus Theophratus Bombastus Von Hohelnehm, seu nome de batismo, era m\u00e9dico e alquimista. Ap\u00f3s muitas experi\u00eancias frustradas e percebendo que a cren\u00e7a e a busca da pedra filosofal, do elixir da longa vida e do solvente universal pelos alquimistas ortodoxos n\u00e3o levaria a lugar algum, enunciou uma frase que o tornou c\u00e9lebre, al\u00e9m de transform\u00e1-lo em persona non grata pelos mais radicais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>\u201cApenas os idiotas pensam que a alquimia \u00e9 o conhecimento de como obter ouro. O objetivo da alquimia \u00e9 procurar descobrir novos rem\u00e9dios\u201d.<\/em> <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Disse isso e fugiu da cidade, como aconteceria in\u00fameras vezes em sua vida, pois despertou a ira n\u00e3o apenas dos alquimistas ortodoxos, mas tamb\u00e9m dos charlat\u00f5es que usavam dos conhecimentos roubados dos alquimistas para enganar os cidad\u00e3os de boa f\u00e9, obtendo vantagens financeiras, pol\u00edticas e sociais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por conta de suas convic\u00e7\u00f5es, Paracelso acabou assassinado em 1521 por sic\u00e1rios a mando de seus inimigos. O m\u00e9rito de Paracelso foi romper com toda a cren\u00e7a medieval que impedia o desenvolvimento das ci\u00eancias, descobrir novos compostos e deixar seguidores, os Iatroqu\u00edmicos, que continuaram sua obra (CARVALHO, 1924).<br \/>\nThomas Sydenham, tamb\u00e9m conhecido como o \u201cHip\u00f3crates Ingl\u00eas\u201d, em 1660, introduziu o laudano como um tratamento para al\u00edvio eficaz da dor (BROWNSTEIN, 1993).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O capel\u00e3o ingl\u00eas Edward Stone, em 1763, recomendava o uso de p\u00f3 da casca do salgueiro como uma alternativa mais barata ao p\u00f3 da casca da cinchona peruana no tratamento da mal\u00e1ria (BROWNSTEIN, 1993).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1804, Friedrich Serturner isolou a principal fra\u00e7\u00e3o do \u00f3pio e deu-lhe o nome de morfina. Essa descoberta marcou o nascimento da ind\u00fastria farmac\u00eautica (BROWNSTEIN, 1993).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O cientista italiano Raffaele Piri\u00e1 desenvolveu juntamente com outros pesquisadores, , em 1838, um m\u00e9todo de extra\u00e7\u00e3o de um composto \u00e1cido presente na casca do salgueiro \u2013 o \u00e1cido salic\u00edlico, tamb\u00e9m chamado de salicina (BROWNSTEIN, 1993).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por volta de 1886, uma tentativa de tratar vermes intestinais levou \u00e0 descoberta da acetanilida, um derivado da anilina, corante utilizado em tingimento de tecidos. A acetanilida tinha uma a\u00e7\u00e3o antipir\u00e9tica poderosa e passou a ser comercializada com o nome de Antifebrina, sendo um grande sucesso de vendas (BROWNSTEIN, 1993). A acetanilida \u00e9 precursora das sulfas e do paracetamol (KOROLKOVAS, 2008).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o sucesso da antifebrina, muitas empresas especializadas na fabrica\u00e7\u00e3o de tinturas para tecidos passaram a direcionar suas pesquisas rumo \u00e0 obten\u00e7\u00e3o de novos compostos farmacoterap\u00e8uticos com atividade maior, visando, logicamente, ao lucro (BROWNSTEIN, 1993).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1887, o fabricante de tinturas Friedrech Bayer &amp; Co. lan\u00e7ou a fenacetina no mercado, um antipir\u00e9tico mais efetivo que a antifebrina e com menores efeitos secund\u00e1rios. A fenacetina tornou-se o f\u00e1rmaco mais utilizado no tratamento da cefaleia (BROWNSTEIN, 1993). Ap\u00f3s o grande sucesso da fenacetina, Friedrech Bayer &amp; Co., que produzia tinta para tecidos, passou a fabricar medicamentos (CARVALHO, 1924; BUDAVAVI, 1996).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1893, o fisiologista alem\u00e3o Joseph von Mering, testou o Paracetamol, que apesar de ser menos efetivo que a fenacetina, acabou tomando o seu lugar (BROWNSTEIN, 1993), sendo consumido indiscriminadamente nos dias atuais (KATZUNG, 2009).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1897, pesquisadores da Bayer sintetizaram o \u00e1cido acetilsalic\u00edlico. Este novo f\u00e1rmaco, com efeitos secund\u00e1rios menores do que o \u00e1cido salic\u00edlico ou que o p\u00f3 da casca do salgueiro, tornou-se outro sucesso de vendas e foi patenteado com o nome de Aspirina (BROWNSTEIN, 1993). O \u00e1cido acetilsalic\u00edlico \u00e9 obtido por simples esterifica\u00e7\u00e3o a quente do \u00e1cido salic\u00edlico com o \u00e1cido ac\u00e9tico (ou anidrido ac\u00e9tico) em meio \u00e1cido (KOROLKOVAS, 2008).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda em 1897, os mesmos pesquisadores que desenvolveram a Aspirina criaram a Hero\u00edna, que foi comercializada como isenta de precipita\u00e7\u00e3o de depend\u00eancia do tipo morf\u00ednico at\u00e9 1910, quando diversas pesquisas estabeleceram o potencial maior de depend\u00eancia da Hero\u00edna em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 morfina (BROWNSTEIN, 1993).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No in\u00edcio do s\u00e9culo XX, Sigmund Freud introduziu a coca\u00edna no tratamento da depress\u00e3o e de diversos tipos de dores. Ele mesmo usava a droga. Esta \u00e9 a grande mancha que acompanha Freud, pois a coca\u00edna hoje \u00e9 droga proscrita e proibida em praticamente todos os continentes (SOLOMON, 1972; KOLB, 1980).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No s\u00e9culo XX surgiram praticamente todos os f\u00e1rmacos analg\u00e9sicos e antipir\u00e9ticos usados hoje. A partir da d\u00e9cada de 1940, apareceram diversos derivados da morfina, como, por exemplo, a petidina, a nalbufina, o tramadol, o dexpropoxifeno, a metadona e a oxicodona. A grande maioria dos anti-inflamat\u00f3rios esteroidais (AIEs) e n\u00e3o esteroidais (AINEs), empregados atualmente, tamb\u00e9m surgiu no s\u00e9culo passado (BROWNSTEIN, 1993).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Transcrito da disserta\u00e7\u00e3o de Mestrado em Medicina (Cl\u00ednica Cir\u00fargica). Caso tenham interesse em analgesia p\u00f3s-operat\u00f3ria, baixem a disserta\u00e7\u00e3o <a href=\"https:\/\/www.google.com.br\/url?sa=t&amp;rct=j&amp;q=&amp;esrc=s&amp;source=web&amp;cd=1&amp;cad=rja&amp;ved=0CC0QFjAA&amp;url=http%3A%2F%2Fdspace.c3sl.ufpr.br%2Fdspace%2Fbitstream%2Fhandle%2F1884%2F28776%2FR%2520-%2520D%2520-%2520VLADIMIR%2520ANTONINI.pdf%3Fsequence%3D1&amp;ei=g1GvUbGzGcrh4APMnIHADA&amp;usg=AFQjCNFTWEoGlihk8dtLg5H4evHe-ntntQ&amp;bvm=bv.47380653,d.dmg\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">aqui<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">[<a href=\"javascript:history.go(-1)\">Voltar<\/a>]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os analg\u00e9sicos, como s\u00e3o conhecidos atualmente, tamb\u00e9m trilharam um longo e tortuoso caminho.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[27],"tags":[],"class_list":["post-16100","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/16100","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=16100"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/16100\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":27583,"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/16100\/revisions\/27583"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=16100"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=16100"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=16100"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}