{"id":1702,"date":"2009-02-18T15:19:58","date_gmt":"2009-02-18T15:19:58","guid":{"rendered":"http:\/\/antonini.med.br\/blog\/?p=1702"},"modified":"2022-02-15T03:29:38","modified_gmt":"2022-02-15T03:29:38","slug":"dismenorreia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonini.psc.br\/?p=1702","title":{"rendered":"Dismenorr\u00e9ia"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span class=\"content\">Dismenorr\u00e9ia \u00e9 a menstrua\u00e7\u00e3o dif\u00edcil, geralmente acompanhada de dor. Esta defini\u00e7\u00e3o inclui o conjunto de sintomas respons\u00e1veis por manifesta\u00e7\u00f5es de desconforto, que ocorrem dias antes da menstrua\u00e7\u00e3o, caracterizando a tens\u00e3o pr\u00e9-menstrual.<!--more--><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sabe-se que a menstrua\u00e7\u00e3o dolorosa acompanha os ciclos ovulat\u00f3rios, sendo a dismenorr\u00e9ia denominada doen\u00e7a ovulat\u00f3ria. Assim, a dismenorr\u00e9ia, quase sempre se manifesta tardiamente, na adolesc\u00eancia, isto \u00e9, ap\u00f3s os trinta primeiros ciclos que, normalmente, s\u00e3o anovulat\u00f3rios. A tens\u00e3o pr\u00e9-menstrual n\u00e3o \u00e9 comum na adolesc\u00eancia; a mastod\u00ednia ocorre somente em alguns casos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Etiopatogenia<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As causas org\u00e2nicas da dismenorr\u00e9ia, na mulher adulta, s\u00e3o raras na adolesc\u00eancia. Seriam achados excepcionais na adolesc\u00eancia, o mioma de \u00fatero, as varizes p\u00e9lvicas, a endometriose e outras ginecopatias causadoras de dismenorr\u00e9ia. Algumas causas obstrutivas podem, no entanto, estar presentes, retendo o sangue menstrual. H\u00edmen imperfurado, septos vaginais transversos e atresia do canal cervical ocasionam criptomenorr\u00e9ia e a cada menstrua\u00e7\u00e3o oculta, a paciente refere dor em c\u00f3licas. Algumas teorias tem sido adotadas para explicar a dismenorr\u00e9ia funcional, que \u00e9 a forma mais comum na adolesc\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Espasmo vascular &#8211; haveria deficiente circula\u00e7\u00e3o sangu\u00ednea, determinando a dor construtiva. O espasmo vascular pode estar relacionado com a a\u00e7\u00e3o da noradrenalina que, liderada pelos neur\u00f4nios curtos do sistema nervoso aut\u00f4nomo, limitaria a a\u00e7\u00e3o dos estrog\u00eanios sobre \u00fatero.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Espasmo muscular &#8211; a contratibilidade incoordenada do miom\u00e9trio durante a menstrua\u00e7\u00e3o, seria respons\u00e1vel pela resposta dolorosa. Sabe-se que o \u00fatero se contrai mais energicamente no primeiro dia da menstrua\u00e7\u00e3o, quando as c\u00f3licas uterinas s\u00e3o, em geral, mais intensas. Atualmente h\u00e1 tend\u00eancia para atribu\u00edrem-se as prostaglandinas secretadas pelo endom\u00e9trio, certa responsabilidade pela dismenorr\u00e9ia. Acresce o fato de que, na adolesc\u00eancia, o \u00fatero \u00e9 freq\u00fcentemente hipopl\u00e1sico. Esta condi\u00e7\u00e3o seria o substrato anat\u00f4mico da contratibilidade alterada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fator hormonal &#8211; \u00e9 freq\u00fcente o achado cl\u00ednico de dismenorr\u00e9ia acompanhada de altera\u00e7\u00f5es do ritmo menstrual, em pacientes com \u00fatero hipopl\u00e1sico. O desequil\u00edbrio na secre\u00e7\u00e3o dos ester\u00f3ides sexuais (estrog\u00eanio e progesterona) talvez tenha reflexos na contratibilidade uterina, causando a dismenorr\u00e9ia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fator ps\u00edquico &#8211; a labilidade emocional, comum na adolesc\u00eancia, parece baixar o limiar de percep\u00e7\u00e3o da dor, tornando as pacientes mais sens\u00edveis ao est\u00edmulo doloroso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Proped\u00eautica<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A avalia\u00e7\u00e3o do psiquismo pode ser feita, nos seus aspectos fundamentais, durante a anamnese. O exame f\u00edsico geral e o exame ginecol\u00f3gico permitem determinar eventual causa org\u00e2nica da dismenorr\u00e9ia. Colpocitologia hormonal dever\u00e1 ser utilizada para avalia\u00e7\u00e3o do n\u00edvel dos ester\u00f3ides sexuais. O eletroencefalograma fornece informa\u00e7\u00f5es sobre eventual concomit\u00e2ncia de disritmia cerebral e dismenorr\u00e9ia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Tratamento<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O tratamento da dismenorr\u00e9ia deve ser encarado sob dois aspectos: medidas a serem tomadas durante a crise de dor e outras, em seq\u00fc\u00eancia, visando a impedir o retorno da sintomatologia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante a crise dolorosa, a terap\u00eautica se resume em administrar medicamentos antiespasm\u00f3dicos e sedativos. Recomenda-se repouso, reclamada pelo pr\u00f3prio estado da paciente. Bolsa de \u00e1gua quente sobre o hipog\u00e1strio alivia a dor, pois determina aumento da vasculariza\u00e7\u00e3o p\u00e9lvica. Em casos de excitabilidade nervosa acentuada, \u00e9 necess\u00e1ria a administra\u00e7\u00e3o de benzodiazep\u00ednicos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Passada a crise, programa-se tratamento subseq\u00fcente para evitar o reaparecimento do fen\u00f4meno doloroso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A terap\u00eautica da mastod\u00ednia ser\u00e1 apreciada no t\u00f3pico referente \u00e0 patologia mam\u00e1ria. O tratamento cir\u00fargico da dismenorr\u00e9ia, em termos da neurectomia pr\u00e9-sacra, parece fora de cogita\u00e7\u00e3o durante a adolesc\u00eancia. \u00c9 recurso extremo para tratamento da menstrua\u00e7\u00e3o dolorosa a ser aplicado quando se esgotarem as medidas de ordem cl\u00ednica, n\u00e3o cabendo em per\u00edodo no qual se completa o desenvolvimento do aparelho genital.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span class=\"content\">[<a href=\"javascript:history.go(-1)\">Voltar<\/a>]<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span class=\"content\"><br \/>\n<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dismenorr\u00e9ia \u00e9 a menstrua\u00e7\u00e3o dif\u00edcil, geralmente acompanhada de dor. 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