{"id":1749,"date":"2009-02-18T16:23:03","date_gmt":"2009-02-18T18:23:03","guid":{"rendered":"http:\/\/antonini.med.br\/blog\/?p=1749"},"modified":"2022-07-05T01:07:29","modified_gmt":"2022-07-05T01:07:29","slug":"tumores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonini.psc.br\/?p=1749","title":{"rendered":"Tumores"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Quase todos os tipos de tumores encontrados na mulher adulta podem ser observados em crian\u00e7as e em adolescentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fazem exce\u00e7\u00e3o o carcinoma do endom\u00e9trio e o carcinoma epiderm\u00f3ide da vagina, que n\u00e3o foram descritos em meninas. \u00d3rg\u00e3os genitais imaturos produzem tumores, em sua maioria de origem embrion\u00e1ria. Estes tumores s\u00e3o potencialmente graves, pois 50% deles s\u00e3o malignos, respondendo por 2% das mortes devidas a tumores malignos. C\u00e2ncer primitivo dos genitais \u00e9 neoplasia rara antes dos 16 anos, podendo, por\u00e9m, originar se no per\u00edodo pr\u00e9-natal. Tem sido relatadas, ainda, casos bem documentados de tumores da m\u00e3e, transmitidos ao feto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os sintomas e sinais dos tumores genitais em meninas, s\u00e3o semelhantes \u00e0queles observados em mulheres adultas, mas podem, \u00e0s vezes, alterar o desenvolvimento genital. No entanto, a raridade destas ginecopatias e a relut\u00e2ncia da paciente em submeter-se a exames, s\u00e3o fatores que retardam o diagn\u00f3stico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os tumores podem ser classificados de acordo com crit\u00e9rios topogr\u00e1fico e an\u00e1tomo-patol\u00f3gicos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">I &#8211; vulva e per\u00edneo:<br \/>\nI.1 &#8211; tumores c\u00edsticos<br \/>\n&#8211; cistos de reten\u00e7\u00e3o.<br \/>\n&#8211; cistos disontogen\u00e9ticos<br \/>\n&#8211; cistos traum\u00e1ticos<br \/>\nI.2 &#8211; tumores s\u00f3lidos<br \/>\n&#8211; fibromas<br \/>\n&#8211; lipomas<br \/>\n&#8211; neurofibromas<br \/>\n&#8211; Teratomas<br \/>\nI.3 &#8211; Hemangioma<br \/>\nI.4 &#8211; c\u00e2ncer<br \/>\n&#8211; carcinoma<br \/>\n&#8211; sarcoma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">II &#8211; vagina<br \/>\nII.1 &#8211; cistos mesonefricos<br \/>\nII.2 &#8211; sarcoma botr\u00f3ide<br \/>\nII.3 &#8211; adenocarcinoma de c\u00e9lulas claras<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">III &#8211; colodo \u00fatero<br \/>\n&#8211; carcinoma<br \/>\nIV &#8211; Corpo do \u00fatero<br \/>\n&#8211; mioma<br \/>\nV &#8211; ov\u00e1rios (classifica\u00e7\u00e3o de Bastos, 1971)<br \/>\nV.1 &#8211; Tumores benignos<br \/>\n&#8211; epiteliais<br \/>\n&#8211; cistoadenoma seroso<br \/>\n&#8211; cistademona mucoso<br \/>\n&#8211; conjuntivos<br \/>\n&#8211; fibromas<br \/>\n&#8211; tumor de Brenner<br \/>\n&#8211; misto<br \/>\n&#8211; teratoma adulto<br \/>\nV.2 &#8211; tumores malignos<br \/>\n&#8211; epiteliais<br \/>\n&#8211; ca prim\u00e1rio s\u00f3lido<br \/>\n&#8211; ca secund\u00e1rio<br \/>\n&#8211; cistoadenocarcinoma seroso<br \/>\n&#8211; cistoadenocarcinoma papil\u00edfero<br \/>\n&#8211; ca metast\u00e1tico<br \/>\n&#8211; do aparelho digestivo<br \/>\n&#8211; da mama<br \/>\n&#8211; da placenta<br \/>\n&#8211; do corpo do \u00fatero<br \/>\n&#8211; mesonefroma<br \/>\n&#8211; corioepitelioma ect\u00f3pico.<br \/>\n&#8211; conjuntivos<br \/>\n&#8211; sarcoma<br \/>\n&#8211; mistos<br \/>\n&#8211; teratoma embron\u00e1rio<br \/>\nV.3 &#8211; tumores eventualmente malignos<br \/>\n&#8211; de a\u00e7\u00e3o hormonal<br \/>\n&#8211; tumor de teca-granulosa<br \/>\n&#8211; arrenoblastoma<br \/>\n&#8211; estruma<br \/>\n&#8211; sem a\u00e7\u00e3o hormonal<br \/>\n-disgerminoma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Abordaremos, a seguir, as caracter\u00edsticas mais importantes dos diversos tipos de tumores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>I &#8211; vulva e per\u00edneo<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">I.1 &#8211; os cistos de reten\u00e7\u00e3o podem ocorrer devido \u00e0 obstru\u00e7\u00f5es dos condutos das gl\u00e2ndulas seb\u00e1ceas, sudor\u00edparas, mucosas, de Bartholin e de Skene. este \u00faltimo encontra-se, com mais frequ\u00eancia, na inf\u00e2ncia na adolesc\u00eancia. Localiza-se logo atr\u00e1s do meato uretral externo, apresentando-se como pequena massa c\u00edstica, arredondada, pouco m\u00f3vel, que faz sali\u00eancia no vest\u00edbulo; constitui, portanto, cisto parauretral ou de Skene.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O cistos disontogen\u00e9ticos se originam do epit\u00e9lio m\u00fcllerianos ( parameson\u00e9fricos), do conduto de Wolf (meson\u00e9frico ou de Gartner) e do conduto de Nuck (mesotelial). Os cistos originados do epit\u00e9lio de M\u00fcller s\u00e3o as mais frequentes e localizam-se nas imedia\u00e7\u00f5es do clit\u00f3ris, dos pequenos l\u00e1bios, ou do ter\u00e7o superior da vulva. S\u00e3o pequenos, alcan\u00e7ando, em m\u00e9dia, 4 cm de di\u00e2metro, mas podem chegar at\u00e9 10 cm. S\u00e3o uniloculares ou multiloculares, \u00fanicos ou m\u00faltiplos, uni ou bilaterais e, \u00e0s vezes, apresentou-se pediculados; seu conte\u00fado \u00e9 mucoso. Os cistos de Wolff s\u00e3o mais raros, pois o ducto meson\u00e9frico n\u00e3o chega abaixo do limite h\u00edmen. Os textos do conduto de Nuck, ou hidrocele, formam-se por obstru\u00e7\u00e3o do colo da h\u00e9rnia inguinal, na altura do anel. Seu conte\u00fado \u00e9 um l\u00edquido seroso e claro. A forma\u00e7\u00e3o c\u00edstica situa-se na base de implanta\u00e7\u00e3o do livramento redondo, na por\u00e7\u00e3o externa dos grandes l\u00e1bios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O cistos traum\u00e1ticos formam-se, como o nome indica, em conseq\u00fc\u00eancia de traumatismos na regi\u00e3o vulvar. Embora n\u00e3o sendo neoplasias verdadeiras, apresentam aspecto tumoral. Localizam se, mais frequentemente, no ter\u00e7o m\u00e9dio e inferior da vulva.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">I.2 &#8211; dos tumores s\u00f3lidos, os fibrosos s\u00e3o os mais frequentemente encontrados na vulva. Origina-se do tecido conjuntivo, no ponto de inser\u00e7\u00e3o do ligamento redondo. Por isto, s\u00e3o ocasionalmente encontrados elementos musculares (fibromioma) devido \u00e0 perturba\u00e7\u00f5es tr\u00f3ficas, edema e reduzido n\u00famero de c\u00e9lulas. Comumente se localizam no ter\u00e7o superior dos grandes l\u00e1bios. Apresentam tamanho vari\u00e1vel, podendo crescer rapidamente, tornando-se pediculados. Sua transforma\u00e7\u00e3o sarcomatosa \u00e9 rara.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large\" src=\"\/img\/514.jpg\" width=\"560\" height=\"367\" \/>Tumor s\u00f3lido (pedunculado) da vulva em crian\u00e7a de 7 anos<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os lipomas s\u00e3o tumores raros que se originam do tecido gorduroso e apresentam crescimento lento. Os neurofibromas s\u00e3o ainda mais raros, e os teratomas, que foram relatados, inclusive em rec\u00e9m-nascidas, desenvolvem se preferencialmente no per\u00edneo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">I.3 &#8211; Os hemangiomas origina-se do desenvolvimento an\u00f4malo dos vasos sangu\u00edneos da pele e do tecido subcut\u00e2neo .<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large\" src=\"\/img\/515.jpg\" width=\"560\" height=\"370\" \/>Hemangioma da vulva em crian\u00e7a de 3 anos<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os hemangiomas capilares regridem com o tempo, mas os cavernosos permanecem podem romper-se, causando hemorragia profusa. Os hemangiomas tamb\u00e9m n\u00e3o s\u00e3o neoplasias verdadeiras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">I.4 &#8211; c\u00e2ncer de vulva \u00e9 um dos tumores mais raros na inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia. Encontro se descritos casos de carcinoma de c\u00e9lulas escamosas, adenocarcinoma e sarcoma, todos de alta malignidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">II &#8211; vagina<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">II.1 &#8211; o cistos meson\u00e9fricos podem adquirir grande volume, fazendo sali\u00eancia atrav\u00e9s do orif\u00edcio himenal; tem parede transparente, mostrando conte\u00fado claro e transl\u00facido.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">II. 2 &#8211; o sarcoma botr\u00f3ide, tamb\u00e9m chamado rabdomiossarcoma polip\u00f3ide \u00e9 a mais frequente neoplasia maligna da vagina e meninas pr\u00e9-men\u00e1rquicas. Seus primeiros sintomas s\u00e3o: leucorr\u00e9ia e hemorragia vaginal; em seguida, atrav\u00e9s do h\u00edmen, ocorre protus\u00e3o de massas polip\u00f3ide, fri\u00e1vel e edemaciada. Posteriormente, distende a vagina e, se a paciente n\u00e3o \u00e9 tratada, produz grandes massas abdominais e met\u00e1stases extrap\u00e9lvicas. Inicia seu desenvolvimento a partir do mes\u00eanquima embrion\u00e1rio n\u00e3o diferenciado da bainha vaginal subepitelial, e tem origem multic\u00eantrica. A mucosa vaginal intacta \u00e9 projetada para fora \u00e0 medida que o tumor cresce, formando m\u00faltiplas lobula\u00e7\u00f5es semelhante a cacho de uvas. A necrose e a ulcera\u00e7\u00e3o destas d\u00edgita\u00e7\u00f5es respondem pelos sintomas: corrimento e sangramento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">III &#8211; colo do \u00fatero<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os tumores cervicais benignos s\u00e3o muito raros antes dos 16 anos. Os tumores malignos tamb\u00e9m o s\u00e3o e, quando surgem, s\u00e3o representados pelo adenocarcinoma. N\u00e3o se trata, em geral, de adenocarcinoma verdadeiro, mas originado de restos meson\u00e9fricos. Os primeiros sintomas, corrimento aquoso ou purulento e hemorragia genital, ocorrem durante muito tempo antes de se chegar a diagn\u00f3stico definitivo. O adenocarcinoma invade os tecidos p\u00e9lvicos vizinhos ao colo e, posteriormente, os linf\u00e1ticos p\u00e9lvicos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">IV &#8211; corpo do \u00fatero<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Constitu\u00eda achado excepcional os tumores de corpo de \u00fatero e meninas. S\u00e3o referidos alguns casos de mioma, no per\u00edodo final da adolesc\u00eancia, e de adenocarcinoma, este \u00faltimo de origem meson\u00e9frica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">V &#8211; ov\u00e1rios<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A maior parte das neoplasia genitais, em crian\u00e7as e em adolescentes localiza-se nos ov\u00e1rios. Cerca de 30% correspondem a teratomas benignos e 30% a tumores malignos de v\u00e1rios tipos. Cistos n\u00e3o neopl\u00e1sicos, de natureza funcional, podem ser encontrados frequentemente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">V.1 &#8211; benignos: os tumores epiteliais correspondem a 10% das neoplasias ovarianas na inf\u00e2ncia e na adolesc\u00eancia. Os cistoadenomas serosos s\u00e3o mais frequentes que os mucinosos. Ambos podem atingir grande volume.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large\" src=\"\/img\/516.jpg\" width=\"560\" height=\"371\" \/>Cistoadenoma seroso do ov\u00e1rio em adolescente de 15 anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large\" src=\"\/img\/517.jpg\" width=\"560\" height=\"371\" \/>\u00c1rea de abaulamento abdominal causado pelo tumor da figura anterior<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large\" src=\"\/img\/518.jpg\" width=\"560\" height=\"373\" \/>Tumor de ov\u00e1rio em rec\u00e9m-nata<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large\" src=\"\/img\/519.jpg\" width=\"560\" height=\"352\" \/>Teratoma adulto em adolescente de 16 anos<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large\" src=\"\/img\/520.jpg\" width=\"560\" height=\"365\" \/>Teratoma embrion\u00e1rio em adolescente de 14 anos<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large\" src=\"\/img\/521.jpg\" width=\"560\" height=\"375\" \/>Teratoma embrion\u00e1rio. Aspecto interno do tumor da figura anterior<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large\" src=\"\/img\/522.jpg\" width=\"560\" height=\"379\" \/>Abaulamento causado pelo tumor da figura anterior<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O tumor de Brenner e o fibroma s\u00e3o predominantemente s\u00f3lidos. Quando se acompanham ascite e de hidrot\u00f3rax, constituem a s\u00edndrome de Meigs.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cerca de 30% das neoplasias do ov\u00e1rio s\u00e3o teratomas adultos, tamb\u00e9m denominados cistos derm\u00f3ides (figura 41). As tr\u00eas capas blastod\u00e9rmicas integram estes tumores que, em geral, s\u00e3o unilaterais, c\u00edsticos e cont\u00e9m ossos, dentes, pelos, gordura e secre\u00e7\u00e3o seb\u00e1cea. Em cerca de 1% dos casos pode sofrer transforma\u00e7\u00e3o maligna, a partir de um dos seus elementos epiteliais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">V.2 &#8211; malignos: correspondem a 30% dos tumores do ov\u00e1rio. O carcinoma s\u00f3lido \u00e9 raro. O cistoadenocarcinoma seroso papil\u00edfero \u00e9 mais frequente, sendo geralmente bilateral e dotado de grande malignidade. O cistoadenocarcinoma mucinoso \u00e9 menos maligno que o anterior e apresenta crescimento mais lento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O corioepitelioma ect\u00f3pico origina-se primariamente no ov\u00e1rio, a partir de um crescimento teratomatoso, no qual predomina o tecido cori\u00f4nico. Manifesta-se precocemente por produzir o gonadotrofina, determinando puberdade precoce e dist\u00farbios menstruais em adolescentes. S\u00e3o dotados de alta malignidade, comportando-se da mesma maneira que o corioepitelioma originado da placenta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O sarcoma de ov\u00e1rio muito raro qualquer grupo et\u00e1rio. No entanto, pode ocorrer mais frequentemente em crian\u00e7as do quem adultos. \u00c9 s\u00f3lido, lobulado e de consist\u00eancia el\u00e1stica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O teratoma embrion\u00e1rio \u00e9 predominantemente s\u00f3lido, apresentando \u00e1reas c\u00edsticas. No seu interior, encontra-se massa fri\u00e1vel com \u00e1reas de hemorragia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na maioria dos casos, origina-se diretamente de elementos teratomatosos. Pode, tamb\u00e9m, decorrer da transforma\u00e7\u00e3o maligna de um dos elementos integrantes do teratoma c\u00edstico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">V.3 &#8211; Eventualmente malignos: em meninas, os tumores das c\u00e9lulas da granulosa determina o aparecimento da puberdade precoce isossexual, caracterizado por telarca, pubarca e hemorragia genital. Em adolescentes, ocasionam perturba\u00e7\u00e3o do ritmo menstrual, traduzida por hipermenorragia ou por metrorragia. Os tecomas s\u00e3o raros na inf\u00e2ncia e na adolesc\u00eancia. O quadro cl\u00ednico referidos se deve \u00e0 produ\u00e7\u00e3o intensa de estrog\u00eanios por parte daqueles tumores funcionantes do ov\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O arrenoblastoma secreta androg\u00eanios, sendo respons\u00e1vel por quadros cl\u00ednicos de viriliza\u00e7\u00e3o. Quando ocorre na inf\u00e2ncia pode determinar a pubarca e o crescimento do clit\u00f3ris, caracterizando a puberdade precoce heterossexual.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O estroma \u00e9 um tumor muito raro em qualquer grupo et\u00e1rio, e secrete horm\u00f4nio da tire\u00f3ide.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O disgerminoma origina-se das c\u00e9lulas embrion\u00e1rias indiferenciadas dos cord\u00f5es sexuais do par\u00eanquima ovariano. ocorrem mais frequentemente e jovens com disgenesia gonadal ou hermafroditismo. O grau de malignidade muito vari\u00e1vel, de um caso para outro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Diagn\u00f3stico<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">I &#8211; vulva e per\u00edneo<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os tumores localizados nesta regi\u00e3o s\u00e3o diagnosticados pelo exame ginecol\u00f3gico e pela bi\u00f3psia. A palpa\u00e7\u00e3o revela sua consist\u00eancia: c\u00edstica ou s\u00f3lida. Assim, um tumor c\u00edstico, sob a uretra, sugere cisto de reten\u00e7\u00e3o da gl\u00e2ndula de Skene ou parauretral. Os cistos no clit\u00f3ris, no h\u00edmen ou nos pequenos l\u00e1bios, s\u00e3o de origem mulleriana. O cisto de Nuck (hidrocele), situa-se na grande l\u00e1bio, na base de implanta\u00e7\u00e3o do ligamento redondo. O fibroma da vulva \u00e9 s\u00f3lido, localizando se preferencialmente no grande l\u00e1bio, no ter\u00e7o superior da vulva. O teratomas \u00e9 visto com mais frequ\u00eancia em rec\u00e9m-nascida, e localiza-se na linha m\u00e9dia. O hemangioma da vulva, ou de outras partes do corpo, tem aspecto semelhante. Os tumores malignos da vulva s\u00e3o raros, e seu diagn\u00f3stico definitivo \u00e9 feito pela bi\u00f3psia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">II &#8211; vagina<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os tumores c\u00edsticos da vagina, quando adquiriu determinado volume, fazem sali\u00eancia pelo orif\u00edcio himenal, sendo facilmente diagnosticados. A origem dos cistos (meson\u00e9frico ou parameson\u00e9frico) s\u00f3 pode ser definitivamente comprovada pelo exame histol\u00f3gico de suas paredes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O sarcoma botr\u00f3ide e o adenocarcinoma da vagina manifestam-se com fluxo vaginal sero-hemorr\u00e1gico. Esta sintomatologia, em meninas ou adolescentes, deve ser investigada por meio da colpovirgoscopia; havendo \u00e1reas suspeitas, imp\u00f5e-se a bi\u00f3psia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">III &#8211; colo do \u00fatero<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O adenocarcinoma manifesta-se clinicamente por leucorr\u00e9ia aquosa e sangramento vaginal. A colpovirgoscopia e a bi\u00f3psia das les\u00f5es comprovam o diagn\u00f3stico. Em fases avan\u00e7adas, o tumor em v\u00e1rios tecidos vizinhos e param\u00e9trios; nesta fase, o toque retal comprova infiltra\u00e7\u00e3o parametrial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">IV &#8211; corpo do \u00fatero<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os tumores desta regi\u00e3o s\u00e3o raros. O mioma pode ser encontrada em adolescentes, manifestando-se por hipermenorragia; o exame ginecol\u00f3gico revela \u00faero aumentado, com n\u00f3dulos de consist\u00eancia fibroel\u00e1stica, caracter\u00edstica deste tumor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">V &#8211; ov\u00e1rios<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As queixas de dores de tumor e de hipog\u00e1strio, s\u00e3o os sintomas mais frequentemente observados em neoplasias de ov\u00e1rio. Cerca de um ter\u00e7o dos tumores ov\u00e1ricos s\u00e3o diagnosticados por ocasi\u00e3o de acidentes como tor\u00e7\u00e3o, rotura e hemorragia intrac\u00edstica, que levam a paciente a quadro de abd\u00f4men agudo. Na maioria dos casos, a neoplasia ovariana diagnosticada pelo exame do abdome (figura 44) e pelo toque retal, pois quando determina sintomas, tem volume suficiente para ser percebida pela explora\u00e7\u00e3o f\u00edsica. Fazem exce\u00e7\u00e3o os tumores funcionantes que, produzindo v\u00e1rios tipos de transtornos end\u00f3crinos, exigem Proped\u00eautica apropriada para investigar poss\u00edvel causa ovariana. Nestas condi\u00e7\u00f5es, a Pneumopelvigrafia ou a laparoscopia revelam pequenos tumores ovarianos, n\u00e3o diagnosticados pelo exame f\u00edsico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tratamento<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">I &#8211; vulva e per\u00edneo<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os tumores benignos c\u00edsticos e s\u00f3lidos desta regi\u00e3o s\u00e3o tratados pela extirpa\u00e7\u00e3o simples. Quando se trata de Teratoma \u00e9 necess\u00e1rio retirar at\u00e9 a base do tumor, para evitar recidivas. Os hemangiomas capilares aumentam e diminuem espontaneamente, podendo desaparecer; se persistem, ser\u00e3o tratados pela eletr\u00f3lise ou por inje\u00e7\u00f5es esclerosantes. Os hemangiomas cavernosos podem ser tratados pela ex\u00e9rese simples, se forem pequenos. N\u00e3o se deve usar a radioterapia nos casos de hemangioma da vulva do per\u00edneo. Os tumores malignos s\u00e3o raros, por\u00e9m, se diagnosticados pela bi\u00f3psia, devem ser extirpadas por vulvectomia radical.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">II &#8211; vagina<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os tumores benignos s\u00e3o, geralmente, cistos que somente merecem ex\u00e9rese se tiverem grandes volumes. Os pequenos cistos n\u00e3o requerem tratamento. O sarcoma botr\u00f3ide, mesmo em fases precoces, deve ser tratado por cirurgia radical. hister\u00e9ctomia total ampliada e, at\u00e9 mesmo, exentera\u00e7\u00e3o p\u00e9lvica, tem sido empregados no tratamento desta neoplasia de alto potencial de malignidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">III &#8211; colo do \u00fatero<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O sarcoma cervical, quando diagnosticado precocemente, deve ser tratado pela a hister\u00e9ctomia, com retirada de manguito vaginal, tecido conjuntivo paravaginal e paracervical e linfonodos p\u00e9lvicos. Os ov\u00e1rios n\u00e3o comprometidos devem ser preservados. A radioterapia p\u00f3s-operat\u00f3ria poder\u00e1 ser realizada sempre que os ov\u00e1rios forem deslocados na pelve, durante cirurgia. Os tumores avan\u00e7ados requerem exentera\u00e7\u00e3o p\u00e9lvica. Abnt<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">IV &#8211; corpo do \u00fatero<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O mioma deve ser tratado pela ex\u00e9rese simples:miomectomia. Os tumores malignos s\u00e3o muito raros, sendo geralmente diagnosticados em fase tardia, quando a cirurgia \u00e9 in\u00fatil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">V &#8211; ov\u00e1rios<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em se tratando de neoplasia benigna, deve-se fazer ex\u00e9rese apenas do tumor, conservando tecido variando normal e a tuba. Quando ocorre um acidente, como tor\u00e7\u00e3o infec\u00e7\u00e3o, geralmente a tuba tamb\u00e9m est\u00e1 comprometida e a solu\u00e7\u00e3o que se imp\u00f5e, nesta eventualidade, e a anexectomia. Se o tumor \u00e9 maligno, encontra-se restrito a uma g\u00f4nada (estadio la), pode-se adotar, como tratamento definitivo, a ovariectomia unilateral. Quando este diagn\u00f3stico \u00e9 feito no ato cir\u00fargico, pela inspe\u00e7\u00e3o macrosc\u00f3pica, confirmada pela bi\u00f3psia de congela\u00e7\u00e3o, deve-se praticar a bisec\u00e7\u00e3o do ov\u00e1rio contralateral, \u00e0 procura de met\u00e1stase. Esta conduta conservadora, em caso de carcinoma limitado a um ov\u00e1rio \u00e9 admitida, em meninas, pelo papel importante que o ov\u00e1rio vai desempenhar no amadurecimento e futura vida reprodutora da paciente. Em fase mais avan\u00e7ada (estadio Ib em diante), os tumores malignos s\u00e3o tratados com uma mulher adulta: praticando se a hister\u00e9ctomia total, com anexectomia bilateral, seguida de quimioterapia ou radioterapia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No tratamento dos tumores malignos de ov\u00e1rio, deve-se levar em conta o crit\u00e9rio histol\u00f3gico da classifica\u00e7\u00e3o, dentro do qual se considera seu maior ou menor potencial de malignidade. Paralelamente este crit\u00e9rio, sabe-se que o cistoadenocarcinoma mucinoso apresenta boa resposta \u00e0 cirurgia, sendo pouco sens\u00edvel \u00e0 radioterapia ou \u00e0 quimioterapia. O cistoadenoma seroso papil\u00edfero responde bem \u00e0s quimioter\u00e1picos (trietilenotiofosforamina, mostarda fenilanina e ciclofoforamida), que devem ser administrados durante a opera\u00e7\u00e3o, por via intraperitonial endovenosa, e no p\u00f3s-operat\u00f3rio. O teratoma embrion\u00e1rio esse tumor de alta malignidade, e seu tratamento se constitui em grande problema para o ginecologista. Entendemos que a cirurgia radical, em termos de hister\u00e9ctomia e anexectomia bilateral, deve ser praticado seguindo-se a quimioterapia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os tumores eventualmente malignos requerem aten\u00e7\u00e3o especial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os tumores da c\u00e9lulas da granulosa comportam-se como malignos em 25% dos casos. Considerando-se a idade dos pacientes, \u00e9 absolutamente necess\u00e1rio analisar o achado cir\u00fargico antes de tomar decis\u00f5es a respeito da extens\u00e3o da cirurgia a ser praticada. Se o tumor encapsulado e compromete apenas uma das g\u00f4nadas, permanecendo livres os \u00f3rg\u00e3os e as estruturas vizinhas, basta a anexectomia unilateral. No tratamento desses tumores, numerosos casos de conduta conservadora tem sido descritos, com bons resultados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conduta semelhante a cab\u00edvel frente a carcinoma da adrenal que, embora n\u00e3o perten\u00e7a ao aparelho genital, determina puberdade precoce \u00e9 heterossexual quando aparece crian\u00e7as.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leia mais sobre tumores:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li><a title=\"Obesidade aumenta risco de c\u00e2ncer de ov\u00e1rio, diz estudo\" href=\"?p=7809\">Obesidade aumenta risco de c\u00e2ncer de ov\u00e1rio, diz estudo<\/a><\/li>\n<li><a href=\"?p=10591\" target=\"_self\" rel=\"noopener\">Ov\u00e1rios polic\u00edsticos podem ser causa de outras doen\u00e7as<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: center;\">[<a href=\"javascript:history.go(-1)\">Voltar<\/a>]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quase todos os tipos de tumores encontrados na mulher adulta podem ser observados em crian\u00e7as e em adolescentes. Fazem exce\u00e7\u00e3o o carcinoma do endom\u00e9trio e o carcinoma epiderm\u00f3ide da vagina, que n\u00e3o foram descritos em meninas. \u00d3rg\u00e3os genitais imaturos produzem &hellip; <a href=\"https:\/\/antonini.psc.br\/?p=1749\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[18],"tags":[],"class_list":["post-1749","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-ginecologia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1749","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=1749"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1749\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":31284,"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/1749\/revisions\/31284"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=1749"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=1749"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=1749"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}