{"id":1799,"date":"2009-02-19T11:21:51","date_gmt":"2009-02-19T11:21:51","guid":{"rendered":"http:\/\/antonini.med.br\/blog\/?p=1799"},"modified":"2022-02-15T03:29:37","modified_gmt":"2022-02-15T03:29:37","slug":"creatinina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonini.psc.br\/?p=1799","title":{"rendered":"Creatinina"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: justify;\">\n<p><span class=\"content\">1. FORMA\u00c7\u00c3O E CIRCULA\u00c7\u00c3O DESSAS MOL\u00c9CULAS<\/span><\/p>\n<p><span class=\"content\">A creatina \u00e9 o \u00e1cido metil-guanidina ac\u00e9tico. Ela \u00e9 fabricada no f\u00edgado a partir do amino\u00e1cido glicocola, da arginina e de um doador de metila como a S-adenosil-metionina.<\/span><span class=\"content\"><!--more--><\/span><\/p>\n<p>Ela atinge o m\u00fasculo trafegando por via sang\u00fc\u00ednea. Sua taxa \u00e9 mais elevada na mulher do que no homem porque a quantidade sintetizada pelo f\u00edgado \u00e9 a mesma nos dois sexos, mas a massa muscular total \u00e9 menor na mulher de sorte que a creatina \u00e9 menos captada pelos m\u00fasculos.<\/p>\n<p>A elimina\u00e7\u00e3o renal de creatina \u00e9 muito baixa no homem, um pouco mais elevada na mulher. Existe uma reabsor\u00e7\u00e3o tubular quase total que permite ao organismo conservar sua creatina.<\/p>\n<p>Tendo chegado \u00e0s c\u00e9lulas musculares, a creatina fixa fosfato a partir do ATP e se transforma assim em fosfocreatina (fosfag\u00eanio) que \u00e9 uma forma de reserva de energia qu\u00edmica imediatamente utiliz\u00e1vel pela contra\u00e7\u00e3o muscular.<\/p>\n<p>Uma pequena fra\u00e7\u00e3o desse fosfag\u00eanio (constante para uma mesma massa muscular) se cicliza no curso das rea\u00e7\u00f5es de troca de energia, perdendo seu fosfato, e d\u00e1 origem \u00e0 creatinina, a qual n\u00e3o \u00e9 utiliz\u00e1vel pelo m\u00fasculo.<\/p>\n<p>2. METABOLISMO DA CREATINA<\/p>\n<p>A creatina encontra-se no m\u00fasculo, c\u00e9rebro e sangue, tanto em estado livre como em forma de fosfocreatina. Tra\u00e7os de creatina est\u00e3o tamb\u00e9m presentes na urina. A creatinina \u00e9 o anidrido. Ela \u00e9 intensamente formada no m\u00fasculo pela remo\u00e7\u00e3o irrevers\u00edvel e n\u00e3o enzim\u00e1tica de \u00e1gua do fosfato de creatina. A creatina livre ocorre tanto no sangue como na urina. A forma\u00e7\u00e3o da creatinina \u00e9 aparentemente um passo preliminar necess\u00e1rio \u00e0 excre\u00e7\u00e3o da maior parte da urina.<\/p>\n<p>A origem da creatina foi estabelecida por estudos metab\u00f3licos e confirmadas por t\u00e9cnicas de is\u00f3topos. Tr\u00eas amino\u00e1cidos &#8211; glicina, arginina e metionina &#8211; est\u00e3o diretamente envolvidos. A primeira rea\u00e7\u00e3o \u00e9 aquela de transamidina\u00e7\u00e3o da arginina para a glicina, para formar o \u00e1cido guanidoac\u00e9tico (glicociamina). Experimentos feitos in vitro demonstraram que isto ocorre no rim, mas n\u00e3o no f\u00edgado nem no m\u00fasculo card\u00edaco. A s\u00edntese de creatina \u00e9 completada pela metila\u00e7\u00e3o da glicociamina no f\u00edgado. Nesta rea\u00e7\u00e3o, metionina &#8220;ativa&#8221; \u00e9 o doador de metila. Outros doadores de metil, tais como beta\u00edna, ou colina depois da oxida\u00e7\u00e3o para beta\u00edna, podem servir tamb\u00e9m indiretamente para a produ\u00e7\u00e3o de metionina atrav\u00e9s da metila\u00e7\u00e3o da homociste\u00edna. A metila\u00e7\u00e3o da glicociamina n\u00e3o \u00e9 revers\u00edvel. Nem a creatina nem a creatinina podem metilar a homociste\u00edna para metionina: s\u00e3o necess\u00e1rios ATP e oxig\u00eanio na metila\u00e7\u00e3o da creatina.<\/p>\n<p>Os mecanismos enzim\u00e1ticos de metila\u00e7\u00e3o da glicociamina, para formar creatina s\u00e3o semelhantes aos requeridos para a forma\u00e7\u00e3o da N-metil-nicotinamida. O primeiro passo \u00e9 a forma\u00e7\u00e3o de metionina ativa (S-adenosilmetionina), que requer ATP, \u00edons magn\u00e9sio e glutation e uma enzima ativadora da metionina. O segundo passo envolve a metila\u00e7\u00e3o do \u00e1cido guanidoac\u00e9tico pela metionina ativa, rea\u00e7\u00e3o catalisada por uma enzima sol\u00favel, guanidoacetato-metiltransferase, encontrada em extratos de c\u00e9lulas livres de f\u00edgado de cobaia, coelho e bovinos. O glutation ou outras subst\u00e2ncias redutoras s\u00e3o necess\u00e1rias para a atividade ideal desta enzima; n\u00e3o h\u00e1 at\u00e9 agora evid\u00eancia de que \u00edons met\u00e1licos ou outros co-fatores sejam necess\u00e1rios.<\/p>\n<p>At\u00e9 recentemente, julgava-se que a \u00fanica sede da enzima transaminadora em mam\u00edferos fosse o rim. H\u00e1 atualmente evid\u00eancias de que ratos nefrectomizados bilateralmente podem ainda sintetizar creatina. Isto \u00e9 interpretado como uma prova de exist\u00eancia de uma sede ou sedes extra-renais de transamidina\u00e7\u00e3o neste animal.<\/p>\n<p>Uma prepara\u00e7\u00e3o enzim\u00e1tica isolada no tecido pancre\u00e1tico do boi e do c\u00e3o, foi capaz de catalizar a s\u00edntese de creatina a partir de glicociamina e da S-adenosilmetionina. Descobriu-se tamb\u00e9m que o p\u00e2ncreas (ao contr\u00e1rio do f\u00edgado) pode sintetizar glicociamina. Essas observa\u00e7\u00f5es sugerem que o p\u00e2ncreas pode ter um papel particular na s\u00edntese de creatina nos mam\u00edferos.<\/p>\n<p>O fen\u00f4meno de retroa\u00e7\u00e3o (retro-alimenta\u00e7\u00e3o) . Ele \u00e9 bem demonstrado pelo efeito da creatina alimentar, na bioss\u00edntese de creatina. Em ratos cujo suprimento diet\u00e9tico continha 3% de creatina, a atividade da transamidinase no rim foi acentuadamente menor que nos animais de controle. Gerber e outros estudaram a taxa de s\u00edntese de creatina a partir de glicociamina em f\u00edgado isolado perfundido de rato, na presen\u00e7a de precursores de creatina, em n\u00edveis encontrados normalmente no sangue e na presen\u00e7a de altas concentra\u00e7\u00f5es de precursores (metionina e glicociamina) adicionados ao l\u00edquido perfusor. Quando a concentra\u00e7\u00e3o de glicociamina no sangue caiu de 0,4 para 0,2 mg\/dl a taxa de s\u00edntese da creatina diminui; aumentando a concentra\u00e7\u00e3o de glicociamina at\u00e9 n\u00edveis de 2,0 mg\/dl, juntamente com metionina, a s\u00edntese de creatina n\u00e3o se alterou significadamente. Creatina introduzida na alimenta\u00e7\u00e3o, ou alto n\u00edvel de creatina no f\u00edgado. Entretanto, o fato de que a s\u00edntese hep\u00e1tica da creatina esteja ligada aos n\u00edveis de glicociamina no sangue &#8211; e de que este composto seja produzido no rim &#8211; sugere que a taxa de bioss\u00edntese da creatina seja realmente dependente da atividade desta enzima seja afetada pela creatina, aparentemente por um mecanismo de retroa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>O hipertiroidismo \u00e9 um dos males que se caracterizam por perturba\u00e7\u00f5es no metabolismo da creatina. Conseq\u00fcentemente, \u00e9 de se notar que o hipertiroidismo esteja tamb\u00e9m associado a uma atividade reduzida da transamidinase no rim. Pode ser que o efeito do hipertiroidismo na transamidinas do rim seja realmente mediado pelos n\u00edveis elevados de creatina no sangue que ocorrem nesta doen\u00e7a, agindo a creatina como um repressor enzim\u00e1tico.<\/p>\n<p>3. DOSAGEM DE CREATINA<\/p>\n<p>Tal dosagem \u00e9 feita no soro. A creatina \u00e9 ciclizada por aquecimento a 100% durante uma noite, o que d\u00e1 creatinina, dos\u00e1vel pela rea\u00e7\u00e3o de Jaff\u00e9. Este m\u00e9todo \u00e9 longo e pouco preciso (resultado no segundo dia consecutivo ao do pedido de dosagem).<\/p>\n<p>4. VALORES FISIOL\u00d3GICOS<\/p>\n<p>Creatina no soro:<\/p>\n<p>No homem: 10 a 40 micromols\/L;<\/p>\n<p>Na mulher: 20 a 160 micromols\/L.<\/p>\n<p>Creatina na urina:<\/p>\n<p>1,3 micromol por 24 h (150 mg\/24h)<\/p>\n<p>5. VALOR SEMIOL\u00d3GICO E INDICA\u00c7\u00d5ES<\/p>\n<p>Sempre que uma dada doen\u00e7a provoca uma diminui\u00e7\u00e3o da massa  muscular, a creatinemia aumenta e a creatina aparece na urina.<\/p>\n<p>Por exemplo, nas doen\u00e7as infecciosas severas em que o desgaste muscular \u00e9 provocado pelo hipercatabolismo, a creatimenia se eleva e a creatun\u00faria aparece.<\/p>\n<p>Mais interessantes s\u00e3o as doen\u00e7as musculares como a miodistrofias progressivas (ou miopatias) cujo tipo \u00e9 a doen\u00e7a de Duchenne de Boulogne (doen\u00e7a gen\u00e9tica). Neste caso, a taxa de creatina plasm\u00e1tica est\u00e1 elevada e a rela\u00e7\u00e3o creatina\/creatinina se eleva com a idade. H\u00e1 tamb\u00e9m uma forte creatun\u00faria e uma modifica\u00e7\u00e3o de reparti\u00e7\u00e3o das isoenzimas de creatina-fosfoquinase no soro.<\/p>\n<p>A eleva\u00e7\u00e3o da creatun\u00faria \u00e9, com o aumento de atividade de enzimas s\u00e9ricas como a creatina-fosfoquinase ou aldolase, o marcador das afec\u00e7\u00f5es miog\u00eanicas (degenerativas ou inflamat\u00f3rias, por oposi\u00e7\u00e3o \u00e0s amiotrofias neurog\u00eanicas, nas quais esees par\u00e2metros s\u00e3o constantemente normais.<\/p>\n<p>REFER\u00caNCIAS BIBLIOGR\u00c1FICAS<\/p>\n<p>BOREL J, Chanard J. Como prescrever e interpretar um exame laboratorial. Bioqu\u00edmica M\u00e9dica. 2. ed. Organiza\u00e7\u00e3o Andrei Editora, 1987.<\/p>\n<p>HARPER, Harol Antony. Manual de qu\u00edmica fisiol\u00f3gica. S\u00e3o Paulo: Atheneu, 4. ed., 1977.<\/p>\n<p>LEHNINGER, Albert. Bioqu\u00edmica  v. 3.  Tradu\u00e7\u00e3o da 2. ed. americana, 1976.<\/p>\n<p>MITCHELL, Plilip. Bioqu\u00edmica. Salvat Editores S.A.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">VIEIRA,  Enio Cardillo . Qu\u00edmica fisiol\u00f3gica. Rio de Janeiro: Atheneu, 1979.<\/p>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span class=\"content\"> <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><span class=\"content\">Copyright \u00a9 por Vladimir Antonini Todos os direitos reservados.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><span class=\"content\">[<a href=\"javascript:history.go(-1)\">Voltar<\/a>]<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. FORMA\u00c7\u00c3O E CIRCULA\u00c7\u00c3O DESSAS MOL\u00c9CULAS A creatina \u00e9 o \u00e1cido metil-guanidina ac\u00e9tico. 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