{"id":1812,"date":"2009-02-19T11:44:48","date_gmt":"2009-02-19T13:44:48","guid":{"rendered":"http:\/\/antonini.med.br\/blog\/?p=1812"},"modified":"2022-02-15T03:29:37","modified_gmt":"2022-02-15T03:29:37","slug":"dever-etico-dos-profissionais-da-saude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonini.psc.br\/?p=1812","title":{"rendered":"Dever \u00e9tico dos profissionais da sa\u00fade"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span class=\"content\">Ao contr\u00e1rio do que se poderia imaginar, quando um f\u00e1rmaco novo \u00e9 introduzido no mercado, disp\u00f5e-se, de maneira geral, apenas de dados suficientes para assegurar que sua margem de seguran\u00e7a \u00e9 &#8220;aceit\u00e1vel&#8221; e, segundo Laporte e cols., neste momento pouco ainda se conhece sobre seus efeitos no organismo. Isto ocorre porque os ensaios cl\u00ednicos aos quais os f\u00e1rmacos s\u00e3o submetidos antes de entrarem no mercado s\u00e3o limitados, n\u00e3o sendo capazes de detectar, por exemplo, rea\u00e7\u00f5es adversas raras ou associadas ao uso prolongado.Quando um novo f\u00e1rmaco chega \u00e0s prateleiras das farm\u00e1cias, todo o conhecimento que se tem a seu respeito at\u00e9 ent\u00e3o foi extra\u00eddo dos estudos pr\u00e9-comercializa\u00e7\u00e3o. Nesses estudos, inicialmente avalia-se a toxicidade da nova mol\u00e9cula em animais de laborat\u00f3rio (estudos ou ensaios pr\u00e9-cl\u00ednicos) e, caso a toxicidade n\u00e3o seja inaceit\u00e1vel, s\u00e3o realizados estudos em humanos (estudos ou ensaios cl\u00ednicos) para investiga\u00e7\u00e3o de aspectos relacionados com a farmacocin\u00e9tica, a efic\u00e1cia e a toxicidade. Mesmo com a realiza\u00e7\u00e3o desses ensaios, os dados obtidos s\u00e3o ainda considerados limitados, j\u00e1 que existem diferen\u00e7as importantes entre as condi\u00e7\u00f5es de uso do f\u00e1rmaco nos estudos cl\u00ednicos e na pr\u00e1tica cl\u00ednica habitual.<!--more--><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante os estudos pr\u00e9-comercializa\u00e7\u00e3o, um n\u00famero restrito de pacientes \u00e9 utilizado (raramente chega a cada dos milhares), a dura\u00e7\u00e3o do uso \u00e9 relativamente curta (de dias a semanas), geralmente evitam-se outros tratamentos concomitantes e excluem-se pacientes com contra-indica\u00e7\u00f5es potenciais como gestantes, crian\u00e7as e idosos. Al\u00e9m disso, os pacientes s\u00e3o acompanhados de perto por profissionais da \u00e1rea de sa\u00fade e recebem informa\u00e7\u00f5es sobre o tratamento. J\u00e1 quando o f\u00e1rmaco chega ao mercado, seu uso pode atingir dezenas de milhares de pessoas (inclusive gestantes, crian\u00e7as e idosos), os tratamentos \u00e0s vezes duram anos, os pacientes usam outros f\u00e1rmacos simultaneamente e o seguimento \u00e9 menos rigoroso. No que se refere \u00e0 toxicidade, estas diferen\u00e7as condicionam limita\u00e7\u00f5es no conhecimento de intera\u00e7\u00f5es potenciais, efeitos derivados do uso cr\u00f4nico e das conseq\u00fc\u00eancias do uso do f\u00e1rmaco em uma popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o selecionada. Al\u00e9m disso, os efeitos indesej\u00e1veis, especialmente os graves, s\u00e3o tamb\u00e9m raros (freq\u00fc\u00eancia entre 0.1 e 0,01%) ou muito raros (&lt; 0,01%), podendo n\u00e3o serem identificados durante os estudos pr\u00e9-comercializa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entende-se hoje, portanto, que o monitoramento da seguran\u00e7a dos f\u00e1rmacos n\u00e3o se encerra quando o produto chega ao mercado, mas sim que neste ponto \u00e9 iniciada uma nova fase, chamada de vigil\u00e2ncia p\u00f3s-comercializa\u00e7\u00e3o, estudos de fase IV ou farmacovigil\u00e2ncia. Este acompanhamento das informa\u00e7\u00f5es sobre seguran\u00e7a pode conduzir a melhorias e mudan\u00e7as mais r\u00e1pidas nas informa\u00e7\u00f5es de registro (por exemplo, altera\u00e7\u00f5es na bula) ou, at\u00e9 mesmo, \u00e0 retirada do produto do mercado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-full wp-image-18029\" alt=\"talidomida\" src=\"http:\/\/antonini.med.br\/home\/wp-content\/uploads\/2009\/02\/talidomida.jpg\" width=\"305\" height=\"439\" srcset=\"https:\/\/antonini.psc.br\/wp-content\/uploads\/2009\/02\/talidomida.jpg 305w, https:\/\/antonini.psc.br\/wp-content\/uploads\/2009\/02\/talidomida-208x300.jpg 208w\" sizes=\"auto, (max-width: 305px) 100vw, 305px\" \/>Em 1961, milhares de crian\u00e7as nasceram com malforma\u00e7\u00f5es de membros como conseq\u00fc\u00eancia do uso do antiem\u00e9tico talidomida por suas m\u00e3es durante a gravidez. Ap\u00f3s esta trag\u00e9dia as autoridades governamentais adotaram uma nova postura diante do risco de produtos farmacol\u00f3gicos, o que culminou posteriormente com a implanta\u00e7\u00e3o do Programa Mundial de Monitoriza\u00e7\u00e3o de Medicamentos, com sede no Centro de Monitoriza\u00e7\u00e3o de Uppsala (The Uppsala Monitoring Centre), na Su\u00e9cia. Este centro mant\u00e9m um banco de dados internacional de rea\u00e7\u00f5es adversas de f\u00e1rmacos (RAM) e presta servi\u00e7o aos centros nacionais de farmacovigil\u00e2ncia associados ao programa e tem sede na Unidade de Farmacovigil\u00e2ncia da ANVISA.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A alimenta\u00e7\u00e3o dos bancos de dados de RAM \u00e9 feita principalmente atrav\u00e9s do sistema de notifica\u00e7\u00e3o volunt\u00e1ria (ou espont\u00e2nea). Neste tipo de notifica\u00e7\u00e3o, o notificador (geralmente um profissional de sa\u00fade) preenche uma ficha em que s\u00e3o descritas informa\u00e7\u00f5es indispens\u00e1veis para que a suspeita seja avaliada e posteriormente a envia para um centro regional de farmacovigil\u00e2ncia. A revis\u00e3o peri\u00f3dica das notifica\u00e7\u00f5es permite identificar associa\u00e7\u00f5es at\u00e9 ent\u00e3o desconhecidas entre f\u00e1rmacos e RAM, gerando assim um sinal de alerta. Estes sinais s\u00e3o hip\u00f3teses sobre as quais se fazem seguimentos mais intensivos e podem constituir a base para iniciar estudos epidemiol\u00f3gicos que permitam chegar ao estabelecimento do risco.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma das importantes atribui\u00e7\u00f5es que a OMS confere aos Farmac\u00eauticos \u00e9 a monitoriza\u00e7\u00e3o dos f\u00e1rmacos. Em muitos casos, quando o paciente apresenta uma rea\u00e7\u00e3o adversa, o primeiro profissional que ele procura \u00e9 um Farmac\u00eautico na farm\u00e1cia comunit\u00e1ria. Neste momento o Farmac\u00eautico deve avaliar a situa\u00e7\u00e3o relatada pelo usu\u00e1rio coletar informa\u00e7\u00f5es e envi\u00e1-las para a base de dados regional de farmacovigil\u00e2ncia. Muitos Farmac\u00eauticos ainda n\u00e3o tem o h\u00e1bito de notificar por raz\u00f5es diversas como receio de ser penalizado por algo que tenha feito errado, desconhecimento da import\u00e2ncia da notifica\u00e7\u00e3o ou desinteresse. Para afastarmos receios e d\u00favidas \u00e9 importante ter me mente os seguintes aspectos:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O que deve ser notificado?<\/strong><br \/>\nRea\u00e7\u00f5es adversas, principalmente aquelas consideradas graves (que acarretam morte ou hospitaliza\u00e7\u00e3o, por exemplo) e raras (como aquelas que n\u00e3o est\u00e3o descritas na bula). N\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio ter certeza de que se trata de uma RAM, basta que haja a suspeita. tamb\u00e9m podem ser notificadas queixas t\u00e9cnicas e erros de medica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quem deve notificar?<br \/>\n<\/strong>Principalmente os profissionais da sa\u00fade (todos, especialmente os Farmac\u00eauticos). Usu\u00e1rios e empresas farmac\u00eauticas tamb\u00e9m podem notificar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>De que forma a notifica\u00e7\u00e3o pode ser feita?<\/strong><br \/>\nNo Paran\u00e1 as notifica\u00e7\u00f5es podem ser feitas atrav\u00e9s da p\u00e1gina da Secretaria de Estado da Sa\u00fade (SESA-PR) na Internet, no endere\u00e7o http::\/\/www.saude.pr.gov.br\/visa\/farmaco\/index.html. Escolha o item &#8220;Formul\u00e1rio para profissionais de sa\u00fade&#8221; e ent\u00e3o imprima o formul\u00e1rio &#8220;Rea\u00e7\u00f5es Adversas e Desvio de Qualidade&#8221;. As informa\u00e7\u00f5es devem ser preenchidas e a ficha enviada para o fax (41)3330-4543.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">[<a href=\"javascript:history.go(-1)\">Voltar<\/a>]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ao contr\u00e1rio do que se poderia imaginar, quando um f\u00e1rmaco novo \u00e9 introduzido no mercado, disp\u00f5e-se, de maneira geral, apenas de dados suficientes para assegurar que sua margem de seguran\u00e7a \u00e9 &#8220;aceit\u00e1vel&#8221; e, segundo Laporte e cols., neste momento pouco ainda se conhece sobre seus efeitos no organismo. 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