{"id":18554,"date":"2013-08-22T18:48:54","date_gmt":"2013-08-22T18:48:54","guid":{"rendered":"http:\/\/antonini.med.br\/blog\/?p=18554"},"modified":"2022-02-15T02:40:49","modified_gmt":"2022-02-15T02:40:49","slug":"o-que-aprender-com-israel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonini.psc.br\/?p=18554","title":{"rendered":"O que aprender com Israel?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 algo que me intriga h\u00e1 algum tempo: o que leva um pa\u00eds com apenas 7,9 milh\u00f5es de habitantes (o Paran\u00e1 tem 10,4 milh\u00f5es), um territ\u00f3rio min\u00fasculo (menor que o estado de Sergipe), terras ruins, sem recursos naturais, com apenas 64 anos de exist\u00eancia, e em constantes conflitos militares&#8230; a ser um dos maiores centros de inova\u00e7\u00e3o do mundo; ter 63 empresas de tecnologia listadas na bolsa Nasdaq (mais que Europa, Jap\u00e3o, China e \u00cdndia somados), ter registrado 7.652 patentes no exterior entre 2002 e 2005, e ter ganho 31% dos pr\u00eamios Nobel de Medicina e 27% dos Nobel de F\u00edsica?<!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\">Por: <strong>Jos\u00e9 Pio Martins*<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><\/strong>Em resumo: o que explica o extraordin\u00e1rio desenvolvimento econ\u00f4mico e\u00a0tecnol\u00f3gico de Israel? Pela lista de car\u00eancias e problemas citados no\u00a0par\u00e1grafo anterior, Israel tinha tudo para ser apenas mais um pa\u00eds atrasado e miser\u00e1vel. Mas, al\u00e9m de n\u00e3o ser, o pa\u00eds transformou-se em um caso \u00fanico de inova\u00e7\u00e3o, tecnologia e desenvolvimento. Muitas das maravilhas que usamos hoje v\u00eam de l\u00e1. O pen-drive, a mem\u00f3ria flash de computador e muitos medicamentos que salvam vidas est\u00e3o na lista de patentes de Israel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Qualquer explica\u00e7\u00e3o r\u00e1pida \u00e9 leviana. Muitos dir\u00e3o que \u00e9 o dinheiro dos\u00a0norte-americanos e dos judeus espalhados pelo mundo que faz o sucesso de\u00a0Israel. N\u00e3o \u00e9. Primeiro, porque nenhuma montanha de dinheiro transforma uma na\u00e7\u00e3o de atrasados e ignorantes em g\u00eanios da inova\u00e7\u00e3o e ganhadores de pr\u00eamios Nobel. Segundo, grande parte do dinheiro recebido por Israel foi gasta em defesa e conflitos militares. Terceiro, o apadrinhamento militar de Israel nos primeiros anos de sua funda\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi dado pelos Estados Unidos, mas pela Fran\u00e7a, cujo apoio cessou somente em 1967, ap\u00f3s a Guerra dos Seis Dias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos artigos e livros que pesquisei, n\u00e3o h\u00e1 explica\u00e7\u00e3o simplista para o\u00a0sucesso de Israel. Pelo espa\u00e7o limitado deste artigo, destaco apenas quatro pontos:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em primeiro lugar, a hist\u00f3ria e a cultura. A religi\u00e3o judaica d\u00e1 \u00eanfase \u00e0 leitura e \u00e0 aprendizagem, mais que aos ritos. A persegui\u00e7\u00e3o aos judeus e a proibi\u00e7\u00e3o, durante a Idade M\u00e9dia, de possu\u00edrem terras os levou a estudar e se tornarem m\u00e9dicos, banqueiros ou outras profiss\u00f5es que pudessem ser exercidas em qualquer lugar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois vem o apre\u00e7o pela tecnologia e pela inova\u00e7\u00e3o. Israel gasta 4,5% de seu produto bruto em pesquisa e desenvolvimento, contra 2,61% dos Estados Unidos e 1,2% do Brasil. Na aus\u00eancia de recursos naturais e premido pela necessidade, Israel entrou de cabe\u00e7a numa cultura de pesquisar, descobrir e inovar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em terceiro lugar, a estrutura educacional. A cren\u00e7a de que a \u00fanica sa\u00edda para o desenvolvimento &#8211; mais que os recursos naturais &#8211; \u00e9 a educa\u00e7\u00e3o de qualidade est\u00e1 na raiz da cultura de Israel. Do ensino b\u00e1sico at\u00e9 a universidade, Israel desfruta de uma educa\u00e7\u00e3o de n\u00edvel e acess\u00edvel a todos. Se voc\u00ea pensa encontrar um judeu analfabeto, desista. \u00c9 uma quest\u00e3o cultural: para eles, povo e governo, a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 o bem maior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E, por fim, o respeito pelo empreendedor e pelo fracasso. Em Israel,\u00a0valoriza-se muito aquele que se disp\u00f5e a inventar, inovar ou empreender.\u00a0Quem tenta e fracassa \u00e9 respeitado e apoiado, pois eles acreditam que a\u00a0fal\u00eancia \u00e9 um aprendizado e a chance de acertar da pr\u00f3xima vez aumenta. Isso leva a uma aus\u00eancia de medo do fracasso e \u00e9 um elemento-chave da cultura da inova\u00e7\u00e3o. No Brasil, o desgra\u00e7ado que falir uma microempresa nunca mais consegue uma certid\u00e3o negativa e jamais volta a ser empreendedor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o se consegue transpor a cultura de um pa\u00eds para outro, mas h\u00e1 muito que aprender com Israel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>*Jos\u00e9 Pio Martins<\/strong>, economista, \u00e9 reitor da Universidade Positivo \u2013 Curitiba, Paran\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">[<a href=\"javascript:history.go(-1)\">Voltar<\/a>]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 algo que me intriga h\u00e1 algum tempo: o que leva um pa\u00eds com apenas 7,9 milh\u00f5es de habitantes (o Paran\u00e1 tem 10,4 milh\u00f5es), um territ\u00f3rio min\u00fasculo (menor que o estado de Sergipe), terras ruins, sem recursos naturais, com apenas 64 anos de exist\u00eancia, e em constantes conflitos militares&#8230; a ser um dos maiores centros [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[27],"tags":[],"class_list":["post-18554","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18554","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=18554"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18554\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":24365,"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/18554\/revisions\/24365"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=18554"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=18554"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=18554"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}