{"id":19081,"date":"2013-09-22T10:08:34","date_gmt":"2013-09-22T10:08:34","guid":{"rendered":"http:\/\/antonini.med.br\/blog\/?p=19081"},"modified":"2022-02-15T02:40:48","modified_gmt":"2022-02-15T02:40:48","slug":"a-evaporacao-do-cloroformio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonini.psc.br\/?p=19081","title":{"rendered":"A evapora\u00e7\u00e3o do clorof\u00f3rmio"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">O clorof\u00f3rmio tinha um problema. Matava rapidamente, matava r\u00e1pida, inesperada e indiscriminadamente. A primeira vitima foi Hannah Greener, quinze anos e em perfeita sa\u00fade, em Newcastle, 28 de janeiro de 1848, durante a remo\u00e7\u00e3o de uma unha do p\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 claro que clorof\u00f3rmio demais mata qualquer um, como qualquer coisa em demasia. Por\u00e9m, logo descobriram que o cora\u00e7\u00e3o podia parar de repente, logo no come\u00e7o da administra\u00e7\u00e3o do anest\u00e9sico &#8211; \u201csincope do clorof\u00f3rmio&#8221;. Ningu\u00e9m sabia por que. Isso provocou uma grande desordem em Hyderabad, no dia 25 de janeiro de 1889.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">O duque e a duquesa de Connaught estavam distribuindo pr\u00eamios na escola de medicina, naquele remoto posto acad\u00eamico do imp\u00e9rio onde o sol jamais se p\u00f5e. O diretor da escola (Servi\u00e7o M\u00e9dico do Ex\u00e9rcito em Bengala) afirmava que sua escola era melhor do que muitas da Europa, e que haviam descoberto que n\u00e3o existe essa coisa de \u201cs\u00edncope do clorof\u00f3rmio&#8221;. Fizeram isso matando com uma superdose 128 cachorros vira-latas adultos. Ele aconselhava as escolas de medicina de Londres a continuar com o \u00e9ter, que eles sabiam controlar.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">A Lancet interessou-se pelo assunto. Cartas e artigos defrontavam-se grandiosamente nos n\u00fameros semanais da revista que viajava a bordo dos navios-correio P&amp;O. Nizam de Hyderabad, esportivamente ofereceu 1.000 libras para a <em>Lancet<\/em> enviar um especialista e testar sua teoria. A <em>Lancet<\/em> enviou um farmacologista eminente, que passou um telegrama dizendo NENHUMA PARADA DO CORA\u00c7\u00c3O, depois de matar 490 c\u00e3es, cavalos, macacos, a Lancet orgulhosamente sugeriu que seu homem tinha virado nativo. Como sempre acontece na medicina, os m\u00e9dicos continuaram a discutir e os pacientes continuaram a morrer.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">O clorof\u00f3rmio n\u00e3o \u00e9 inflam\u00e1vel &#8211; ao passo que o eter \u00e9 explosivo o que recomendava seu uso nas batalhas e nos ataques a\u00e9reos. Na II Guerra Mundial o \u00e9ter foi superado por um fluido para limpar a seco, inflam\u00e1vel, o tricloretileno (os tintureiros adoraram e se embriagavam cheirando os tanques). Depois da guerra, como certas marcas de chocolate e de sorvete o clorof\u00f3rmio nunca mais apareceu.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">[<a href=\"javascript:history.go(-1)\">Voltar<\/a>]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O clorof\u00f3rmio tinha um problema. Matava rapidamente, matava r\u00e1pida, inesperada e indiscriminadamente. 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