{"id":19134,"date":"2013-09-22T11:06:07","date_gmt":"2013-09-22T11:06:07","guid":{"rendered":"http:\/\/antonini.med.br\/blog\/?p=19134"},"modified":"2022-02-15T02:40:48","modified_gmt":"2022-02-15T02:40:48","slug":"retrocesso-ao-darwinismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonini.psc.br\/?p=19134","title":{"rendered":"Retrocesso ao Darwinismo"},"content":{"rendered":"<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">Como Lister descobriu a assepsia, sem saber coisa alguma sobre estreptococos, e Lind curou o escorbuto sem conhecer a vitamina C, assim tamb\u00e9m Darwin fundou a gen\u00e9tica, sem saber coisa alguma sobre o ADN.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">Charles Robert Darwin (1809-82) passou cinco anos, desde o Natal de 1831, navegando pelos mares do sul a bordo do HMS Beagle, de 242 toneladas, 90 p\u00e9s de comprimento, tr\u00eas mastros, o tamanho de iate de um dos mais modestos milion\u00e1rios. Uma vez que viajava com 73 passageiros, n\u00e3o deviam ter muito conforto. Ele navegou de Devon at\u00e9 o Rio, deu a volta no Cabo Horn e fez escala na Nova Zel\u00e2ndia e na Austr\u00e1lia, antes de passar pelo Cabo da Boa Esperan\u00e7a e voltar para casa, atravessando novamente o Atl\u00e2ntico Sul at\u00e9 o Brasil, antes de chegar a Famouth, no dia 2 de outubro de 1836 Em 16 de setembro de 1835 Darwin aportou nas ilhas Gal\u00e1pagos, na costa do Equador no oceano Pacifico, e l\u00e1 ele viu a eternidade nos tentilh\u00f5es.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">Gal\u00e1pago \u00e9 a palavra espanhola para tartaruga. Nas ilhas, Darwin encontrou tartarugas enormes, do tamanho de porcos de ra\u00e7a. Darwin explorou as 12 ilhas Gal\u00e1pagos durante um m\u00eas. Descobriu, entusiasmado, que os repteis. p\u00e1ssaros, peixes, insetos e plantas das ilhas eram um pouco diferentes dos que existiam no resto do mundo. Eram at\u00e9 diferentes de ilha para ilha. Os tentilh\u00f5es tinham bicos curtos e fortes para quebrar as nozes, numa das ilhas. Em outra, onde n\u00e3o havia nozes, seu bicos eram mais delicados, pr\u00f3prios para apanhar insetos. Bicos longos para encontrar as larvas, em outra ainda. Os tentilh\u00f5es viviam em fun\u00e7\u00e3o dos seus bicos, que haviam evolu\u00eddo atrav\u00e9s de gera\u00e7\u00f5es e gera\u00e7\u00f5es para comer o que existia no lugar em que viviam. Darwin achou que devia haver alguma coisa nessa particularidade.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">Quando desembarcou, Darwin recebeu uma heran\u00e7a de 5.000 libras por ano. Comprou uma casa enorme em Downe, Kent, al\u00e9m de Orpington (aberta \u00e0 visita\u00e7\u00e3o, bom pub local). Nela passou 23 anos pensando nos tentilh\u00f5es das Gal\u00e1pagos, antes de publicar <em>A origem das esp\u00e9cies por meio da sele\u00e7\u00e3o natural<\/em>, em 1859. Foi abalado pela amea\u00e7a inesperada de perder a gl\u00f3ria de sua descoberta, surgida em junho, antes da publica\u00e7\u00e3o do seu livro, na pessoa de Alfred Russell Wallace (1822-1913), um naturalista que tivera a mesma id\u00e9ia. Foi como Rosy e Watson.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">A suspeita de que os animais e as plantas do mundo n\u00e3o eram r\u00e9plicas id\u00eanticas dos originais criados na oficina celeste h\u00e1 muito tempo se esbo\u00e7ava na mente humana, desde a Babil\u00f4nia (onde se interessavam pela variedade das crinas dos cavalos). Essas mentes inclu\u00edam as de Bacon, Buffon, Goethe, Lamarck, Herbert Spencer e Sir Charles Lyell. Lyell era um ge\u00f3logo, que deu a Darwin a id\u00e9ia de interpretar a continua\u00e7\u00e3o do presente por meio da evolu\u00e7\u00e3o do passado. Id\u00e9ias gen\u00e9ticas ocorreram tamb\u00e9m ao monge Gregor Johann Mendel (1822-84), da Mor\u00e1via, que cruzou as variedades de ervilhas comuns, \u00a0plantadas por ele em Brno, em 1853, e que permaneceram invis\u00edveis no ar cient\u00edfico at\u00e9 o fim do s\u00e9culo. Ocorreu tamb\u00e9m ao av\u00f4 de Darwin, Dr. Erasmus. Nesse meio tempo, Darwin havia casado com uma prima em primeiro grau, teve 10 filhos, dos quais sete sobreviveram, e finalmente foi vitimado pela hipocondria.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">A afirma\u00e7\u00e3o de Darwin de que Sir Thomas Browne havia sugerido, no seu Religio Medici que o Genesis n\u00e3o era t\u00e3o confi\u00e1vel quanto os hor\u00e1rios das estradas de ferro vitorianas foi considerada uma afronta da ci\u00eancia \u00e0 Igreja. A discuss\u00e3o chegou ao auge em 30 de junho de 1860, entre os solu\u00e7os e desmaios das senhoras, no Museu da Universidade, ao lado de Parks, em Oxford.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">A Igreja tinha um caso. Todos sabiam que o mundo fora criado em 4004 a.C., \u00e0s 9 horas da manha de domingo, 23 de outubro, como havia calculado uns dois s\u00e9culos antes o arcebispo de Armagh e vice-chanceler da Universidade de Cambridge. Assim em quem acreditar? Em Darwin ou na palavra de Deus?<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">\u201cSoapy Sam\u201d Wilberforce, bispo de Oxford, saiu em campo para arrasar Darwin&#8221; na trig\u00e9sima reuni\u00e3o anual da Associa\u00e7\u00e3o Brit\u00e2nica para o Avan\u00e7o da Ci\u00eancia, convenientemente realizada na frente da casa episcopal. O bispo repudiou sarcasticamente um dos que duvidavam de modo hostil da Igreja: &#8220;Ser\u00e1 atrav\u00e9s da sua av\u00f3 ou do seu av\u00f4 que o Sr. Huxley afirma descender dos macacos?&#8221; A vespa cientifica, com seu pince-nez, Dr. Thomas Henry Hudey (1825-95), replicou: &#8220;Certamente eu preferiria descender de um macaco do que de um homem que prostitui sua educa\u00e7\u00e3o e sua eloqu\u00eancia \u00e0 adora\u00e7\u00e3o do preconceito e da mentira.\u201d Esse atrevimento era t\u00e3o chocante quando jogar tinta nas meias do falecido Dr. Amold Rugby. Um dos detratores de Darwin na hora do ch\u00e1, em Oxford, era o vice-almirante Robert Fitz Roy, ex-capit\u00e3o do Beagle, que havia lido um artigo sobre \u201cTempestades brit\u00e2nicas\u201d e agora brandia sua B\u00edblia com f\u00faria violenta contra o antigo companheiro de bordo, e que cinco anos depois cortou a pr\u00f3pria garganta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O pensamento de Darwin continua conosco. As v\u00edtimas da anemia falciforme ultrapassavam em n\u00famero os sobreviventes da mal\u00e1ria. E hoje existem brancos e negros no planeta porque as pessoas com pele negra levam mais tempo para fabricar &#8211; atrav\u00e9s da luz do sol &#8211; a vitamina D nos seus organismos. A falta da vitamina D causa raquitismo e osteomalacia. Quando o homem deixou o sol equatorial para o norte frio, a procura de alimento, s\u00f3 os de pele branca sobreviveram e se multiplicaram tornando-se cada vez mais brancos. (Isso pode ser bobagem. As mulheres asi\u00e1ticas, na Gr\u00e3-Bretanha, ficam com os ossos quebradi\u00e7os porque comem chapattis, que cont\u00e9m fitato, o qual evita a absor\u00e7\u00e3o da vitamina D. Mas isso tamb\u00e9m pode ser tolice. Assim s\u00e3o as alarmantes piadas da medicina.)<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">[<a href=\"javascript:history.go(-1)\">Voltar<\/a>]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como Lister descobriu a assepsia, sem saber coisa alguma sobre estreptococos, e Lind curou o escorbuto sem conhecer a vitamina C, assim tamb\u00e9m Darwin fundou a gen\u00e9tica, sem saber coisa alguma sobre o ADN. 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