{"id":19710,"date":"2013-10-15T23:33:20","date_gmt":"2013-10-15T23:33:20","guid":{"rendered":"http:\/\/antonini.med.br\/blog\/?p=19710"},"modified":"2022-02-15T02:40:12","modified_gmt":"2022-02-15T02:40:12","slug":"transiberiana-a-mais-longa-ferrovia-do-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonini.psc.br\/?p=19710","title":{"rendered":"Transiberiana: a mais longa ferrovia do mundo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">De 1891 a 1904, milhares de oper\u00e1rios enfrentaram frio, fome e epidemias para criar a linha f\u00e9rrea que atravessa a R\u00fassia, projeto fara\u00f4nico que quase n\u00e3o chegou ao fim.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" style=\"border: 0px none;\" alt=\"\" src=\"http:\/\/www.historiaviva.com.br\/reportagens\/img\/transiberiana_a_mais_longa_ferrovia_do_mundo_1__2013-04-17114213.jpg\" width=\"500\" height=\"250\" border=\"0\" \/><br \/>\nMapa da Transiberiana de 1897<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">por<strong> Claude Moss\u00e9<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para aqueles que tiveram o privil\u00e9gio de percorr\u00ea-lo, ele \u00e9 bem mais do que uma experi\u00eancia. Uma refer\u00eancia, um mito. Imposs\u00edvel esquec\u00ea-lo. Basta evocar o rolamento do caminho de ferro na imensid\u00e3o siberiana \u2013 caleidosc\u00f3pio de paisagens diversas \u2013 para despertar a curiosidade. A ferrovia mais longa do mundo \u2013 quase 10 mil quil\u00f4metros, um quarto da circunfer\u00eancia da Terra na altura do Equador \u2013 ainda inflama os esp\u00edritos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na taiga, entre as colinas e montes pelados, os complexos industriais do rio Ural ao lago Baikal \u2013 o mais profundo do planeta, localizado no sul da Sib\u00e9ria \u2013 da Europa \u00e0 \u00c1sia, os vag\u00f5es fora de moda repintados nas cores da R\u00fassia p\u00f3s-comunista oferecem um passeio ferrovi\u00e1rio excepcional. No s\u00e9culo XXI, essa linha de trem \u2013 cuja constru\u00e7\u00e3o exigiu que florestas inteiras fossem abatidas, rios desviados, milhares de quil\u00f4metros de trilhos instalados e centenas de pontes constru\u00eddas \u2013 ainda surpreende pelo gigantismo. Antes da ferrovia, para atravessar a Sib\u00e9ria, utilizava-se o trakt, uma estrada de cascalho, mantida sob os cuidados de presidi\u00e1rios ou de mujiques, os exilados volunt\u00e1rios, para que os negociantes, militares e advers\u00e1rios banidos \u2013 tais como os dezembristas, os primeiros a se revoltar, em 1825, contra o regime czarista \u2013 n\u00e3o tivessem os ossos deslocados nas carro\u00e7as ou tren\u00f3s, a cada quil\u00f4metro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Os pioneiros<\/strong><br \/>\nQuando se iniciaram as obras, em 1890, Anton Tchekhov, viajando pelo trakt com destino \u00e0 Ilha Sacalina, escreveu: \u201cEis-me em Ecaterimburgo (onde, em 1918, foram executados o czar Nicolau II e sua fam\u00edlia), eu tenho o p\u00e9 direito na Europa e o esquerdo na \u00c1sia\u201d. Se viajasse na d\u00e9cada seguinte, poderia ter chegado de trem. Foi o tempo gasto para a instala\u00e7\u00e3o de 10 mil quil\u00f4metros de trilhos. Engenheiros e oper\u00e1rios pagaram caro para construir esse colosso em t\u00e3o pouco tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tudo come\u00e7ou em 1867, depois que o Imp\u00e9rio Russo, em dificuldades financeiras por conta da Guerra da Crimeia (1853-1856), vendeu o Alasca para os EUA. O governo russo percebeu, que a Sib\u00e9ria, terra selvagem e de ex\u00edlio onde somente os negociantes de pele faziam fortuna, dispunha de riquezas ainda n\u00e3o exploradas, entre elas as enormes jazidas de ouro. Como transport\u00e1-las, se n\u00e3o fosse por ferrovia? Assim, nasceu a ideia da Transiberiana. Desde que o projeto da ferrovia se tornou conhecido, as sugest\u00f5es se multiplicaram \u2013 algumas delirantes, como a de comboios puxados por cavalos, na falta de carv\u00e3o para alimentar as locomotivas a vapor&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Iniciativa militar<\/strong><br \/>\nAs autoridades czaristas compreenderam rapidamente a import\u00e2ncia econ\u00f4mica e estrat\u00e9gica de um trem que ligasse Moscou a Vladivostok, a jovem cidade constru\u00edda em frente ao Jap\u00e3o, rival hist\u00f3rico da R\u00fassia. Ap\u00f3s o conflito franco-prussiano de 1870, a diplomacia russa percebeu que, no caso de guerra com os japoneses, a ferrovia seria um meio eficaz para transportar as tropas \u2013 o que foi confirmado em 1904. Pode-se dizer que a Transiberiana foi, a princ\u00edpio, constru\u00edda por militares e para militares.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1875, a publica\u00e7\u00e3o do romance Michel Strogoff , de J\u00falio Verne, apresenta as terras desconhecidas da Sib\u00e9ria Oriental ao grande p\u00fablico. O entusiasmo foi tamanho que, de forma inesperada, os chineses, invejosos da publicidade dada a essa regi\u00e3o, interromperam as exporta\u00e7\u00f5es de ch\u00e1 para a R\u00fassia. Fosse boiardo ou mujique, ningu\u00e9m ficou indiferente a essa medida: um dia inteiro sem ch\u00e1 era t\u00e3o insuport\u00e1vel que, na Transiberiana do s\u00e9culo XXI, continua-se a dar mais aten\u00e7\u00e3o \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o do samovar \u2013 um em cada carro \u2013 do que \u00e0 do eixos&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft\" style=\"border: 0px none;\" alt=\"\" src=\"http:\/\/www.historiaviva.com.br\/reportagens\/img\/transiberiana_a_mais_longa_ferrovia_do_mundo_2__2013-04-17114238.jpg\" width=\"250\" height=\"311\" border=\"0\" \/><br \/>\nPara o ministro das Finan\u00e7as Serguei Witte, ardor e f\u00e9 eram fundamentais para uma obra t\u00e3o monumental. Retrato do Ministro das Finan\u00e7as e membro do Conselho de Estado Sergei Yulyevich Witte, \u00f3leo sobre tela, Ilya Repin, 1903<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora no final do s\u00e9culo XIX, o trem existisse somente nos documentos do Comit\u00ea das linhas f\u00e9rreas, a coloniza\u00e7\u00e3o das terras ar\u00e1veis siberianas se acelerou. As press\u00f5es sobre o czar Alexandre III se intensificaram. O bar\u00e3o Korf, governador da Sib\u00e9ria Oriental, repete que, do lado de Vladivostok, a via f\u00e9rrea seria uma esp\u00e9cie de muralha contra toda e qualquer invas\u00e3o chinesa ou japonesa. Seu filho, o czareviche Nicolau, reteve a li\u00e7\u00e3o. Num documento assinado de pr\u00f3prio punho e datado de 29 de mar\u00e7o de 1891, ele sela o destino da Transiberiana \u2013 ignorando que, 27 anos mais tarde, ele faria, naquela ferrovia, sua \u00faltima viagem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Diante de um casebre de madeira, ele instalou em Vladivostok o primeiro trilho. Para Serguei de Witte, ministro das Finan\u00e7as, tanto o ardor quanto a f\u00e9 nessas obras tornaram-se uma necessidade. As responsabilidades eram enormes: definir um tra\u00e7ado, achar materiais, recrutar os oper\u00e1rios, que precisariam ser alimentados e alojados e ainda trabalhariam em condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas extremas. Primeira decis\u00e3o: a constru\u00e7\u00e3o deveria ocorrer, simultaneamente, em tr\u00eas grandes \u00e1reas. Uma dificuldade maior surgiu: a travessia do lago Baikal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Sib\u00e9ria n\u00e3o dispunha de estaleiros navais. Os comboios atravessavam essa extens\u00e3o de \u00e1gua, verdadeiro mar interior, numa barca constru\u00edda na Inglaterra e enviada em pe\u00e7as isoladas pelos trechos da linha j\u00e1 finalizados. De voca\u00e7\u00e3o militar, no in\u00edcio, a ferrovia devia ser protegida. Da\u00ed, a ideia de expandir em 11 cent\u00edmetros a largura dos trilhos, fixada na Europa e na \u00c1sia a 1,52 metro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os construtores foram declarados \u201cher\u00f3is da p\u00e1tria\u201d, uma homenagem modesta para quem sofreu tanto. Ap\u00f3s um dia inteiro cavando, atulhando, instalando vigas e trilhos, os trabalhadores eram transportados em carro\u00e7as pelo trakt, de volta aos casebres de madeira mofada dispostos por se\u00e7\u00f5es de 5 km, dist\u00e2ncia que eles deveriam percorrer em caso de neve, vento ou calor escaldante, e sob o ataque constante de mosquitos. O abastecimento de provis\u00f5es, \u00e1gua pot\u00e1vel \u2013 e vodca \u2013 era problem\u00e1tico. Fossem engenheiros ou oper\u00e1rios, esses homens famintos podiam se transformar em animais selvagens, capazes de estrangular um camarada por uma simples migalha de p\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Milhares ficaram cegos<\/strong><br \/>\nAlgumas estelas ao longo do caminho lembram aos passageiros que ali ocorreram mortes, muitas mortes. O ministro Witte escreveu um relat\u00f3rio destinado ao czar, que se solidarizou, ordenando somente a substitui\u00e7\u00e3o dos defuntos por novas levas de trabalhadores \u2013 ningu\u00e9m na capital procurou criar um servi\u00e7o de sa\u00fade. Entre as v\u00edtimas figuram milhares de oper\u00e1rios que ficaram cegos por causa de picadas de insetos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s a morte de Alexandre III, em 1894, boiardos e mujiques imploraram para que Nicolau II interrompesse as obras. O Transiberiana talvez nunca tivesse sido conclu\u00edda n\u00e3o fosse a contribui\u00e7\u00e3o do rico industrial belga Georges Nagelmackers. Inventor dos vag\u00f5es-leito, sob a sigla Pullman, ele sugere a Witte o lan\u00e7amento de um trem \u201cconfort\u00e1vel\u201d e chega a oferecer de presente um vag\u00e3o-igreja. As obras, n\u00e3o mais sob tutela militar, continuam. Gustav Eiffel, o pai da torre, sempre \u00e0 procura de um bom neg\u00f3cio, prop\u00f5e o fornecimento de todo o percurso de vigotas met\u00e1licas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Meretrizes de toda a Europa<\/strong><br \/>\nQuil\u00f4metro ap\u00f3s quil\u00f4metro, o trilho avan\u00e7ava pela floresta boreal. Witte tem, ent\u00e3o, uma revela\u00e7\u00e3o: o que falta aos homens? Mulheres! Por meio de pequenos an\u00fancios, prostitutas, bem pagas, s\u00e3o trazidas de toda a Europa \u2013 e n\u00e3o da perversa \u00c1sia! O czar concorda. Quantos siberianos s\u00e3o descendentes de meretrizes das cal\u00e7adas de Paris!<\/p>\n<div class=\"imgwrapper\" style=\"width: 350px; text-align: center; float: right; margin: 0px 0px 20px 20px;\"><img decoding=\"async\" style=\"float: right;\" alt=\"Esta\u00e7\u00e3o de Krasnoyarsk, na R\u00fassia, em agosto de 2006\" src=\"http:\/\/www.historiaviva.com.br\/reportagens\/img\/transiberiana_a_mais_longa_ferrovia_do_mundo_3__2013-04-17114431.jpg\" width=\"350\" border=\"0\" \/>Esta\u00e7\u00e3o de Krasnoyarsk, na R\u00fassia, em agosto de 2006<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Considerando que os industriais seriam os principais benefici\u00e1rios do trem, Nagelmackers recorre aos mais afortunados. Sem resultado. Ele sopra, ent\u00e3o, a Witte uma ideia, banal hoje em dia, mas original em 1898: uma viagem para a imprensa, de Moscou a Tomsk. Tr\u00eas carros com dois leitos, um vag\u00e3o-sal\u00e3o com piano, uma cozinha delicada preparada por Auguste Escoffier. Oriundo da C\u00f4te d\u2019Azur, esse chefe fez as del\u00edcias dos ricos russos, para os quais a Riviera \u00e9 a antec\u00e2mara do para\u00edso. Todos aprovam a ideia, com exce\u00e7\u00e3o do czar: ele n\u00e3o queria que os estrangeiros tomassem conhecimento das terr\u00edveis condi\u00e7\u00f5es de trabalho nas obras. A solu\u00e7\u00e3o foi dar folga para todos os trabalhadores de 5 a 25 de agosto, durante toda a viagem, que se faz ao longo de 3 500 km. Os relatos dessa \u201cfabulosa Sib\u00e9ria\u201d transbordavam de entusiasmo \u2013 mas nenhuma palavra sobre os deportados. O luxo oferecido justificava uma tal dissimula\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O czar, entretanto, se voltou contra Witte por causa de gastos n\u00e3o justificados; o ministro das Finan\u00e7as invocou epidemias, chuvas, rebeli\u00f5es rapidamente reprimidas dos alde\u00f5es incompetentes empregados \u00e0 for\u00e7a&#8230; E manteve seu cargo. Em 1903, a Transiberiana foi conclu\u00edda. A partir do ano seguinte, ela provou sua utilidade. Quando, na noite de 9 de fevereiro, uma armada japonesa atracou em Port-Arthur, o czar, humilhado, gritou: \u201cQue as tropas sejam enviadas pela ferrovia!\u201d. Sim, mas&#8230; Sem d\u00favida instalados muito rapidamente, os trilhos entre Khabarovsk e Vladivostok apresentam v\u00e1rios defeitos. E o que tinha que acontecer, aconteceu: perto de Tchita, o trem descarrilou numa floresta, uma zona pouco povoada onde faltam provis\u00f5es e \u00e1gua doce. Alguns militares morrem, outros perdem a raz\u00e3o ou fogem para a estepe \u2013 uma vasta escolha de presas para os ursos, tigres e lobos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, apesar da derrota, a Transiberiana mostrou sua utilidade e sua fragilidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Trem da insurrei\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nAt\u00e9 1916, os trens circularam. No ano seguinte, Churchill declarou: \u201cA Batalha do Marne tamb\u00e9m foi ganha na linha do trem Transiberiano.\u201d A Sib\u00e9ria n\u00e3o era somente uma terra de deporta\u00e7\u00e3o; o trem facilitava a rebeli\u00e3o, a linha de trem tornou-se s\u00edmbolo da insurrei\u00e7\u00e3o. Os amotinados, quando n\u00e3o eram fuzilados diante dos vag\u00f5es, eles usam a sala de reuni\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1918, ap\u00f3s a revolu\u00e7\u00e3o, o general tcheco Kolchak, tendo ocupado as esta\u00e7\u00f5es, fez espalhar a exist\u00eancia de um Estado independente com o qual se sonhava. Mas em v\u00e3o: ele \u00e9 executado pelos milicianos sovi\u00e9ticos. Pai do Ex\u00e9rcito Vermelho, Trotski instala cinco vag\u00f5es como casa, escrit\u00f3rio e centro de espionagem cobrindo toda a Sib\u00e9ria. De 1922 a 1940, Stalin instala pr\u00f3ximo \u00e0s vias os infames gulags, campos de trabalhos for\u00e7ados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o nos enganemos: se civis e militares russos mant\u00eam am\u00e1veis conversas \u2013 sob os olhos da provonitsa, a ferromo\u00e7a que reina entre samovares e passageiros, o \u201ctrem n\u00b0 1\u201d, sempre lotado, tamb\u00e9m facilita o desenvolvimento de pr\u00e1ticas mafiosas. Sem, no entanto, espantar os cavalos selvagens que galopam atrav\u00e9s das montanhas Altai e da imensid\u00e3o siberiana&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Claude Moss\u00e9 \u00e9 jornalista e autor de livro sobre a Transiberiana<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">[<a href=\"javascript:history.go(-1)\">Voltar<\/a>]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De 1891 a 1904, milhares de oper\u00e1rios enfrentaram frio, fome e epidemias para criar a linha f\u00e9rrea que atravessa a R\u00fassia, projeto fara\u00f4nico que quase n\u00e3o chegou ao fim. Mapa da Transiberiana de 1897 por Claude Moss\u00e9 Para aqueles que tiveram o privil\u00e9gio de percorr\u00ea-lo, ele \u00e9 bem mais do que uma experi\u00eancia. 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