{"id":20537,"date":"2013-12-08T07:04:49","date_gmt":"2013-12-08T07:04:49","guid":{"rendered":"http:\/\/antonini.med.br\/blog\/?p=20537"},"modified":"2022-02-15T02:39:47","modified_gmt":"2022-02-15T02:39:47","slug":"caso-ana-lidia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonini.psc.br\/?p=20537","title":{"rendered":"Caso Ana L\u00eddia"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">O caso Ana L\u00eddia refere-se ao assassinato de Ana L\u00eddia Braga, um crime acontecido no Brasil na d\u00e9cada de 1970, em plena ditadura militar.<!--more--><\/p>\n<div class=\"imgwrapper\" style=\"width: 300px; text-align: center; float: left; margin: 0px 5px 5px 0px;\"><img decoding=\"async\" style=\"float: left; cursor: pointer;\" onclick=\"window.open('http:\/\/antonini.med.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/20120711093413_06.jpg', 'pop', 'toolbar=0, location=0, directories=0, status=0, menubar=0, scrollbars=0, copyhistory=0, resizable=1, width=720, height=550, left=0, top=0'); if((navigator.appName=='Microsoft Internet Explorer' &amp;&amp; navigator.appVersion.substring(0,3)=='4.0')==false) pop.focus();\" alt=\"Clique para ampliar\" src=\"http:\/\/antonini.med.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2013\/12\/20120711093413_06.jpg\" width=\"300\" \/>Clique para ampliar<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">A fam\u00edlia de Ana L\u00eddia morava na SQN 405, Bloco O, da Asa Norte em Bras\u00edlia, no Distrito Federal. Ela tinha sete anos de idade quando a sequestraram do Col\u00e9gio Madre Carmen Sall\u00e9s, escola onde foi deixada pelos pais \u00e0s 13:30 horas do dia 11 de setembro de 1973. A menina foi, posteriormente, torturada, estuprada e morta por asfixia, morte que, segundo os peritos que analisaram seu corpo, teria acontecido na madrugada do dia seguinte. Seu corpo foi encontrado por policiais, em um terreno da UnB, \u00e0s 13 horas do dia 12 de setembro. Estava semi-enterrado em uma vala, pr\u00f3xima da qual havia marcas de pneus de moto e duas camisinhas, provas que com facilidade poderiam levar os investigadores at\u00e9 os culpados da atrocidade. A menina estava nua, com marcas de cigarro e com os cabelos mal cortados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Os suspeitos: filhos de pol\u00edticos e at\u00e9 futuro presidente<\/strong><br \/>\nOs suspeitos do crime foram o seu pr\u00f3prio irm\u00e3o \u00c1lvaro Henrique Braga (que, juntamente com a namorada, Gilma Varela de Albuquerque, teria vendido a menina para traficantes) e alguns filhos de pol\u00edticos e importantes membros da sociedade brasiliense. Mas os culpados nunca foram apontados e o caso Ana L\u00eddia se tornou mais um s\u00edmbolo da impunidade em Bras\u00edlia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As investiga\u00e7\u00f5es apontaram que Ana L\u00eddia foi levada ao s\u00edtio do ent\u00e3o Vice-L\u00edder da Arena no Senado, Eurico Resende, situado em Sobradinho, no Distrito Federal. Testemunhas disseram que \u00e0 noite, \u00c1lvaro e a namorada sa\u00edram e deixaram a menina com Alfredo Buzaid J\u00fanior, Eduardo Ribeiro Resende (filho do senador, dono do s\u00edtio) e Raimundo Lacerda Duque, conhecido traficante de drogas de Bras\u00edlia. Quando voltaram ao s\u00edtio, encontraram Ana L\u00eddia morta. Como o principal suspeito era o filho do ent\u00e3o Ministro da Justi\u00e7a Alfredo Buzaid uma grande pol\u00eamica se formou em torno do caso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre os suspeitos estava tamb\u00e9m o futuro Presidente da Rep\u00fablica Fernando Collor de Mello, que, na \u00e9poca, tinha 24 anos de idade. N\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancia que Collor esteja envolvido no crime, mas mesmo assim durante a campanha eleitoral de 1989 Collor foi acusado de ter participado do crime1 .<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O caso \u00e9 abafado pela ditadura militar<\/strong><br \/>\nEm um momento da hist\u00f3ria nacional em que a ditadura militar controlava as investiga\u00e7\u00f5es que lhe diziam respeito, como era de se esperar, n\u00e3o houve muito rigor nas investiga\u00e7\u00f5es. Digitais n\u00e3o foram procuradas no corpo da menina, as marcas de pneus foram esquecidas e sequer se efetuou an\u00e1lises comparativas do esperma encontrado nas camisinhas com o dos suspeitos. E o que era mais estranho: houve uma grande passividade por parte dos pr\u00f3prios familiares de Ana L\u00eddia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A for\u00e7a do poder dominante para sufocar a divulga\u00e7\u00e3o do assunto pode ser medida por um epis\u00f3dio citado por J\u00e1vier Godinho em sua obra &#8220;A Imprensa Amorda\u00e7ada&#8221;. No dia 20 de maio de 1974 jornais, r\u00e1dios e esta\u00e7\u00f5es de televis\u00e3o do pa\u00eds receberam o seguinte comunicado do Departamento de Pol\u00edcia Federal:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De ordem superior, fica terminantemente proibida a divulga\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s dos meios de comunica\u00e7\u00e3o social escrito, falado, televisado, coment\u00e1rios, transcri\u00e7\u00e3o, refer\u00eancias e outras mat\u00e9rias sobre caso Ana L\u00eddia e Rosana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Pol\u00edcia Federal<\/strong><br \/>\nRosana Pandim se tratava de outra garota desaparecida com 11 anos de idade em Goi\u00e2nia, no mesmo ano da morte de Ana L\u00eddia. Mas, ao contr\u00e1rio do que aconteceu com a menina de Bras\u00edlia, o corpo de Rosana jamais foi encontrado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A Reabertura do Processo<\/strong><br \/>\nDepois que se passaram treze anos da execu\u00e7\u00e3o do crime o processo foi reaberto porque surgiram novidades sobre o assassinato. A rep\u00f3rter M\u00f4nica Teixeira, da V\u00eddeo Abril, garantiu ter testemunhas que poderiam provar que o autor do crime era mesmo o filho do ex-Ministro da Justi\u00e7a, Alfredo Buzaid, e que, apesar de a imprensa ter noticiado que ele havia morrido em um acidente, dois anos depois do crime, M\u00f4nica garantiu que ele ainda estava bem vivo no ano de 1985. Mais uma vez fatos estranhos aconteceram: algumas das testemunhas simplesmente morreram ap\u00f3s serem intimadas para depor e n\u00e3o foi imediatamente permitida a exuma\u00e7\u00e3o do corpo, sendo o processo novamente fechado por suposta falta de provas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1986, ap\u00f3s um ano do pedido inicial, a exuma\u00e7\u00e3o do corpo de Alfredo Buzaid Junior foi autorizada. Por\u00e9m, por engano ou descuido da pol\u00edcia, o corpo exumado foi o de Fel\u00edcio Buzaid, av\u00f4 do acusado, falecido em 1966. Ap\u00f3s uma segunda tentativa, um segundo cad\u00e1ver, supostamente de Alfredo Buzaid Junior, foi entregue ao IML. Por algum motivo n\u00e3o explicado, os dentes do cad\u00e1ver estavam removidos, impossibilitando o reconhecimento por arcada dent\u00e1ria (n\u00e3o existia o procedimento de testes de DNA na \u00e9poca). Mesmo assim, em julho de 1986, o legista Jos\u00e9 Ant\u00f4nio Mello declarou que o corpo enterrado era realmente de Alfredo Buzaid Junior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Parque Ana L\u00eddia e a menina santa<\/strong><br \/>\nAt\u00e9 hoje n\u00e3o houve um desfecho para o caso e ningu\u00e9m foi punido pelos crimes cometidos. Em homenagem \u00e0 menina, uma regi\u00e3o do chamado Parque da Cidade, pr\u00f3ximo \u00e0 entrada do Setor Hoteleiro Sul, em que est\u00e3o instalados diversos brinquedos para crian\u00e7as, passou a ser denominado Parque Ana L\u00eddia. Pela circunst\u00e2ncias de seu mart\u00edrio, seu t\u00famulo \u00e9 um dos mais visitados no cemit\u00e9rio da cidade, sendo cultuada por devotos que acreditam em milagres feitos pela menina, agora considerada uma santa.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">[<a href=\"javascript:history.go(-1)\">Voltar<\/a>]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O caso Ana L\u00eddia refere-se ao assassinato de Ana L\u00eddia Braga, um crime acontecido no Brasil na d\u00e9cada de 1970, em plena ditadura militar.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[27],"tags":[],"class_list":["post-20537","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/20537","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=20537"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/20537\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":30119,"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/20537\/revisions\/30119"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=20537"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=20537"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=20537"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}