{"id":20801,"date":"2014-02-21T11:35:20","date_gmt":"2014-02-21T11:35:20","guid":{"rendered":"http:\/\/antonini.med.br\/blog\/?p=20801"},"modified":"2022-02-15T02:39:46","modified_gmt":"2022-02-15T02:39:46","slug":"quando-a-infancia-e-um-inferno","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonini.psc.br\/?p=20801","title":{"rendered":"Quando a inf\u00e2ncia \u00e9 um inferno"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: justify;\">O abuso sexual de crian\u00e7as cometido dentro da pr\u00f3pria casa \u00e9 uma trag\u00e9dia mais comum do que se imagina, mas permanece invis\u00edvel e silenciosa<!--more--><\/div>\n<div class=\"imgwrapper\" style=\"width: 400px; margin: 5px auto; text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-20802\" style=\"display: block; text-align: center;\" alt=\"O abuso sexual de crian\u00e7as cometido dentro da pr\u00f3pria casa \u00e9 uma trag\u00e9dia mais comum do que se imagina, mas permanece invis\u00edvel e silenciosa\" src=\"http:\/\/antonini.med.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/violencia1.jpg\" width=\"400\" \/><\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"color: #000000; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: xx-small;\">Lucila Soares<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"left\"><span style=\"color: #000000; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: small;\">A viol\u00eancia sexual contra crian\u00e7as \u00e9 um tema sobre o qual paira uma barreira de sil\u00eancio. Esporadicamente, vem \u00e0 baila sob forma de um esc\u00e2ndalo envolvendo algu\u00e9m famoso, como aconteceu com o cantor Michael Jackson, e rapidamente desaparece. Quando o assunto \u00e9 o abuso praticado por algu\u00e9m da fam\u00edlia, o pacto \u00e9 ainda mais inquebrant\u00e1vel. N\u00e3o existem sequer estat\u00edsticas confi\u00e1veis, porque na maioria das vezes a crian\u00e7a sofre calada a experi\u00eancia devastadora do incesto. Um passo importante para encarar a realidade desse crime terr\u00edvel, pelos efeitos sobre as pequenas v\u00edtimas e por violar um dos tabus fundadores da civiliza\u00e7\u00e3o, est\u00e1 sendo dado no Rio de Janeiro, pela Cl\u00ednica Psicanal\u00edtica de Viol\u00eancia. Criada em 1996, a institui\u00e7\u00e3o tem registrados mais de 2.000 casos de viol\u00eancia sexual contra crian\u00e7as e adolescentes de todas as classes sociais, dos quais mais de 80% t\u00eam como agressor o pr\u00f3prio pai. As psicanalistas Gra\u00e7a Piz\u00e1 e Gabriella Ferrarese Barbosa, fundadoras da cl\u00ednica, debru\u00e7aram-se sobre 853 prontu\u00e1rios de atendimento a crian\u00e7as entre 2 e 9 anos de idade, para tornar p\u00fablico o drama do incesto sob o ponto de vista delas. O resultado est\u00e1 publicado no livro <i>A Viol\u00eancia Silenciosa do Incesto <\/i>(Imprensa Oficial de S\u00e3o Paulo; 244 p\u00e1ginas; 60 reais). <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"left\"><span style=\"color: #000000; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: small;\">Os desenhos que ilustram esta reportagem fazem parte do conjunto de 31 imagens selecionadas por Gra\u00e7a Piz\u00e1 para ilustrar o que batizou de &#8220;vocabul\u00e1rio ilustrado dos afetos emparedados&#8221; \ufffd uma s\u00edntese dos sentimentos mais freq\u00fcentemente expostos por seus pequenos clientes. S\u00e3o um testemunho comovente da experi\u00eancia aterrorizante do incesto. Numa idade em que n\u00e3o t\u00eam como compreender o que sentem quando violentadas, elas se desenham mutiladas, isoladas. O medo \u00e9 comunicado atrav\u00e9s de seres monstruosos ou, ao contr\u00e1rio, de situa\u00e7\u00f5es absurdamente realistas, povoadas por enormes \u00f3rg\u00e3os sexuais. Uma menina retratou-se refletida num espelho de teto como os que se v\u00eaem nos mot\u00e9is, deitada sob um homem identificado como &#8220;papai&#8221;. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"left\"><span style=\"color: #000000; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: small;\">Como ajudar essas crian\u00e7as, vitimadas justamente pelas pessoas em quem mais deveriam confiar, a quebrar a barreira do sil\u00eancio? &#8220;A crian\u00e7a violentada vive emparedada pelo seu pr\u00f3prio medo de falar e pela surdez de quem deveria ouvi-la&#8221;, diz Gra\u00e7a Piz\u00e1. Por isso a proposta do centro \u00e9 formar uma rede de apoio e atendimento. O livro traz artigos de especialistas em medicina, educa\u00e7\u00e3o, Justi\u00e7a e seguran\u00e7a que analisam em suas respectivas \u00e1reas as dificuldades para reconhecer e enfrentar o problema. Em todos, a constata\u00e7\u00e3o \u00e9 que, diante de uma evid\u00eancia de incesto, a tend\u00eancia \u00e9 descrer da crian\u00e7a. O principal motivo \u00e9 que esse tipo de viol\u00eancia \u00e9 algo que vai contra a pr\u00f3pria no\u00e7\u00e3o de humanidade, uma vez que a proibi\u00e7\u00e3o de rela\u00e7\u00f5es sexuais entre pais e filhos \u00e9 uma das caracter\u00edsticas que nos distinguem dos animais. Os intricados desv\u00e3os dos relacionamentos familiares s\u00e3o outro obst\u00e1culo.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"left\"><span style=\"color: #000000; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: small;\">Sobre o pano de fundo da rejei\u00e7\u00e3o que a id\u00e9ia do incesto desperta surgem os mecanismos que criam e mant\u00eam o sil\u00eancio. Diante de uma suspeita, a tend\u00eancia \u00e9 fechar os olhos, e isso se faz desqualificando a crian\u00e7a como interlocutor, jogando o que ela diz sob o r\u00f3tulo de &#8220;fantasia infantil&#8221;. O impulso sexual infantil existe e d\u00e1 origem a fantasias que podem, sim, envolver o pai, o padrasto, o namorado da m\u00e3e, ou a pr\u00f3pria m\u00e3e. Mas a crian\u00e7a que fantasia esse tipo de envolvimento imagin\u00e1rio n\u00e3o tem o relato de sofrimento, de dor f\u00edsica, de nojo, de medo que uma v\u00edtima de viol\u00eancia real faz. &#8220;Quando a base \u00e9 fantasiosa ou simplesmente mentirosa, a hist\u00f3ria n\u00e3o se sustenta&#8221;, afirma Gra\u00e7a Piz\u00e1, que s\u00f3 n\u00e3o confirmou 0,5% das suspeitas de incesto que chegaram \u00e0 Cl\u00ednica de Viol\u00eancia. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"left\"><span style=\"color: #000000; font-family: Verdana,Arial,Helvetica,sans-serif; font-size: small;\">O triste \u00e9 constatar que, mesmo quando a crian\u00e7a consegue ser ouvida em casa, o crime n\u00e3o consegue ultrapassar as barreiras externas, como mostra o relato de uma mulher que descobriu que seu ex-marido abusava da filha de 2 anos e quis process\u00e1-lo. N\u00e3o conseguiu. Sem prova material de estupro (que na maior parte das vezes n\u00e3o existe), seria palavra contra palavra. Mais do que isso, a den\u00fancia poderia virar contra ela, por acusa\u00e7\u00e3o sem provas. &#8220;O que mais me chocou foi a impossibilidade de agir. Eu n\u00e3o podia fazer nada&#8221;, diz. Para a advogada Elizabeth S\u00fcssekind, ex-secret\u00e1ria nacional de Justi\u00e7a, o problema \u00e9 que o Judici\u00e1rio s\u00f3 cr\u00ea no material, no incontest\u00e1vel. Com isso, muitas vezes crian\u00e7as que foram abusadas acabam devolvidas judicialmente a seus agressores. \u00c9 preciso come\u00e7ar a mudar essa l\u00f3gica, definindo os caminhos jur\u00eddicos de reconhecimento da credibilidade das v\u00edtimas, ressalvadas evidentemente com as devidas garantias aos acusados. O principal, em qualquer circunst\u00e2ncia, \u00e9 ouvir o que a crian\u00e7a tem a dizer. Esse \u00e9 um direito fundamental de todo ser humano.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"left\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-20805\" style=\"margin: 5px auto; display: block; text-align: center;\" alt=\"abuso-1\" src=\"http:\/\/antonini.med.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/abuso-1.jpg\" width=\"441\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"left\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-20807\" style=\"margin: 5px auto; display: block; text-align: center;\" alt=\"abuso-2\" src=\"http:\/\/antonini.med.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/abuso-2.jpg\" width=\"437\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"left\"><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-20809\" style=\"margin: 5px auto; display: block; text-align: center;\" alt=\"abuso-3\" src=\"http:\/\/antonini.med.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/02\/abuso-3.jpg\" width=\"433\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E quando a crian\u00e7a provoca? Ningu\u00e9m fala nada. Ela sempre \u00e9 a v\u00edtima, pois mais p* que ela seja.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">[vsw id=&#8221;XQ0q3t-Fs_o&#8221; source=&#8221;youtube&#8221; width=&#8221;425&#8243; height=&#8221;344&#8243; autoplay=&#8221;no&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">[vsw id=&#8221;5HowEKfWHUA&#8221; source=&#8221;youtube&#8221; width=&#8221;425&#8243; height=&#8221;344&#8243; autoplay=&#8221;no&#8221;]<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">[<a href=\"javascript:history.go(-1)\">Voltar<\/a>]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O abuso sexual de crian\u00e7as cometido dentro da pr\u00f3pria casa \u00e9 uma trag\u00e9dia mais comum do que se imagina, mas permanece invis\u00edvel e silenciosa<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[27],"tags":[],"class_list":["post-20801","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/20801","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=20801"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/20801\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":30232,"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/20801\/revisions\/30232"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=20801"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=20801"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=20801"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}