{"id":22049,"date":"2014-05-27T03:36:36","date_gmt":"2014-05-27T03:36:36","guid":{"rendered":"http:\/\/antonini.med.br\/blog\/?p=22049"},"modified":"2022-02-15T02:39:29","modified_gmt":"2022-02-15T02:39:29","slug":"em-1950-copa-trouxe-euforia-a-sp-e-o-pacaembu","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonini.psc.br\/?p=22049","title":{"rendered":"Em 1950, copa trouxe euforia a S\u00e3o Paulo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Em 1950, Copa trouxe euforia a SP e o Pacaembu era o est\u00e1dio da vez.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um clima de euforia com a Copa entre a popula\u00e7\u00e3o e na imprensa. Nada de greves dos motoristas de \u00f4nibus, policiais ou garis, muito menos protestos na rua. Rar\u00edssimas cr\u00edticas ao uso de verba p\u00fablica (100%) na constru\u00e7\u00e3o dos est\u00e1dios. E um &#8220;padr\u00e3o Fifa&#8221; de exig\u00eancias que n\u00e3o ia muito al\u00e9m das condi\u00e7\u00f5es de gramado, dimens\u00f5es do campo, alambrado, \u00e1rea para imprensa e um t\u00fanel de sa\u00edda para o vesti\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0Essa Copa j\u00e1 existiu e aconteceu neste pa\u00eds, h\u00e1 64 anos. Custou cerca de 59 vezes menos do que a edi\u00e7\u00e3o atual. &#8220;\u00c9 poss\u00edvel tra\u00e7ar um paralelo: se no s\u00e9culo 20 o evento tinha propor\u00e7\u00f5es bem menores, alguns erros se repetem d\u00e9cadas depois&#8221;, afirma o jornalista Diego Salgado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa Copa j\u00e1 existiu e aconteceu neste pa\u00eds, h\u00e1 64 anos. Custou cerca de 59 vezes menos do que a edi\u00e7\u00e3o atual. &#8220;\u00c9 poss\u00edvel tra\u00e7ar um paralelo: se no s\u00e9culo 20 o evento tinha propor\u00e7\u00f5es bem menores, alguns erros se repetem d\u00e9cadas depois&#8221;, afirma o jornalista Diego Salgado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Junto com Beatriz Farrugia, Gustavo Zucchi e Murilo Ximenes, ele escreveu &#8220;1950 \u2013 O Pre\u00e7o de uma Copa&#8221; (editora Letras do Brasil), que radiografa como o Brasil se preparou para a quarta edi\u00e7\u00e3o do evento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O ponto de contato entre as duas Copas est\u00e1 no improviso e no atraso na entrega das obras. Um exemplo: Porto Alegre e Recife foram escolhidas como cidades-sede a poucas semanas do evento. Outro: na festa de abertura de 1950, no Maracan\u00e3, os andaimes ainda estavam nas arquibancadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Embora a escolha do Brasil tenha sido homologada em 1946, a constru\u00e7\u00e3o do est\u00e1dio s\u00f3 se iniciaria dois anos e meio depois.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Havia disputa pol\u00edtica em torno do novo est\u00e1dio no Rio. Carlos Lacerda, ent\u00e3o jovem vereador da UDN, o queria em Jacarepagu\u00e1. O prefeito da \u00e9poca, Mendes de Moraes, defendia o Maracan\u00e3. Qualquer semelhan\u00e7a com a novela do Itaquer\u00e3o n\u00e3o pode ser mera coincid\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>OBA-OBA <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contudo, a constru\u00e7\u00e3o do Maracan\u00e3 e a realiza\u00e7\u00e3o da Copa eram acima de tudo motivo de orgulho e ponto de honra entre os brasileiros. Diferentemente das duas d\u00e9cadas anteriores, marcadas pela quebra da bolsa em 1929 e a eclos\u00e3o da Segunda Guerra, o clima era de esperan\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Havia uma vontade de afirma\u00e7\u00e3o do Brasil, em um contexto de industrializa\u00e7\u00e3o e crescimento econ\u00f4mico do governo Vargas (1930-45)&#8221;, diz Daniel de Araujo dos Santos, professor do curso Clio Internacional de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o e especialista em futebol e rela\u00e7\u00f5es internacionais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;O povo brasileiro queria mostrar seu valor, e isso era evidente entre ricos e pobres. Os oper\u00e1rios queriam mostrar que tinham constru\u00eddo o maior est\u00e1dio do mundo, que era o Maracan\u00e3 na \u00e9poca&#8221;, acrescenta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em suma, o povo se sentia parte da festa. At\u00e9 porque, com um sal\u00e1rio m\u00ednimo de ent\u00e3o, dava para comprar 20 ingressos para os jogos da Copa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O futebol, que naquele tempo era chamado de &#8220;football&#8221; (e os craques eram chamados de &#8220;cracks&#8221;), vinha de uma trajet\u00f3ria de ascens\u00e3o. Ainda dividia com o turfe as p\u00e1ginas dos jornais, mas com sua profissionaliza\u00e7\u00e3o, em 1933, proliferavam as pra\u00e7as esportivas no pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por isso a imprensa fazia campanha maci\u00e7a pela constru\u00e7\u00e3o de novos est\u00e1dios. Os que havia estavam ficando pequenos demais para um p\u00fablico cada vez maior.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 bom lembrar que a Copa de 1950 teve seis cidades-sede e 13 sele\u00e7\u00f5es. Agora, s\u00e3o 32 sele\u00e7\u00f5es e 12 sedes. Quanto \u00e0s obras de infraestrutura, elas simplesmente n\u00e3o existiram. Ou melhor, alargaram uma avenida e inverteram as m\u00e3os de algumas ruas no entorno do Maracan\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-22102\" src=\"http:\/\/antonini.med.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/05\/14143671.jpeg\" alt=\"14143671\" width=\"635\" height=\"1345\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1942 e 1946, n\u00e3o houve Copa. Com a Europa devastada pela Segunda Guerra, nenhum pa\u00eds do continente demonstrava interesse ou condi\u00e7\u00f5es financeiras para sediar o campeonato. Os olhos da Fifa ent\u00e3o se voltaram para a Am\u00e9rica do Sul.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em uma disputa pol\u00edtica envolvendo a CBD (antiga CBF), a AFA (federa\u00e7\u00e3o argentina) e a Fifa, o Brasil foi escolhido. A Argentina boicotou o evento. Se n\u00e3o o fizesse, a hist\u00f3ria do Mundial talvez tivesse sido outra. Junto com o Uruguai, o escrete argentino dividia a hegemonia no continente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em uma an\u00e1lise mais detalhada sobre a cobertura dos jornais da \u00e9poca, encontram-se alguns poucos artigos sobre os problemas da organiza\u00e7\u00e3o no decorrer do evento. Escassez de hot\u00e9is e restaurantes no Rio. Filas gigantescas para os ingressos dos jogos do Brasil. Superlota\u00e7\u00e3o do Maracan\u00e3, fazendo com que todos assistissem a um jogo em p\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em texto intitulado &#8220;A Tomada de Bastilha&#8221;, um cronista de &#8220;O Globo&#8221; relata a invas\u00e3o dos torcedores no jogo entre Brasil e Espanha: &#8220;As cenas que antecederam o in\u00edcio do &#8216;match&#8217; foram realmente hist\u00f3ricas. Pagando ou n\u00e3o pagando, o povo entrou, e estava sendo comprimido de encontro \u00e0s grades de ferro, que, agora sabemos, n\u00e3o podem oferecer grande resist\u00eancia. Nada foi respeitado. Havia gente pelos corredores, entre as cadeiras, em cima das cadeiras, em cima dos bra\u00e7os das cadeiras, enfim, n\u00e3o foi deixado um espa\u00e7o vital sem ocupante&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Imposs\u00edvel escrever sobre 1950 sem passar pelo &#8220;Maracana\u00e7o&#8221;. Cerca de 10% da popula\u00e7\u00e3o carioca estava no est\u00e1dio. Imperava a cantoria de m\u00fasicas e marchinhas de carnaval improvisadas no contexto do futebol. At\u00e9 que veio o sil\u00eancio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conta Jos\u00e9 Sergio Leite Lopes, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, em &#8220;Brasil em Jogo&#8221; (editora Boitempo), que acaba de ser lan\u00e7ado: &#8220;Quem demonstrou fair play e civilidade foi a plateia, que permaneceu no est\u00e1dio at\u00e9 a premia\u00e7\u00e3o da equipe vencedora, apesar da tristeza&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas n\u00e3o foi s\u00f3 civilidade. Na sa\u00edda, uma turba furiosa destruiu o busto do prefeito da cidade, que ficava na entrada do est\u00e1dio, em uma a\u00e7\u00e3o &#8220;entendida como uma usurpa\u00e7\u00e3o pol\u00edtico de um sentimento esportivo maior&#8221;, de acordo com Leite Lopes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na semana que antecedeu a final, a sele\u00e7\u00e3o treinou no campo de S\u00e3o Janu\u00e1rio e recebeu visitas de pol\u00edticos ilustres, entre os quais o presidente Dutra. O clima de &#8220;j\u00e1 ganhou&#8221; era predominante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Naquele ano, como neste, havia elei\u00e7\u00f5es presidenciais em outubro. Dutra n\u00e3o conseguiu emplacar seu candidato, Cristiano Machado, e Get\u00falio Vargas, que encarnava o esp\u00edrito trabalhista, venceu. Fl\u00e1vio Costa, t\u00e9cnico da sele\u00e7\u00e3o, concorria a deputado. Tamb\u00e9m n\u00e3o venceu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para Araujo dos Santos, \u00e9 dif\u00edcil estabelecer uma rela\u00e7\u00e3o direta entre o resultado do Mundial e das elei\u00e7\u00f5es. &#8220;Vargas era um l\u00edder popular e carism\u00e1tico, e sempre esteve associado ao nacionalismo. Sua chance de ganhar a elei\u00e7\u00e3o era muito grande, mesmo se o Brasil vencesse.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">PACAEMBU<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gl\u00f3ria do futebol paulista, joia da arquitetura art d\u00e9co, o est\u00e1dio foi inaugurado em 1940. Tr\u00eas meses depois, a prefeitura anunciou que seriam entregues cinco novos viadutos para suprir o aumento de circula\u00e7\u00e3o em torno do campo: Pacaembu, Itoror\u00f3, Jacare\u00ed, Luiz Antonio e Nove de Julho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo Diego Salgado, logo ap\u00f3s a Fifa anunciar o Brasil como sede, os jogos no Pacaembu j\u00e1 eram dados como certos. E como o est\u00e1dio era novo, n\u00e3o foram necess\u00e1rias grandes repara\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, a 23 dias do Mundial, delegados da Fifa indicaram que o est\u00e1dio n\u00e3o se encontrava em condi\u00e7\u00f5es totalmente satisfat\u00f3rias. Exigiram aumento da extens\u00e3o do gramado e amplia\u00e7\u00e3o das cabines para a imprensa. A qualidade do gramado tamb\u00e9m foi colocada em xeque, o que acabou gerando questionamento dos jornais na \u00e9poca: por que os preparativos n\u00e3o haviam sido antecipados?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O est\u00e1dio recebeu seis jogos. Um deles do Brasil, contra a Su\u00ed\u00e7a. Terminou em 2 a 2. O p\u00fablico foi de 42 mil pessoas \u2014a plateia costumava comparecer de camisa e cal\u00e7a, algumas vezes at\u00e9 de palet\u00f3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A rixa entre paulistas e cariocas era grande \u00e0 \u00e9poca. E a base da sele\u00e7\u00e3o era o time do Vasco da Gama. Em uma jogada marqueteira, o t\u00e9cnico Fl\u00e1vio Costa decidiu colocar em campo v\u00e1rios dos reservas paulistas. Segundo Araujo dos Santos, apesar disso a recep\u00e7\u00e3o \u00e0 sele\u00e7\u00e3o foi menos calorosa, e assim a cidade ganhou a fama de &#8220;p\u00e9 frio&#8221; entre os cariocas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Pacaembu tamb\u00e9m recebeu o jogo entre Uruguai e Su\u00e9cia, que classificaria a sele\u00e7\u00e3o celeste para a grande final. At\u00e9 os 32 minutos do segundo tempo, o Uruguai perdia por 2 a 1. O jogo terminou com vit\u00f3ria dos celestes por 3 a 2, e um terr\u00edvel pren\u00fancio do que aconteceria no jogo final.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/saopaulo\/2014\/05\/1458989-em-1950-copa-trouxe-euforia-a-sp-e-o-pacaembu-era-o-estadio-da-vez.shtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Aqui<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 1950, Copa trouxe euforia a SP e o Pacaembu era o est\u00e1dio da vez. Um clima de euforia com a Copa entre a popula\u00e7\u00e3o e na imprensa. Nada de greves dos motoristas de \u00f4nibus, policiais ou garis, muito menos protestos na rua. Rar\u00edssimas cr\u00edticas ao uso de verba p\u00fablica (100%) na constru\u00e7\u00e3o dos est\u00e1dios. 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