{"id":22139,"date":"2014-06-08T15:32:29","date_gmt":"2014-06-08T15:32:29","guid":{"rendered":"http:\/\/antonini.med.br\/blog\/?p=22139"},"modified":"2022-02-15T02:39:28","modified_gmt":"2022-02-15T02:39:28","slug":"masturbacao-infantil-como-lidar-com-a-descoberta-dos-orgaos-sexuais-pelas-criancas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonini.psc.br\/?p=22139","title":{"rendered":"Masturba\u00e7\u00e3o infantil: como lidar com a descoberta dos \u00f3rg\u00e3os sexuais pelas crian\u00e7as?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Molequinho punheteiro \u00e9 o orgulho do pai e da m\u00e3e. Menininha que se masturba \u00e9 um pesadelo para m\u00e3es e pais. Se enfiar o dedinho vagina \u00e0 dentro, ent\u00e3o \u00e9 uma hecatombe.<!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Especialistas enfatizam a import\u00e2ncia de pais, professores e demais agentes pedag\u00f3gicos de meninos e meninas a n\u00e3o se deixarem contaminar pelo olhar adulto. Para a crian\u00e7a, a masturba\u00e7\u00e3o nada mais \u00e9 que uma explora\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica do pr\u00f3prio corpo que \u00e9 prazerosa e, portanto, vai se repetir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[singlepic id=1994 w=150 h=100 float=left]\u201cMam\u00e3e, tenho que te contar um segredo: mexe l\u00e1 na perereca para voc\u00ea ver o tanto que \u00e9 gostoso\u201d. A frase \u00e9 de uma menina de 5 anos. A m\u00e3e, que n\u00e3o ser\u00e1 identificada, conta que achou engra\u00e7ada a ingenuidade da filha. A solu\u00e7\u00e3o que encontrou foi orient\u00e1-la a ter cuidado para n\u00e3o se machucar j\u00e1 que, por ter a pele sens\u00edvel, a garotinha ainda usa pomada contra assadura. A dificuldade do adulto em lidar com cenas da masturba\u00e7\u00e3o infantil ou atos de interesse nos genitais de outras crian\u00e7as est\u00e1 marcada pela carga cultural que envolve a sexualidade. \u201cO prazer do adulto est\u00e1 al\u00e9m do f\u00edsico, a excita\u00e7\u00e3o passa pela fantasia. Para a crian\u00e7a, \u00e9 apenas uma experi\u00eancia sensorial: ela descobriu que \u00e9 gostoso e vai repetir\u201d, explica a psic\u00f3loga e doutoranda em educa\u00e7\u00e3o na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Anna Cl\u00e1udia Eutr\u00f3pio B. d&#8217;Andrea.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[singlepic id=1995 w=150 h=100 float=right]Ainda assim n\u00e3o \u00e9 raro que os pais se assustem quando confrontados com a quest\u00e3o. Muitos podem relutar em admitir o que est\u00e3o presenciando, talvez por n\u00e3o se lembrarem de situa\u00e7\u00f5es semelhantes j\u00e1 vividas no passado. Mas um teste r\u00e1pido \u00e9 capaz de comprovar que o interesse pelos genitais n\u00e3o \u00e9 fato isolado. Experimente perguntar \u00e0s pessoas ao seu lado se elas se lembram de algum epis\u00f3dio durante a inf\u00e2ncia de brincadeiras sexuais consigo mesmas ou com pessoas pr\u00f3ximas. No teste da rep\u00f3rter na reda\u00e7\u00e3o, dois epis\u00f3dios logo surgiram. No primeiro, um estudante de 7 anos que encontrou dois coleguinhas sem cal\u00e7as na hora do recreio e chamou a professora imediatamente. N\u00e3o por que intuiu alguma &#8220;coisa errada&#8221;, mas por que queria brincar naquele lugar. No segundo, uma filha avisou ao pai que assistia \u00e0 televis\u00e3o: \u2018vou ali no quartinho e n\u00e3o quero que voc\u00ea entre l\u00e1\u2019. Obviamente ele foi atr\u00e1s e encontrou a filha pelada em cima do irm\u00e3o mais velho, tamb\u00e9m uma crian\u00e7a sem roupas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">[singlepic id=1997 w=150 h=100 float=left]Psic\u00f3loga, professora da PUC Minas e coordenadora da educa\u00e7\u00e3o infantil da escola Bal\u00e3o Vermelho, em Belo Horizonte, Adriana Monteiro refor\u00e7a a import\u00e2ncia de o tema ser compreendido como uma curiosidade natural da crian\u00e7a. \u201c\u00c9 uma forma de explora\u00e7\u00e3o corporal como colocar a m\u00e3o na boca, a semente do feij\u00e3o no ouvido ou morder o coleguinha para poder conhecer o corpo do outro. Quando descobre os \u00f3rg\u00e3os genitais a crian\u00e7a vai sentir prazer na descoberta e insistir no comportamento\u201d, salienta. Para Adriana, uma das grandes dificuldades est\u00e1 no fato de as escolas n\u00e3o saberem lidar com o tema e terem uma abordagem mais moralista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Abordagem<\/strong><br \/>\n[singlepic id=1998 w=150 h=100 float=right]Pesquisadora em educa\u00e7\u00e3o em sexualidade, Anna Cl\u00e1udia observa que a menina de 5 anos j\u00e1 compreende que o \u201cmexer na perereca\u201d \u00e9 da intimidade quando usa a palavra segredo para contar \u00e0 m\u00e3e sua descoberta. Nesses casos, fica mais f\u00e1cil ajudar os pequenos a compreenderem que o toque nos \u00f3rg\u00e3os sexuais n\u00e3o \u00e9 para ser praticado na frente das pessoas. Mas e quando \u00e9 uma crian\u00e7a de 2 anos? Apesar de existirem marcos do desenvolvimento infantil, os pais precisam sempre lembrar que cada crian\u00e7a \u00e9 \u00fanica e tem o seu tempo para descobrir e entender o mundo ao seu redor. Considerando esse aspecto, Adriana Monteiro afirma que nessa idade \u00e9 raro a masturba\u00e7\u00e3o ser um h\u00e1bito frequente que necessite uma interven\u00e7\u00e3o. \u201cO que a gente faz \u00e9 chamar a aten\u00e7\u00e3o da crian\u00e7a para outra a\u00e7\u00e3o sem repreend\u00ea-la\u201d, diz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para Anna Cl\u00e1udia, os adultos educam sexualmente n\u00e3o s\u00f3 com o que eles falam, mas tamb\u00e9m com o que n\u00e3o \u00e9 dito. \u201cA crian\u00e7a \u00e9 uma esponja e ela percebe mais coisas do que o adulto consegue notar que ela percebe\u201d, lembra. Ela recomenda &#8211; nos casos de a masturba\u00e7\u00e3o acontecer em p\u00fablico &#8211; que os pais fa\u00e7am a interdi\u00e7\u00e3o em particular. \u201cSe \u00e9 da intimidade, a abordagem tem que ser de forma \u00edntima, sen\u00e3o, o adulto estar\u00e1 transmitindo uma mensagem paradoxal\u201d, pontua. Uma dica importante \u00e9 usar o adulto como um espelho para ajudar a crian\u00e7a a compreender a orienta\u00e7\u00e3o. \u201cVoc\u00ea v\u00ea o seu pai fazendo isso na frente das pessoas?\u201d, pode ser uma compara\u00e7\u00e3o a ser utilizada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Preven\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nO que esses meninos e meninas precisam entender \u00e9 que o p\u00eanis e a vulva s\u00e3o partes do corpo para serem lidados quando eles estiverem sozinhos. Esse recado ajuda as crian\u00e7as a irem percebendo que o corpo \u00e9 exclusividade delas. Dessa forma, os pais est\u00e3o trabalhando, inclusive, a preven\u00e7\u00e3o. Anna Cl\u00e1udia refor\u00e7a: \u201cAs crian\u00e7as n\u00e3o se excitam. A experi\u00eancia \u00e9 exclusivamente sensorial. O problema est\u00e1 no olhar do adulto para a sexualidade infantil. O adulto erotiza e enxerga coisa que n\u00e3o tem\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Insist\u00eancia<\/strong><br \/>\n\u00c9 consenso entre especialistas que bater, xingar, reprimir n\u00e3o \u00e9 o caminho para tratar a masturba\u00e7\u00e3o na inf\u00e2ncia, mesmo se o comportamento for insistente. Adriana Monteiro diz que a crian\u00e7a n\u00e3o entende que, moralmente, o comportamento em p\u00fablico n\u00e3o \u00e9 bem aceito. \u201cEm ambiente privado, os pais precisam dizer que \u00e9 algo para se fazer quando estiver sozinho, no banheiro ou no quarto. O que o adulto precisa fazer \u00e9 dar a no\u00e7\u00e3o da intimidade. Se a crian\u00e7a insiste, a conversa precisa se repetir\u201d, sugere.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O artif\u00edcio que a educadora utiliza na escola \u00e9 chamar a crian\u00e7a em ambiente privado, reconhecer a vontade que ela tem em repetir o ato e fazer um combinado: \u201ctodas as vezes que voc\u00ea fizer esse tipo de brincadeira vou de ajudar a lembrar de outras brincadeiras\u201d. Adriana diz que crian\u00e7as de 3 e 4 anos conseguem manter o acordo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Excesso<\/strong><br \/>\n\u201cO que difere a normalidade da patologia n\u00e3o \u00e9 a qualidade \u00e9 a intensidade. Todo mundo sente as mesmas coisas, mas a patologia est\u00e1 no excesso\u201d, afirma a psic\u00f3loga Anna Cl\u00e1udia. Para ela, o que os pais precisam observar \u00e9 em que situa\u00e7\u00e3o a masturba\u00e7\u00e3o acontece. Novamente ela insiste: \u201cA primeira tarefa \u00e9 olhar sem julgamento. Acontece antes ou depois do qu\u00ea? Como est\u00e1 o estado emocional da crian\u00e7a?\u201d, sugere.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para Adriana Monteiro, o exagerado \u201c\u00e9 s\u00f3 querer fazer isso e nada mais. A crian\u00e7a pode at\u00e9 desviar a aten\u00e7\u00e3o para outra coisa, mas retorna \u00e0 masturba\u00e7\u00e3o\u201d. Nesses casos, a fam\u00edlia deve procurar um atendimento especializado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Quest\u00f5es de g\u00eanero<\/strong><br \/>\nOutra quest\u00e3o que envolve a masturba\u00e7\u00e3o infantil \u00e9 a diferen\u00e7a da abordagem para meninos e meninas. Para Anna Cl\u00e1udia, a fam\u00edlia costuma enxergar a masturba\u00e7\u00e3o do garoto como uma experi\u00eancia de maturidade. No caso das garotas, muitas vezes o acesso ao pr\u00f3prio corpo \u00e9 negado. \u201cA educa\u00e7\u00e3o sexual da menina ainda est\u00e1 focada na fun\u00e7\u00e3o de dar prazer ao homem e n\u00e3o no prazer dela mesma\u201d, afirma. A especialista diz que j\u00e1 passou da hora de as fam\u00edlias educarem os meninos para respeitar o corpo da menina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Adolesc\u00eancia<\/strong><br \/>\nPara os adultos que j\u00e1 s\u00e3o pais e m\u00e3es de adolescentes, o desafio da educa\u00e7\u00e3o sexual \u00e9 a fam\u00edlia se abrir para conversar sobre as emo\u00e7\u00f5es dos filhos e filhas. \u201cDiscutir sexualidade n\u00e3o significa falar de gravidez e camisinha. Os pais focam no discurso preventivo e n\u00e3o acolhem as experi\u00eancias que est\u00e3o no n\u00edvel das rela\u00e7\u00f5es. Meninos e meninas querem falar de afeto, ci\u00fame, machismo, padr\u00e3o est\u00e9tico de beleza. Come\u00e7ar uma conversa com camisinha n\u00e3o vai dar liga. N\u00e3o \u00e9 disso que eles querem falar, n\u00e3o \u00e9 isso que os inquieta\u201d, afirma a psic\u00f3loga Anna Cl\u00e1udia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma sugest\u00e3o que a especialista recomenda aos pais de adolescentes \u00e9 o Manual de Educa\u00e7\u00e3o em Sexualidade da Unesco, &#8216;C\u00e1 entre n\u00f3s: Guia de Educa\u00e7\u00e3o Integral em Sexualidade Entre Jovens&#8217;. Para acess\u00e1-lo, clique aqui.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Original <a href=\"http:\/\/sites.uai.com.br\/app\/noticia\/saudeplena\/noticias\/2013\/10\/09\/noticia_saudeplena,145860\/masturbacao-infantil-e-a-descoberta-do-proprio-corpo.shtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">aqui<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Molequinho punheteiro \u00e9 o orgulho do pai e da m\u00e3e. Menininha que se masturba \u00e9 um pesadelo para m\u00e3es e pais. 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