{"id":2334,"date":"2009-04-20T20:54:11","date_gmt":"2009-04-20T23:54:11","guid":{"rendered":"http:\/\/antonini.med.br\/blog\/?p=2334"},"modified":"2022-02-15T03:29:22","modified_gmt":"2022-02-15T03:29:22","slug":"isso-e-bom-para-a-saude","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonini.psc.br\/?p=2334","title":{"rendered":"Isso \u00e9 bom para a sa\u00fade"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Quando eu era crian\u00e7a, nos anos 1950, \u00f3leo de f\u00edgado de bacalhau era muito bom para a sa\u00fade, embora p\u00e9ssimo para a vida.<!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"..\/..\/imagens\/gerais\/oleo_de_bacalhau.jpg\" border=\"0\" alt=\"\" align=\"left\" \/>Eu suava frio com a perspectiva de engolir aquela gororoba horrorosa, uma sess\u00e3o de tortura familiar, os irm\u00e3os em fila \u2013 at\u00e9 hoje sinto o res\u00edduo daquele gosto na alma. Mas n\u00e3o reclamo \u2013 como felizmente conservo uma sa\u00fade razo\u00e1vel que vem me mantendo a uma dist\u00e2ncia segura dos m\u00e9dicos, com certeza aquele \u00f3leo de f\u00edgado cumpriu seu papel. Pelo menos para temperar a resist\u00eancia e ensinar que nem tudo na vida \u00e9 doce. Al\u00e9m do \u00f3leo de figado, ordem disciplina, obedi\u00eancia e missa aos domingos tamb\u00e9m eram bons para a sa\u00fade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dos anos 1960 em diante, o \u00f3leo de f\u00edgado foi perdendo seu prest\u00edgio, junto com o velho pacote familiar. Pensando bem, surgia uma gera\u00e7\u00e3o bastante liberal nesse quesito do \u201cbom para a sa\u00fade\u201d. O que era importante mesmo estava, digamos, mais no mundo mental do que no mundo f\u00edsico, e se hoje as pessoas andam muito mais esot\u00e9ricas do que naquele tempo, acreditando em tudo quanto \u00e9 mantra e disco voador que aparece pela frente, devem agradecer \u00e0 gera\u00e7\u00e3o dos anos 60 que redescobriu a \u00cdndia, os gurus, a transcend\u00eancia, a maconha (naquele tempo um item importante da salva\u00e7\u00e3o do esp\u00edrito, junto com qualquer coisa que supostamente abrisse \u201cas portas da percep\u00e7\u00e3o\u201d), a vida comunit\u00e1ria tudo que contestasse o sistema capitalista e o perverso mundo da raz\u00e3o. A regra era a vida desregrada; pode fumar quanto quiser, desde que a alma conserve-se pura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O mundo gira e l\u00e1 pelos anos 1980 veio o que se come\u00e7ou a chamar de \u201cgera\u00e7\u00e3o sa\u00fade\u201d, junto com aqueles (para os velhos hippies) odiosos yuppies engravatados que passaram a achar o dinheiro uma coisa muito boa. Pouco a pouco o cigarro foi caindo em desgra\u00e7a, surgiu a cultura \u2013 ou a ind\u00fastria \u2013 de tudo que \u00e9 light, o a\u00e7\u00facar passou a ser demonizado como a maior fonte de sofrimento da vida humana, o caf\u00e9 entrou na lista das drogas proibidas das patrulhas agressivas da \u201cvida saud\u00e1vel e obrigat\u00f3ria para todos\u201d, a alimenta\u00e7\u00e3o virou um item farmac\u00eautico-religioso da vida das pessoas, fizeram-se cruzadas contra o toucinho e o leit\u00e3o \u00e0 pururuca, o velho e bom ovo de galinha foi condenado \u00e0 morte por um tribunal universal de v\u00edtimas do colesterol e da\u00ed por diante. Em suma, passamos a viver permanentemente na antessala de um hospital. Avaliar um produto no supermercado para coloc\u00e1-lo no carrinho \u00e9 uma complexa opera\u00e7\u00e3o que envolve um c\u00e1lculo preciso entre o prazer da vida e o tubo de soro na UTI. O prazo de validade \u00e9 o menor dos perigos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Felizmente, h\u00e1 reviravoltas espetaculares: s\u00fabito, o caf\u00e9 \u00e9 bom para a mem\u00f3ria e o ovo foi reabilitado com honras medicinas e salva de tiros por especialistas. No meio dessas boas not\u00edcias, temo apenas a volta do \u00f3leo de f\u00edgado de bacalhau.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por <strong>Cristov\u00e3o Tezza<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">[<a href=\"javascript:history.go(-1)\">Voltar<\/a>]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando eu era crian\u00e7a, nos anos 1950, \u00f3leo de f\u00edgado de bacalhau era muito bom para a sa\u00fade, embora p\u00e9ssimo para a vida.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[27],"tags":[],"class_list":["post-2334","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2334","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=2334"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2334\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":28062,"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/2334\/revisions\/28062"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=2334"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=2334"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=2334"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}