{"id":23639,"date":"2014-08-09T01:20:35","date_gmt":"2014-08-09T01:20:35","guid":{"rendered":"http:\/\/antonini.med.br\/home\/?p=23639"},"modified":"2022-02-15T02:39:10","modified_gmt":"2022-02-15T02:39:10","slug":"farmacologia-molecular-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonini.psc.br\/?p=23639","title":{"rendered":"Farmacologia Molecular"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong id=\"internal-source-marker_0.22786987340077758\" dir=\"ltr\">1. Conceitos:<span id=\"more-13745\"><\/span><\/strong><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1.1. <em><strong>Farmacologia:<\/strong><\/em> \u00e9 o ramo da ci\u00eancia que estuda as a\u00e7\u00f5es e mecanismos de a\u00e7\u00e3o dos f\u00e1rmacos.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">1.2. <em><strong>F\u00e1rmacos:<\/strong><\/em> \u00e9 a subst\u00e2ncia de estrutura qu\u00edmica bem definida utilizada para fins terap\u00eauticos.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">1.3. <em><strong>Is\u00f3steros:<\/strong><\/em> is\u00f3steros s\u00e3o constituintes ou grupamentos que apresentam o mesmo tamanho ou volume.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">1.4. <em><strong>Bi\u00f3steros:<\/strong><\/em> s\u00e3o constituintes ou grupamentos que necessariamente n\u00e3o apresentam o mesmo tamanho ou volume, mas apresentam similaridade nas propriedades qu\u00edmicas e f\u00edsicas e produzem propriedades biol\u00f3gicas similares.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">1.5. <em><strong>Farmac\u00f3foro:<\/strong><\/em> \u00e9 o arranjo espacial dos grupos funcionais de uma mol\u00e9cula que interagem com o receptor. Ele considera as posi\u00e7\u00f5es relativas desses grupamentos, \u00e1reas de espa\u00e7o permitidas (volumes de exclus\u00e3o e efeito est\u00e9rico).<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">1.6. <em><strong>Farmacologia molecular:<\/strong><\/em> \u00e9 o ramo da farmacologia que estuda a\u00e7\u00e3o farmacol\u00f3gica de f\u00e1rmacos ao n\u00edvel molecular na tentativa de definir o s\u00edtio de a\u00e7\u00e3o do f\u00e1rmaco, o receptor, ou possivelmente a enzima espec\u00edfica com a qual ele interfere.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\"><strong>2. Farmacologia molecular<\/strong><\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">O objetivo da farmacologia molecular \u00e9 elucidar a sequ\u00eancia de eventos qu\u00edmicos e biol\u00f3gicos resultantes da intera\u00e7\u00e3o f\u00e1rmaco-receptor. Estes estudos bioqu\u00edmicos s\u00e3o muito menos suscet\u00edveis ao problema de variabilidade encontrada na experimenta\u00e7\u00e3o com modelos animais e portanto, a rela\u00e7\u00e3o estrutura-atividade pode ser determinada de maneira mais consistente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A farmacologia molecular considera as mol\u00e9culas como unidades funcionais fundamentais. Ela procura explicar os efeitos farmacol\u00f3gicos de compostos biologicamente ativos ao n\u00edvel molecular, isto \u00e9, baseando-se nas intera\u00e7\u00f5es moleculares e em termos de estruturas moleculares e propriedades f\u00edsico-qu\u00edmicas. Visa, enfim, a determinar e interpretar a rela\u00e7\u00e3o que existe entre estrutura qu\u00edmica e atividade biol\u00f3gica.Compreendendo-se que tipo de intera\u00e7\u00e3o ocorre entre o composto qu\u00edmico e as mol\u00e9culas das c\u00e9lulas do organismo, \u00e9 poss\u00edvel explicar o seu mecanismo de a\u00e7\u00e3o ao n\u00edvel molecular.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\"><strong>3. Rela\u00e7\u00e3o estrutura e atividade<\/strong><\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">Considerando o modo como exerce sua a\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica, os f\u00e1rmacos podem ser divididos em duas grandes classes: f\u00e1rmacos estruturalmente inespec\u00edficos e estruturalmente espec\u00edficos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">F\u00e1rmacos e estruturalmente inespec\u00edficos: s\u00e3o aqueles em que a a\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica n\u00e3o est\u00e1 subordinada diretamente a estrutura qu\u00edmica, mas apenas na medida em que esta afeta as propriedades f\u00edsico-qu\u00edmicas,, sendo essas os respons\u00e1veis pelo efeito farmacol\u00f3gico que eles produzem. Caracter\u00edsticas principais:a) atuam em doses relativamente elevadas.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">b) apresentam estruturas qu\u00edmicas muito variadas mais provocam rea\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica semelhante.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">c) pequenas varia\u00e7\u00f5es na sua estrutura qu\u00edmica n\u00e3o resultam em altera\u00e7\u00f5es acentuadas na\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">Exemplo: fenol, etanol, anti\u00e1cidos, manitol, etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">F\u00e1rmacos estruturalmente espec\u00edficos: s\u00e3o aqueles cuja a\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica decorre essencialmente de sua estrutura qu\u00edmica, quando deve adaptar-se a estrutura qu\u00edmica tridimensional dos receptores existentes no organismo, formando um complexo com eles. Nestes f\u00e1rmacos, o tamanho, disposi\u00e7\u00e3o estereoqu\u00edmica da mol\u00e9cula, distribui\u00e7\u00e3o dos grupos funcionais, refeitos indutivos, distribui\u00e7\u00e3o eletr\u00f4nica, indica\u00e7\u00f5es poss\u00edveis com grupos funcionais do receptor, entre outros, desempenham papel decisivo. Caracter\u00edsticas principais:<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">a) s\u00e3o eficientes e concentra\u00e7\u00f5es menores que os f\u00e1rmacos estruturalmente inespec\u00edficos.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">b) apresentam certas caracter\u00edsticas estruturais em comum.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">c) pequenas varia\u00e7\u00f5es nas estrutura qu\u00edmica podem resultar em altera\u00e7\u00f5es substanciais na atividade farmacol\u00f3gica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tanto a finalidade do f\u00e1rmaco quanto sua atividade intr\u00ednseca s\u00e3o determinadas pela sua estrutura qu\u00edmica. Pequenas modifica\u00e7\u00f5es na sua estrutura podem provocar grandes altera\u00e7\u00f5es nas suas propriedades farmacol\u00f3gicas.A explora\u00e7\u00e3o desta rela\u00e7\u00e3o estrutura\/atividade tem levado ao desenvolvimento de f\u00e1rmacos importantes na terap\u00eautica e muitas vezes com indica\u00e7\u00e3o diversa daquela utilizada pelo f\u00e1rmaco prot\u00f3tipo.Necessariamente nem toda modifica\u00e7\u00e3o da estrutura molecular do composto necessita alterar toda sua a\u00e7\u00e3o e feito de maneira homog\u00eanea. Ela visa basicamente desenvolver um cong\u00eanere que apresente uma rela\u00e7\u00e3o de efeito terap\u00eautico X t\u00f3xico mais favor\u00e1vel; aumentar a seletividade entre as diferentes c\u00e9lulas do tecidos, ou alterar as caracter\u00edsticas farmacocin\u00e9ticas. Por exemplo, alguns antagonistas de horm\u00f4nios e neurotransmissores foram desenvolvidos por modifica\u00e7\u00e3o da estrutura qu\u00edmica dos agonistas fisiol\u00f3gicos.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">Tendo-se em m\u00e3os as informa\u00e7\u00f5es de estrutura molecular e atividades farmacol\u00f3gicas de um grande n\u00famero de cong\u00eaneres, \u00e9 poss\u00edvel identificar aquelas propriedades que s\u00e3o requeridas para a atividade \u00f3tima no receptor: tamanho e forma da mol\u00e9cula, posi\u00e7\u00e3o e orienta\u00e7\u00e3o dos grupos com carga ou capazes de fazer ponte de hidrog\u00eanio, etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A correla\u00e7\u00e3o acurada e quantitativa entre a atividade farmacol\u00f3gica de diversos f\u00e1rmacos com suas estruturas moleculares (forma, localiza\u00e7\u00e3o e orienta\u00e7\u00e3o dos grupos quimicamente interativos na sua superf\u00edcie) \u00e9 poss\u00edvel desenvolver um modelo preciso da estrutura do s\u00edtio de liga\u00e7\u00e3o no receptor. Estes modelos detalhados permitem racionalizar a s\u00edntese de novo de novos compostos ou criar cong\u00eaneres com maior efic\u00e1cia, seletividade, afinidade ou efeitos regulat\u00f3rios, ou mesmo melhorar suas propriedades f\u00e1rmacocin\u00e9ticas.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">Atualmente, o uso de cristalografia de raios X e espectroscopia por resson\u00e2ncia nuclear magn\u00e9tica (NMR) s\u00e3o fundamentais para o desenvolvimento racional de novos f\u00e1rmacos, permitindo a determina\u00e7\u00e3o da estrutura tridimensional de receptores, f\u00e1rmacos e complexos f\u00e1rmaco-receptor.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">Em casos onde a estrutura do receptor \u00e9 totalmente desconhecida, \u00e9 sempre poss\u00edvel determinar a conforma\u00e7\u00e3o do f\u00e1rmaco ligado (e se poss\u00edvel de outros cong\u00eaneres) e a partir da\u00ed gerar uma prov\u00e1vel imagem do s\u00edtio de liga\u00e7\u00e3o do receptor.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\"><strong>4. Receptores<\/strong><\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\"><em><strong>4.1. Isolamento de receptores<\/strong><\/em><\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">O problema principal do isolamento de um determinado receptor de sua membrana \u00e9 a capacidade de se identificar e separar uma prote\u00edna espec\u00edfica de todas as demais prote\u00ednas presentes. As t\u00e9cnicas cromatogr\u00e1ficas tem contribu\u00eddo de maneira fundamental para o sucesso destes estudos.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">A primeira etapa \u00e9 a remo\u00e7\u00e3o de uma mistura complexa de prote\u00ednas de uma membrana com o menor dano poss\u00edvel. Isto \u00e9 relativamente f\u00e1cil quando a prote\u00edna \u00e9 apenas fracamente ligada (prote\u00ednas perif\u00e9ricas de membrana) e normalmente basta remo\u00e7\u00e3o de c\u00e1tions como Ca2+ e Mg2+ do meio atrav\u00e9s de lavagem ou quela\u00e7\u00e3o. Nestes casos, a prote\u00edna \u00e9 usualmente liberada na solu\u00e7\u00e3o praticamente livre de fragmentos de lip\u00eddios.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">Entretanto, com prote\u00ednas integrais o mesmo n\u00e3o ocorre. Estas estendem-se atrav\u00e9s da membrana e tem tr\u00eas regi\u00f5es distintas: uma extracelular que se projeta no meio externo que envolve a membrana; uma transmembrana que passa atrav\u00e9s da membrana; e uma intracelular que se projeta para o interior da c\u00e9lula. Por serem componentes integrais da membrana celular, sua estrutura terci\u00e1ria e conforma\u00e7\u00e3o adotada pode ser dirigida pela sua presen\u00e7a na membrana. O isolamento de tais prote\u00ednas pode afetar severamente sua conforma\u00e7\u00e3o e portanto, sua habilidade de liga\u00e7\u00e3o a um ligante. Condi\u00e7\u00f5es mais severas s\u00e3o necess\u00e1rias para liberar estas prote\u00ednas e o uso de detergentes (Triton X-100, Lubrol, sarkosil), ur\u00e9ia, tiocianato de s\u00f3dio e \u00e1lcoois de cadeia m\u00e9dias s\u00e3o extensivamente utilizados para romper a membrana e liberar a prote\u00edna em quest\u00e3o.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\"><em><strong>4.2. purifica\u00e7\u00e3o de receptores<\/strong><\/em><\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">O isolamento da prote\u00edna alvo da mistura complexa obtida, necessita do uso de t\u00e9cnicas de separa\u00e7\u00e3o cromatogr\u00e1fica sofisticadas. Destas, a mais comum \u00e9 a cromatografia de afinidade. A cromatografia de afinidade parte do princ\u00edpio que o receptor liga-se fortemente ao seu ligante de tal forma que sua intera\u00e7\u00e3o pode ser usada para selecionar a prote\u00edna de interesse. Assim, se o ligante for covalentemente fixado a um suporte s\u00f3lido de madeira de modo que sua capacidade de liga\u00e7\u00e3o \u00e0 prote\u00edna de interesse n\u00e3o seja muito afetada, quando uma solu\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios pept\u00eddeos passa atrav\u00e9s da coluna, o receptor d interesse ficar\u00e1 preferencialmente retido. Ap\u00f3s a lavagem das outras prote\u00ednas, o receptor pode ser liberado, passando atrav\u00e9s da coluna uma solu\u00e7\u00e3o concentrada do ligante. A prote\u00edna aqui obtida \u00e9 ent\u00e3o submetida a outras t\u00e9cnicas de purifica\u00e7\u00e3o para eliminar prote\u00ednas contaminantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">T\u00e9cnicas mais recentes incluem cromatografia l\u00edquida de alta performance (HPLC); particularmente HPLC de exclus\u00e3o, de troca i\u00f4nica e de fase reversa, t\u00eam contribido de maneira significativa para o isolamento de de prote\u00ednas receptoras. Outra t\u00e9cnicas podem se basear em cromatografia de imunoafinidade ou t\u00e9cnicas de imunoprecipta\u00e7\u00e3o onde s\u00e3o utilizados anticorpos mono ou policlonais que fornecem alta seletividade de intera\u00e7\u0101o necess\u00e1ria para separa\u00e7\u00e3o de prote\u00ednas de interesse. Estas metodologias contudo, s\u00e3o \/um tanto complicadas e requerem habilidadet\u00e9cnica para eviart o aparecimento de artefatos e resultados duvidosos.A prova prim\u00e1ria que o receptor apropriado foi obtido \u00e9 fornecido pela alta afinidade pelo seu ligante.4.3 Uso da biologia molecular<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">As dificuldades t\u00e9cnicas no isolamento de receptores se deve principalmente \u00e0 sua quantidade limitada presente em qualquer membrana, bem como as dificuldades pr\u00e1ticas inerentes \u00e0 determina\u00e7\u00e3o de sua membrana prot\u00e9ica. O uso de t\u00e9cnicas de biologia molecular fornece um m\u00e9todo alternativo para superar estas limita\u00e7\u00f5es, como a obten\u00e7\u00e3o de grandes quantidades de prote\u00edna, predi\u00e7\u00e3o da sequ\u00eancia prim\u00e1ria de amino\u00e1cidos, express\u00e3o de receptores em culturas de c\u00e9lulas, etc.<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\"><strong>5. Planejamento de um novo f\u00e1rmaco<\/strong><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Os elementos b\u00e1sicos do desenvolvimento de um novo f\u00e1rmaco continua o mesmo por muitos anos. existe a necessidade de uma hip\u00f3tese sobre a prov\u00e1vel causa de um estado patol\u00f3gico, de um composto guia e de um processo otimizado para produzir a mol\u00e9cula com o melhor perfil de atividade.O processo inicia-se a partir da identifica\u00e7\u00e3o de um composto guia que possua alguns elementos do perfil terap\u00eautico desejado e seu mecanismo de a\u00e7\u00e3o hipot\u00e9tico. Uma busca em bancos de dados de estruturas, preferencialmente tridimensionais, pode revelar novas mol\u00e9culas similares \u00e0quela da estrutura guia. Os estudos de intera\u00e7\u00e3o com o receptor alvo podem fornecer um modelo a ser utilizado para pesquisar um grande n\u00famero de mol\u00e9culas e identificar o poss\u00edvel grupamento farmac\u00f3foro. Programas de \u201ccomputer-aided drug designer (CADD) s\u00e3o utilizados para desenhar estruturas inteiramente novas baseadas quer na estrutura base ou no s\u00edtio de liga\u00e7\u00e3o no receptor.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><strong>5.1 Fontes de estruturas guias<\/strong><\/div>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">As principais fontes de compostos base (ou guia) para a pesquisa e desenvolvimento de novos f\u00e1rmacos s\u00e3o: observa\u00e7\u00e3o de feitos adversos cl\u00ednicos ou farmacol\u00f3gicos, pesquisa aleat\u00f3ria, produtos naturais e o desenho racional de novo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">a) Efeitos adversos de f\u00e1rmacos<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">Muitas vezes os efeitos adversos inesperados de muitos f\u00e1rmacos podem ser a base para o desenvolvimento de compostos ou novas indica\u00e7\u00f5es terap\u00eauticas. Por exemplo, a isoniazida, cujo derivado isopropil, a iproniazida, apresentou efeitos centrais pronunciados, em particular a habilidade de suavizar o humor dos pacientes tuberculosos com severa depress\u00e3o. Isso levou ao uso da iproniazida coo antidepressivo e \u00e0 s\u00edntese de outros an\u00e1logos estruturais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">b) Pesquisa aleat\u00f3ria<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">A pesquisa de um grande n\u00famero de compostos diversos in vivo consome tempo, material e animais e tem sido criticada pela comunidade cient\u00edfica. Entretanto, os testes in vitro utilizam muito menos material, s\u00e3o r\u00e1pidos e tem sido parte integrante da pesquisa se novos f\u00e1rmacos nos diferentes programas de pesquisa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0 medida que os receptores e enzimas que desempenham papel chave em patologias s\u00e3o progressivamente identificados, eles se tornam os novos alvos para o desenvolvimento de f\u00e1rmacos.Os m\u00e9todos variam desde as t\u00e9cnicas bioqu\u00edmicas da inibi\u00e7\u00e3o enzim\u00e1tica, cultivo de tecidos e micro-organismos, s\u00edntese de pept\u00eddeos e t\u00e9cnicas de biologia molecular.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">c) Produtos naturais<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">O uso de produtos naturais data de s\u00e9culos e ainda hoje continua sendo uma importante fonte de compostos para uso terap\u00eautico. Os produtos naturais incluem compostos isolados e plantas, micro-organismos, organismos marinhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">d) F\u00e1rmacos pr\u00e9-existentes<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">Os f\u00e1rmacos atualmente utilizados na terap\u00eautica s\u00e3o pass\u00edveis de modifica\u00e7\u00f5es para o desenvolvimento de novos compostos, em geral buscando reduzir poss\u00edveis efeitos adversos, resist\u00eancia, aumentar sua efic\u00e1cia, tolerabilidade, etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">e) Patologia como modelo de pesquisa<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">A compreens\u00e3o do desenvolvimento de determinadas patologias e a obten\u00e7\u00e3o de modelos animais suscet\u00edveis t\u00eam permitido a descoberta de diversos compostos com potencial terap\u00eautico. De novo, a biologia molecular tamb\u00e9m tem contribu\u00eddo nesta \u00e1rea, fornecendo animais geneticamente modificados para servirem como modelo de pesquisa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">f) Mecanismos fisiol\u00f3gicos<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">A melhor compreens\u00e3o dos mecanismos fisiol\u00f3gicos e de seus agonistas end\u00f3genos tem permitido a utiliza\u00e7\u00e3o de um enfoque mais racional e seletivo no desenvolvimento de novos f\u00e1rmacos.<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\"><em><strong>5.2 Macromol\u00e9culas como alvo para o desenvolvimento de f\u00e1rmacos<\/strong><\/em><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">A \u00eanfase para o \u201cdesenho racional de f\u00e1rmacos muito utilizado atualmente n\u00e3o significa que os outros m\u00e9todos citados acima sejam irracionais e infrut\u00edferos. Embora seja verdade que muitas grandes descobertas tenham sido quase acidentais, a grande maioria dos f\u00e1rmacos s\u00e3o originados dos melhores procedimentos cient\u00edficos do per\u00edodo em que foram desenvolvidos. Da mesma forma que, na atualidade, o desenvolvimento de novos f\u00e1rmacos baseia-se em estudos de simula\u00e7\u00f5es em computador \u00e0 medida que mais e mais novos receptores t\u00eam suas estruturas resolvidas.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Muitos compostos interagem com prote\u00ednas, quer via enzimas, quer via receptores proteicos; os \u00e1cidos nucleicos e carboidratos s\u00e3o alvos secund\u00e1rios, pelo menos em n\u00famero. O isolamento e caracteriza\u00e7\u00e3o de prote\u00ednas, como mencionado anteriormente, teve maior impulso com as t\u00e9cnicas de biologia molecular, pois permitiram a obten\u00e7\u00e3o de grandes quantidades de material originalmente escasso na c\u00e9lula.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Embora seja relativamente f\u00e1cil atualmente, clonar um gene espec\u00edfico e a partir deste predizer a sequ\u00eancia polipept\u00eddica prim\u00e1ria, a predi\u00e7\u00e3o das estruturas secund\u00e1ria e terci\u00e1ria e porque n\u00e3o, quatern\u00e1ria, ainda permanece como um problema insol\u00favel. O pouco que se consegue atualmente \u00e9 a modelagem a partir de prote\u00ednas hom\u00f3logas com estruturas j\u00e1 determinadas. A determina\u00e7\u00e3o da estrutura tridimensional mais precisa \u00e9 obtida atrav\u00e9s das t\u00e9cnicas de cristalografia de raios X e NMR. Devido \u00e0s dificuldades de cristaliza\u00e7\u00e3o das mais diferentes prote\u00ednas e limita\u00e7\u00f5es das t\u00e9cnicas de NMR, o n\u00famero de estruturas resolvidas \u00e9 muito inferior ao n\u00famero de sequ\u00eancias prim\u00e1rias depositadas nos bancos de dados.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><em><strong>5.3 Modelagem das intera\u00e7\u00f5es f\u00e1rmaco-receptor<\/strong><\/em><\/div>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">As t\u00e9cnicas de qu\u00edmica computacional (modelagem) s\u00e3o de extremo valor. Entretanto, nas intera\u00e7\u00f5es f\u00e1rmaco-receptor, deve ser levado em conta os efeitos de solvente e for\u00e7as interativas adicionais. Isto faz com que a complexidade dos c\u00e1lculos aumente em uma ordem de magnitude.<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">Um c\u00e1lculo complexo dos processos de liga\u00e7\u00e3o produziria a energia libre de liga\u00e7\u00e3o, reduzida a termos de entalpia e entropia, e levaria em conta a intera\u00e7\u00e3o de atra\u00e7\u00e3o e repuls\u00e3o que dependem da forma e potencial eletrost\u00e1tico da superf\u00edcie das mol\u00e9culas. As for\u00e7as consideradas incluem: intera\u00e7\u00f5es \u00edon-\u00edon, \u00edon-dipolo, pontes de hidrog\u00eanio, polariza\u00e7\u00e3o, transfer\u00eancia de carga, intera\u00e7\u00f5es de van der Waals, perda de entropia rotacional e trnaslacional, e intera\u00e7\u00f5es hidrof\u00f3bicas. A import\u00e2ncia relativa de cada for\u00e7a depende da natureza das esp\u00e9cies envolvidas.Outra t\u00e9cnica leva em conta o m\u00e9todo de perturba\u00e7\u00e3o da energia livre (FEP) e pode ser usado para calcular alguns valores precisos para diferen\u00e7as nas energias de liga\u00e7\u00e3o de compostos similares no mesmo receptor.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><em><strong>5.4 Otimiza\u00e7\u00e3o de estruturas guia ou prot\u00f3tipos<\/strong><\/em><\/div>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">Diversos fatores devem ser levados em conta para a otimiza\u00e7\u00e3o da atividade de um f\u00e1rmaco em potencial, desde aspectos f\u00edsico-qu\u00edmicos, at\u00e9 aspectos qu\u00e2nticos. Mudan\u00e7as na estrutura causam altera\u00e7\u00f5es em um n\u00famero de propriedades f\u00edsicas e f\u00edsico-qu\u00edmicas de uma \u00fanica vez, tornando dif\u00edcil identificar qual destas propriedades \u00e9 a mais prov\u00e1vel de controlar a atividade do composto. Abaixo est\u00e3o listados alguns processos de an\u00e1lise.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-23644\" src=\"http:\/\/antonini.med.br\/home\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/spartan_ssSimilarity.jpg\" alt=\"S\" width=\"500\" height=\"335\" srcset=\"https:\/\/antonini.psc.br\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/spartan_ssSimilarity.jpg 500w, https:\/\/antonini.psc.br\/wp-content\/uploads\/2014\/08\/spartan_ssSimilarity-300x201.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">a) Rela\u00e7\u00f5es de energia libre linear: coeficiente de parti\u00e7\u00e3o, efeitos eletr\u00f4nicos, efeitos est\u00e9ricos.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">b) An\u00e1lise de Hansch.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">c) An\u00e1lise de Topliss.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">d) M\u00e9todo de substitui\u00e7\u00e3o em lote.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">e) M\u00e9todo de Free-Wilson.<\/p>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">f) M\u00e9todos estat\u00edsticos: t\u00e9cnica de reconhecimento padr\u00e3o, m\u00e9todos de correla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\"><strong>6. Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/div>\n<p dir=\"ltr\" style=\"text-align: justify;\">BRUNTON, L. L. et all. Goodman &amp; Gilman: <strong>As Bases Farmacol\u00f3gicas da Terap\u00eautica<\/strong>. 11\u00aa Ed. Porto Alegre: Artmed, 2010.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">KING, F.D. <strong>Medical chemistry: principles and pratice.<\/strong> Cambridge: The Royal Society of chemistry, 199. 313p.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">TAYLOR, J. B.; KENNEWELL, P. \u00ba. <strong>Modern medicinal chemistry.<\/strong> New York : Ellis Horwood, 1993. 290p.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">[<a href=\"javascript:history.go(-1)\">Voltar<\/a>]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>1. 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