{"id":237,"date":"2008-10-31T09:48:12","date_gmt":"2008-10-31T12:48:12","guid":{"rendered":"http:\/\/www.antonini.med.br\/blog\/?p=237"},"modified":"2025-08-21T21:47:26","modified_gmt":"2025-08-21T21:47:26","slug":"recordacoes-de-vidas-passadas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonini.psc.br\/?p=237","title":{"rendered":"Recorda\u00e7\u00f5es de vidas passadas"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Uma teoria embasada na gen\u00e9tica molecular.<!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 comum que cidad\u00e3os leigos assistam, nos canais de comunica\u00e7\u00e3o de massa, a reportagens onde se discute e at\u00e9 se demonstra regress\u00f5es a vidas ou encarna\u00e7\u00f5es passadas, muitas das quais mostrando psic\u00f3logos hipnotizando pacientes e fazendo com que eles descubram, em sua vida passada ou em sua \u201coutra encarna\u00e7\u00e3o\u201d, as causas para os males que os afligem no momento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muitos acreditam piamente na reencarna\u00e7\u00e3o, encarando-a como um dogma intang\u00edvel e inintelig\u00edvel, enquanto uma grande parcela dos ouvintes e da pr\u00f3pria popula\u00e7\u00e3o prefere n\u00e3o discuti-la.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os grandes estudiosos do Espiritismo admitem que, ao falecer uma pessoa, sua alma se desprende do corpo e reencarna em outro que est\u00e1 sendo gerado pela fecunda\u00e7\u00e3o naquele exato momento. Ou ent\u00e3o, a alma fica vagando por um espa\u00e7o ou por um tempo at\u00e9 que lhe seja destinado um corpo apropriado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Se essa teoria for verdadeira, a regress\u00e3o a vidas passadas se baseia, ent\u00e3o, na exist\u00eancia de uma alma imortal que passa de corpo em corpo e de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s do tempo e do espa\u00e7o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No entanto, se a teoria esp\u00edrita n\u00e3o for verdadeira, e n\u00e3o \u00e9 isso o que se est\u00e1 discutindo aqui, ainda assim \u00e9 poss\u00edvel admitir que certas recorda\u00e7\u00f5es e lembran\u00e7as que ocorram durante o sono ou em uma sess\u00e3o de hipnose possam ser frutos de outras vidas, de outros corpos em outros tempos. Para se pensar nisso, basta analisar a teoria da estrutura do DNA proposta por J. D. Watson e F. H. C. Crick em 1953, na qual apregoavam que o DNA seria formado por duas cadeias polinucleot\u00eddicas complementares que se enovelavam uma na outra, assumindo a forma de uma dupla h\u00e9lice.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cada uma dessas cadeias era constitu\u00edda por uma sequ\u00eancia de nucleot\u00eddeos. Cada nucleot\u00eddeo, por sua vez, era constitu\u00eddo por uma base nitrogenada (purina ou pirimidina) ligada a uma pentose (desoxirribose) e a um grupo fosfato (PO<sub>4<\/sub>). Esses nucleot\u00eddeos estariam unidos por uma liga\u00e7\u00e3o fosfodi\u00e9ster que os uniria \u00e0s pentoses de nucleot\u00eddeos adjacentes. As duas cadeias de polinucleot\u00eddeos se manteriam ligadas por pontes de hidrog\u00eanio que uniriam as bases nitrogenadas da cadeia oposta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse modelo permitiu concluir que a duplica\u00e7\u00e3o do DNA deveria ser resultante de um mecanismo aparentemente simples. Duas hip\u00f3teses foram elaboradas para explicar esse mecanismo:<\/p>\n<ol>\n<li style=\"text-align: justify;\">Hip\u00f3tese da duplica\u00e7\u00e3o conservativa: Admitia que a dupla h\u00e9lice original de algum modo orientava a forma\u00e7\u00e3o de uma nova mol\u00e9cula, mantendo-se intacta. Assim, ap\u00f3s a duplica\u00e7\u00e3o, ter-se-ia uma mol\u00e9cula velha e uma nova de DNA.<\/li>\n<li style=\"text-align: justify;\">Hip\u00f3tese semiconservativa: Afirmava que, se o DNA era composto por duas fitas complementares, podia-se supor que cada uma delas funcionava como molde para a confec\u00e7\u00e3o de uma nova fita complementar, depois que fossem rompidas as pontes de hidrog\u00eanio que ligavam os nucleot\u00eddeos de ambas as fitas.<\/li>\n<\/ol>\n<p style=\"text-align: justify;\">A segunda hip\u00f3tese prevaleceu quando, em 1958, Meselson &amp; Stahl publicaram os resultados de uma pesquisa cuja finalidade era esclarecer qual das duas hip\u00f3teses explicava melhor a duplica\u00e7\u00e3o do DNA.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cepas de bact\u00e9rias Escherichia coli foram cultivadas por v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es em meio de cultura contendo o is\u00f3topo N15 (nitrog\u00eanio 15), mais pesado que o nitrog\u00eanio normal (N14). Como as bases nitrogenadas incorporam o nitrog\u00eanio do meio para compor suas mol\u00e9culas, o DNA das c\u00e9lulas cultivadas naquele meio (N15) ter\u00e1 densidade maior que o das cultivadas em meio de nitrog\u00eanio normal (N14). Em seguida, as bact\u00e9rias marcadas com N15 foram colocadas para crescer em meio contendo nitrog\u00eanio normal (N14). Quando submetidas \u00e0 centrifuga\u00e7\u00e3o em gradientes de equil\u00edbrio por densidade, a duplica\u00e7\u00e3o conservativa apresentaria mol\u00e9culas com dois gradientes de densidade: uma mais pesada (N15\/N15) e outra mais leve (N14\/N14). Por outro lado, a duplica\u00e7\u00e3o semiconservativa formaria mol\u00e9culas com um \u00fanico gradiente de densidade (N14\/N15).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os resultados do experimento de Meselson &amp; Stahl mostraram-se compat\u00edveis com a hip\u00f3tese da duplica\u00e7\u00e3o semiconservativa, pois, ao final de algum tempo de experimenta\u00e7\u00e3o, obtinham-se apenas mol\u00e9culas com gradiente de densidade N14\/N15, n\u00e3o aparecendo mol\u00e9culas com outros gradientes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Assim, pode-se dizer de maneira simplificada que as duas fitas da mol\u00e9cula original se separam e cada uma copiar\u00e1 uma fita nova complementar. As duas mol\u00e9culas resultantes da duplica\u00e7\u00e3o s\u00e3o formadas por uma fita nova e uma fita velha. Nessas fitas velhas podem estar contidas todas as informa\u00e7\u00f5es da c\u00e9lula que as originou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A quest\u00e3o \u00e9 justamente essa: se o DNA se duplica de maneira semiconservativa, formando uma nova mol\u00e9cula que cont\u00e9m uma fita nova e uma velha, ent\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel que essa fita velha contenha as informa\u00e7\u00f5es que codifiquem a forma\u00e7\u00e3o dos n\u00facleos cerebrais e possua c\u00f3digos de mem\u00f3ria visual, auditiva e cognitiva, ou de situa\u00e7\u00f5es vividas por outra ou at\u00e9 outras pessoas que j\u00e1 a tenham recebido em outras fecunda\u00e7\u00f5es. Essa cadeia velha pode chegar a um determinado espermatozoide que a recebeu durante a espermiog\u00eanese, podendo inseri-la no ov\u00f3cito no momento da fecunda\u00e7\u00e3o e, durante o pareamento dos cromossomos hom\u00f3logos, a fita velha pode voltar a formar os n\u00facleos da base cerebral, reimplantando as informa\u00e7\u00f5es de outras vidas que ela esteja trazendo e, com isso, ao ser submetido a uma hipnose ou ent\u00e3o durante um sonho, a pessoa pode se lembrar de coisas que outras pessoas possam ter vivido em outras vidas.<\/p>\n<p><strong>\u2022 Mas ent\u00e3o, onde estas fitas poderiam se implantar?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na escala evolutiva, o sistema nervoso dos animais se desenvolve a partir dos por\u00edferos (esponjas marinhas), nos quais j\u00e1 existe um \u201csistema nervoso\u201d constitu\u00eddo por nodos sensitivos dispersos pelo corpo do animal e interligados por feixes nervosos muito parecidos com os nervos dos animais superiores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os primeiros animais a apresentar um sistema nervoso central s\u00e3o os peixes, j\u00e1 entre os cordados (animais que apresentam a notocorda, mesmo que apenas na fase embrion\u00e1ria, como no caso dos humanos).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos peixes aparece apenas o arquic\u00f3rtex, que comanda todas as fun\u00e7\u00f5es org\u00e2nicas e instintivas do animal, sendo estas transmitidas atrav\u00e9s do gen\u00f3tipo dos pais aos alevinos (contradizendo a velha express\u00e3o \u201cfilho de peixe, peixinho \u00e9\u201d; na verdade, \u201cfilho do peixe, alevino \u00e9\u201d).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nos anf\u00edbios j\u00e1 aparece o paleoc\u00f3rtex e nos r\u00e9pteis j\u00e1 podem ser encontrados tra\u00e7os de neoc\u00f3rtex. Nas aves o neoc\u00f3rtex \u00e9 um pouco mais evidente e nos mam\u00edferos ele preenche grande parte dos hemisf\u00e9rios cerebrais. No homem, o arquic\u00f3rtex aparece no hipocampo, o paleoc\u00f3rtex no giro para-hipocampal, enquanto o neoc\u00f3rtex preenche as demais regi\u00f5es do c\u00e9rebro, indo desde o giro do c\u00edngulo (centro das emo\u00e7\u00f5es e comportamentos cognitivos) at\u00e9 a zona cortical exterior, onde s\u00e3o comandados os sentidos (tato = giro pr\u00e9-central; dor, frio, calor, etc. = giro p\u00f3s-central; audi\u00e7\u00e3o = giro temporal; fala = giro frontal; vis\u00e3o = giro occipital).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Est\u00e1 provado que o arquic\u00f3rtex est\u00e1 envolvido com os comportamentos instintivos, que s\u00e3o transmitidos geneticamente, pois s\u00e3o inerentes a uma esp\u00e9cie \u2014 a humana, no caso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O paleoc\u00f3rtex lida com informa\u00e7\u00f5es mistas, tanto aprendidas como transmitidas geneticamente, e o neoc\u00f3rtex lida essencialmente com informa\u00e7\u00f5es aprendidas, sendo nessa zona do c\u00e9rebro que se processam os est\u00edmulos el\u00e9tricos eliciadores dos movimentos que dependem do aprendizado (agarrar, soltar, correr, bater, escrever, pensar, racionalizar, raciocinar), bem como est\u00e1 envolvido tamb\u00e9m com a percep\u00e7\u00e3o da dor, do frio, do tato, e etc. Poder\u00edamos facilmente dividir o c\u00e9rebro humano da seguinte forma, utilizando as teorias da psican\u00e1lise, o Behaviorismo, a bioenerg\u00e9tica e demais \u00e1reas da psicologia:<\/p>\n<ul>\n<li>Arquic\u00f3rtex = inconsciente.<\/li>\n<li>Paleoc\u00f3rtex = pr\u00e9-consciente.<\/li>\n<li>Neoc\u00f3rtex = consciente.<\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: justify;\">Observando um bom livro de neuroanatomia, poder-se-\u00e1 notar que o hipocampo se comunica com o parahipocampo atrav\u00e9s da f\u00edmbria do hipocampo, e o parahipocampo se comunica com o giro do c\u00edngulo atrav\u00e9s do istmo do giro do c\u00edngulo.<\/p>\n<p>[singlepic id=4417 w=320 h=240 float=center]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pois bem, as lembran\u00e7as mais profundas, aquelas que marcam a vida das pessoas e tamb\u00e9m aquelas ditas como &#8220;de outras encarna\u00e7\u00f5es&#8221;, ficam armazenadas no inconsciente e, portanto, no arquic\u00f3rtex. Mas eis que o ser humano desenvolveu seu c\u00e9rebro, assim como os outros animais, a partir do arquic\u00f3rtex, em dire\u00e7\u00e3o ao neoc\u00f3rtex, sendo essa a diferen\u00e7a principal entre o animal humano, o Homo sapiens sapiens, e os demais animais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como \u00e9 o arquic\u00f3rtex quem comanda os instintos e os comportamentos inatos de sobreviv\u00eancia, e sendo ele tamb\u00e9m programado apenas a partir de informa\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas, ele pode simplesmente trazer as fitas cromoss\u00f4micas que cont\u00eam c\u00f3digos de mem\u00f3rias de situa\u00e7\u00f5es vividas por ancestrais em outras vidas, n\u00e3o se devendo confundir com outras &#8220;encarna\u00e7\u00f5es&#8221; do ponto de vista esp\u00edrita.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro ponto que refor\u00e7a esta teoria \u00e9 o fato de o indiv\u00edduo, ao nascer, j\u00e1 possuir comportamentos instintivos e inatos, como sugar, chorar, etc., observados por Weismann em 1883, quando este formulou sua Teoria da Continuidade do Plasma Germinativo, na qual defendia que os pais transmitiam seu \u201cplasma germinativo \u2014 a parte imortal dos seres vivos\u201d aos filhos via gametas sexuais. Sabe-se atualmente que o plasma germinativo de Weismann nada mais \u00e9 que os cromossomos sexuais do homem ou da mulher.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O exposto \u00e9 apenas uma teoria que fica aberta \u00e0 discuss\u00e3o de todos os interessados.<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias Bibliogr\u00e1ficas<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">GARDNER, E., SNUSTAD, D. P. Gen\u00e9tica. 7a ed. Rio de Janeiro: Ed. Guanabara, 1986.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">LESSNAU, R. Estrutura do DNA. In: Natureza e Fun\u00e7\u00e3o do Material Gen\u00e9tico. Curitiba : Editora da UFPR, 1996. (software)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">LESSNAU, R. A Duplica\u00e7\u00e3o do DNA. In : Natureza e Fun\u00e7\u00e3o do Material Gen\u00e9tico. Curitiba : Editora da UFPR, 1996. (software)<\/p>\n<p>Vladimir Antonini<\/p>\n<div>Curirtiba, 12 de dezembro de 1997<\/div>\n<div>Copyright \u00a9 por Vladimir Antonini Todos os direitos reservados.<\/div>\n<p style=\"text-align: center;\">[<a href=\"javascript:history.go(-1)\">Voltar<\/a>]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma teoria embasada na gen\u00e9tica molecular.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[122],"tags":[],"class_list":["post-237","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-saude-mental"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/237","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=237"}],"version-history":[{"count":5,"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/237\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":74499,"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/237\/revisions\/74499"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=237"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=237"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=237"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}