{"id":26018,"date":"2003-08-16T19:51:49","date_gmt":"2003-08-16T19:51:49","guid":{"rendered":"http:\/\/antonini.com.br\/?p=26018"},"modified":"2022-02-15T03:30:16","modified_gmt":"2022-02-15T03:30:16","slug":"historia-do-linux","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonini.psc.br\/?p=26018","title":{"rendered":"Hist\u00f3ria do Linux"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O Linux \u00e9 um fen\u00f4meno<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Nenhum outro sistema operacional deu tanto o que falar nos \u00faltimos anos.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">At\u00e9 meados dos anos 90, quem comprava um computador pessoal tinha de escolher entre um PC rodando DOS e Windows ou um Macintosh.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">A vers\u00e3o do Unix para PC e o OS\/2 da IBM contavam com seus adeptos, mas nunca se tornaram realmente populares. E, qualquer que fosse a escolha, o usu\u00e1rio pagava por ela. O Linux mudou tudo isso e virou mercado de software pelo avesso.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Criado em 1991 por no Linus Torvalds, um estudante finland\u00eas que tinha na programa\u00e7\u00e3o de computadores seu passatempo predileto, o Linux logo se espalhou pelo mundo. Desenvolvido cooperativamente por programadores de muitos pa\u00edses, esse sistema operacional popularizou o conceito de software livre. Pode ser obtido de gra\u00e7a na internet. Quem sabe programar pode modific\u00e1-lo para que atenda melhor as suas necessidades, algo impens\u00e1vel com os softwares comerciais.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Empresas e usu\u00e1rios individuais usando o Linux sem pagar nenhuma licen\u00e7a de uso. Companhias distribuidoras \u2013 como Red Hat, Conectiva, SuSE, Oracle, VMware \u2013 ganham dinheiro vendendo CDs com software, manuais, suporte t\u00e9cnico, cursos e servi\u00e7os de consultoria. Um \u00fanico CD com Linux pode ser usado para instalar o software em centenas de computadores. \u00c9 completamente diferente do que acontece com os softwares comerciais, que exigem pagamento de uma licen\u00e7a para cada m\u00e1quina em que ser\u00e3o instalados. \u00c9 a revolu\u00e7\u00e3o do software livre.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">O mundo do pinguim tem seus her\u00f3is, como John \u201cMaddod\u201d Hall,. Fundador da Organiza\u00e7\u00e3o Linux Internacional. Maddod, um incans\u00e1vel divulgador do software livre, j\u00e1 esteve v\u00e1rias vezes realizando palestras no Brasil. \u201d Desenvolver software n\u00e3o envolve apenas tempo de estudo no desenvolvimento em si. \u00c9 preciso ter tempo para identificar os bugs do seu sistema e consert\u00e1-los voc\u00ea mesmo. Isso o software fechado n\u00e3o permite. \u00c9 o seu maior problema\u201d, afirma ele.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">A fama do Linux, comprovada, \u00e9 de ser um sistema operacional eficiente, capaz de rodar com bom desempenho mesmo em micros um pouco de antiquados. Tamb\u00e9m tem escalabilidade, ou seja, suas v\u00e1rias vers\u00f5es rodam em m\u00e1quinas que v\u00e3o desde dispositivos de bolso at\u00e9 um grande mainframe. O fato de ser um sistema em que programadores podem alterar e melhorar o software permite corrigir rapidamente as falhas e manter o sistema em cont\u00ednua evolu\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">No in\u00edcio, o termo Linux referia-se apenas ao kernel, a parte central do sistema operacional. Com o tempo, passou a identificar, al\u00e9m do kernel, uma cole\u00e7\u00e3o de utilit\u00e1rios e aplicativos que rodam sobre este n\u00facleo. Essas cole\u00e7\u00f5es s\u00e3o chamados de distribui\u00e7\u00f5es. S\u00e3o as vers\u00f5es empacotadas do Linux. Al\u00e9m do sistema operacional propriamente dito, trazem coisas como ferramentas para administra\u00e7\u00e3o do sistema, desenvolvimento de aplicativos, interfaces gr\u00e1ficas para o usu\u00e1rio e servidores para internet. H\u00e1 dezenas de distribui\u00e7\u00f5es do Linux, cada um uma com uma sele\u00e7\u00e3o de softwares feita por seu respectivo fabricante.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">O trabalho desses fabricantes tornou o Linux mais f\u00e1cil de instalar e de usar. \u00c9 mais pr\u00e1tico encontrar todos os programas b\u00e1sicos num mesmo CD que ficar baixando arquivos isolados na internet. Empresas como Conectiva, Red Hat e SuSE, bem como a Funda\u00e7\u00e3o Debian, criaram, por exemplo, utilit\u00e1rios de instala\u00e7\u00e3o que j\u00e1 preveem a possibilidade de instalar o Linux junto com outro sistema operacional, como o Windows, no mesmo PC. Isso permite experimentar o Linux sem eliminar totalmente o sistema antigo do micro.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong style=\"line-height: 1.5;\"><span style=\"font-weight: 400;\">As distribuidoras trocam informa\u00e7\u00f5es entre si para evitar problemas de incompatibilidade, como um aplicativo de uma distribui\u00e7\u00e3o n\u00e3o funcionar em outra, por exemplo. Esses problemas ainda acontecem, mas tem se tornado menos frequentes. O kernel tem sempre um mantenedor, o respons\u00e1vel por aprovar cada aperfei\u00e7oamento. Isso garante que, pelo menos no n\u00facleo do sistema, n\u00e3o v\u00e3o aparecer vers\u00f5es conflitantes. O primeiro mantenedor foi Linus Torvalds, o segundo, o ingl\u00eas Alan Cox. No fim do ano passado (ano 2000), os dois escolheram o brasileiro Marcelo Tosatti, 18 anos, para cuidar da vers\u00e3o est\u00e1vel do Linux, ou seja aquela que j\u00e1 est\u00e1 em uso (vers\u00e3o 2.4.X). Entre suas miss\u00f5es est\u00e3o selecionar as corre\u00e7\u00f5es que podem ser implementadas no sistema e tornar o Linux compat\u00edvel com novos computadores e perif\u00e9ricos. Torvalds e Cox continuam respons\u00e1veis por supervisionar as vers\u00f5es do kernel que ainda est\u00e3o em desenvolvimento.<\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong style=\"line-height: 1.5;\">O software que veio do frio<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Era uma vez um jovem estudante de computa\u00e7\u00e3o da Universidade de Helsinque, na Finl\u00e2ndia. Para sua pr\u00f3pria divers\u00e3o, em seu quarto com cortinas que protegiam do sol (mesmo morando num pa\u00eds notavelmente frio), achou que seria uma tarefa interessante melhorar o Minix, uma varia\u00e7\u00e3o do sistema operacional Unix concebido para fins did\u00e1ticos. Colocou a id\u00e9ia em pr\u00e1tica com a ajuda de internautas de todo o mundo e acabou criando um novo sistema operacional, o Linux. Sua cria\u00e7\u00e3o mudou o mundo da tecnologia e popularizou o conceito de software livre. Bem, a hist\u00f3ria do Linux n\u00e3o \u00e9 um conto de fadas, mas prova que um patinho feio como Linus Torvalds pode, sim, ter sucesso.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Linus Torvalds nasceu em 28 de dezembro de 1969 e, como ele mesmo se descreve em sua autobiografia \u2013 S\u00f3 por Prazer \u2013 Linux, os Bastidores da sua Cria\u00e7\u00e3o, escrita em parceria com o jornalista David Diamond -, era uma crian\u00e7a feia, de cabelos castanhos (no Brasil, seria considerado loiro), com olhos azuis, sem o menor gosto para escolher roupas e com o tradicional nariz dos Torvalds. Segundo ele, h\u00e1 mais nariz do que homens em tr\u00eas gera\u00e7\u00f5es da fam\u00edlia.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.5;\">&nbsp;<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Por ser g\u00eanio da matem\u00e1tica, na escola e tirar boas notas, cresceu e aceitou o fato de ser um nerd, muito antes de isso ser considerado um ponto positivo na personalidade de algu\u00e9m. O sobrenome Torvalds veio de uma corruptela do sobrenome do av\u00f4 paterno. Torvald (\u201cdom\u00ednio de Thor\u201d), que adicionou um \u201cs\u201d para tornar o nome mais sonoro e confundir suecos e finlandeses, que n\u00e3o tem dificuldade para pronunciar a palavra do jeito que ela \u00e9 atualmente. Por causa do sobrenome estranho, ele sempre aparece na internet como Linus, n\u00e3o como Torvalds \u2013 ele afirma que s\u00e3o 21 Torvalds em todo o mundo, e todos s\u00e3o parentes.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.5;\">&nbsp;<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Foi por meio do seu av\u00f4 materno, Leo Waldemar Tornqvist, professor de estat\u00edstica da Universidade de Helsinque, que Torvalds teve o primeiro contato com computadores. Quer dizer, primeiro foi a calculadora que piscava ao calcular senos e cossenos. Depois veio um Commodore VIC-20, em 1981. \u201cO interesse pela inform\u00e1tica come\u00e7ou devagar, e foi crescendo em mim\u201d. Afirma Torvalds. Ele via o av\u00f4 usando o computador, primeiro como um grande brinquedo, depois como uma calculadora melhorada. Ent\u00e3o veio a linguagem Basic, a porta de entrada que levou Torvalds ao mundo da programa\u00e7\u00e3o. Um dos primeiros programas escritos por ele cumpria a incr\u00edvel tarefa de mostrar a palavra \u201cHello\u201d na tela, infinitamente. Tinha duas linhas de c\u00f3digo:<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.5;\">&nbsp;<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">10 print \u201cHello\u201d<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">20 goto 10<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Depois a frase mudou para \u201cSara is the Best\u201d (Sara \u00e9 a melhor) para homenagear a irm\u00e3 mais nova, com quem brigava bastante.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-weight: 400;\">Com a morte do av\u00f4, o Commodore passou a ser de Linus. Chegou um momento em que sua m\u00e3e, jornalista, assim como o pai, dizia aos amigos que tinha um filho com baixo custo de manuten\u00e7\u00e3o em casa. Para deix\u00e1-lo feliz bastava guard\u00e1-lo em um quarto escuro com um computador e ocasionalmente aliment\u00e1-lo com macarr\u00e3o velho. Linus afirma que os computadores de sua \u00e9poca, por serem menos sofisticados, permitiam \u00e0s crian\u00e7as como ele fu\u00e7ar nos sistemas, o que n\u00e3o ocorre hoje. E os joguinhos eram uma forma de demonstrar isso. Eram feitos sempre em seu quarto com cortinas pretas, uma cama e, ao lado dela, o computador. Contatos com garotas? S\u00f3 aquelas do col\u00e9gio que queriam aprender com o g\u00eanio da matem\u00e1tica. \u201cSim, eu era um geek. Sentava na frente do micro e ficava feliz\u201d.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"line-height: 1.5;\"><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400;\">Assim que esgotou os recursos do Commodore VIC-20, Linus Torvalds decidiu que era hora de comprar um novo computador. Ele faz aniivers\u00e1rio pr\u00f3ximo do Natal. Na adolesc\u00eancia ganhava dinheiro dos parentes. Juntou mais alguns trocados e optou por comprar um Sinclair QL (isso por volta de 1986\/87), que rodava o sistema operacional Q-DOS, tinha processador 6808 de 8 MHz, 128 Kbytes de mem\u00f3ria e vinha com Basic avan\u00e7ado \u2013 mas nessa \u00e9poca Linus j\u00e1 dominava programa\u00e7\u00e3o em Assembly. Nada modesto, ele diz que os programas que escrevia, nesta \u00e9poca, j\u00e1 eram perfeitos: \u201cComprei um controlador de disquetes, mas o Driver para ele era t\u00e3o ruim que acabei escrevendo meu pr\u00f3prio. Nesse processo, encontrei bugs no sistema operacional, ou pelo menos uma discrep\u00e2ncia entre o que a documenta\u00e7\u00e3o dizia e o que o sistema fazia\u201d, relata em s\u00f3 por prazer. Foi assim que Torvalds mergulhou de cabe\u00e7a no mundo dos sistemas operacionais, uma aventura que acabaria por lev\u00e1-lo a desenvolver seu pr\u00f3prio sistema, o Linux.<\/span>.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Minix ou Linux?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando entrou na universidade em 1990, o computador de Linus era um velho Sinclair QL. Mas, nesta \u00e9poca, os PCs 386 j\u00e1 eram micros atraentes. Fazendo tudo o que Sinclair fazia e eram produzidos em massa, logo, tinham um pre\u00e7o menor. Linux come\u00e7ou a se desfazer do Sinclair aos poucos, ele pensava que seria divertido comprar uma nova CPU, apesar de n\u00e3o ter dinheiro. Nessa mesma \u00e9poca ele conheceu o livro que mudaria sua vida para sempre e, um tempo depois, o faria ter uma discuss\u00e3o (via Internet, claro) com o autor. O livro era \u201cSistemas Operacionais: projeto e implanta\u00e7\u00e3o\u201d, de Andrew Tanenbaum, professor em Amsterd\u00e3. A obra descrevia o Minix, projeto criado pelo autor para ser um clone do Unix. Ap\u00f3s devorar as 719 p\u00e1ginas, Linus decidiu que queria um computador para rodar Unix. Apesar de a universidade ter m\u00e1quinas rodando Unix e a partir daquele semestre ter um professor t\u00e3o novato quanto os alunos no assunto, a vers\u00e3o escolhida para brincar em casa seria o Minix, mesmo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Chega 1991 e Linus quer comprar um computador que 3500 d\u00f3lares. O dinheiro recebido no anivers\u00e1rio\/Natal n\u00e3o dava para isso, mas era poss\u00edvel financiar o micro, de topo de linha. Ele descreve o computador, que chegou em 5 de janeiro: &#8220;N\u00e3o apenas \u00e9 um micro sem nome, mas tamb\u00e9m sem descri\u00e7\u00e3o. Era um bloco cinza b\u00e1sico. N\u00e3o comprei esse computador porque era bonitinho&#8221;. O micro funcionava a 33 MHz, tinha 4 MB de mem\u00f3ria RAM e rodava MS-DOS. Na livraria local havia um livro sobre Minix, mas o programa teria de ser encomendado. Um m\u00eas de espera soou como seis anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Minix chegou numa sexta-feira, e Linus passou o final de semana inteiro descobrindo do que gostava e, principalmente, do que n\u00e3o gostavam do sistema operacional. O emulador de terminal era um ponto que o irritava, pois precisava se conectar ao computador da universidade e a vers\u00e3o criada por Tanembaum n\u00e3o era das melhores. E era inverno na gelada Helsinque. Linus resolveu melhorar o emulador de terminal, mas como n\u00e3o conseguiu, lan\u00e7ou-se \u00e0 tarefa de projetar e escrever seu pr\u00f3prio terminal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O projeto do emulador cresceu. J\u00e1 dava para se conectar com o computador da universidade, ler e-mails e participar do grupo de discuss\u00e3o sobre Minix, mas n\u00e3o para fazer a upload ou download e para isso, precisava gravar os dados em disco. Logo, teria de criar um sistema de gerenciamento de arquivos. Isso deu trabalho, mas ele j\u00e1 via que o projeto se tornaria um sistema operacional. Linux afirma que n\u00e3o se lembra se era dia ou noite quando teve essa id\u00e9ia, afinal as cortinas cobriam a luz solar. Em 3 de julho, ele envia uma mensagem para um grupo de discuss\u00e3o na Internet pedindo informa\u00e7\u00f5es sobre regras Posix &#8211; padr\u00f5es que definem o funcionamento do Unix, e a resposta estava na sua pr\u00f3pria universidade, em manuais da Sun Microsystems. Come\u00e7ava a nascer o Linux.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>GNU n\u00e3o \u00e9 Unix<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No princ\u00edpio, era o Unix. O sistema operacional que a partir de 1969 foi a base de muita coisa que conhecemos hoje, incluindo o Linux. O Unix nasceu nos Laborat\u00f3rios Bell, da AT&amp;T, nos EUA. Em 1974, tornou-se um o primeiro sistema pr\u00f3ximo ao escrito em linguagem C. \u00c9 antes dele, o software b\u00e1sico do computador era sempre escritor em Assembly, linguagem espec\u00edfica para cada plataforma de hardware. O uso da linguagem C permitiu criar o primeiro sistema operacional port\u00e1vel, ou seja, capaz de rodar em diferentes computadores. O Unix foi, tamb\u00e9m, o primeiro sistema operacional totalmente modular. Isso permitiu acrescentar novas fun\u00e7\u00f5es a ele por meio de m\u00f3dulos adicionais. Com essas caracter\u00edsticas, o Unix pode evoluir junto com o hardware. \u00c9 significativo o fato de continuar fazendo sucesso 33 anos depois de criado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Unix espalhou-se por v\u00e1rias empresas e universidades, e ganhou muitas variantes. No in\u00edcio dos anos 70, Richards Stallman trabalhava como programador no laborat\u00f3rio de intelig\u00eancia artificial do instituto de tecnologia de Massachusetts (MIT). Ele j\u00e1 fazia parte de uma comunidade de troca de software. seu trabalho? Melhorar o sistema operacional do digital PDP-10 um supercomputador dos anos 70, que parou de ser fabricado no in\u00edcio dos anos 80. Com o fim do PDP-10, e da comunidade criada em torno dele, havia duas op\u00e7\u00f5es para Stallman. A primeira a entrar no mundo do software comercial, com suas licen\u00e7as de uso restritivas, e &#8220;Descobrir que, no final da carreira, teria passado a vida fazendo do mundo um lugar pior&#8221;, na vis\u00e3o do pr\u00f3prio Stallman. Ele cogitou at\u00e9 abandonar a profiss\u00e3o. A segunda possibilidade vislumbrada por ele era criar sua pr\u00f3pria comunidade e, por conseq\u00fc\u00eancia, um novo sistema operacional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto estava no MIT, os computadores modernos da \u00e9poca, como o VAX e o 68020, tinham seus pr\u00f3prios sistemas operacionais, mas nenhum software era livre. O usu\u00e1rio tinha de assinar um termo de compromisso para obter uma c\u00f3pia, sem poder compartilhar os programas livremente. Para mudar algo, teria de pedir ao desenvolvedor. Stallman n\u00e3o concordava com as regras do mercado e decidiu fazer um sistema compat\u00edvel com o Unix, pois isso tornaria f\u00e1cil, para os usu\u00e1rios de Unix us\u00e1-lo e modific\u00e1-lo. Em 1984, Stallman criou a Free Software Foundation (FSF). Seu objetivo era desenvolver o sistema operacional GNU, sigla que vem de &#8220;GNU n\u00e3o \u00e9 Unix&#8221;, nome ir\u00f4nico escolhido por uma tradi\u00e7\u00e3o hacker. A FSF nunca concluiu totalmente seu projeto. Mas Linus Torvalds usou muitos dos utilit\u00e1rios, ferramentas de desenvolvimento e aplicativos do GNU em seu Linux. Sem GNU, n\u00e3o existiria o Linux como o conhecemos hoje.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>O pinguim vira s\u00edmbolo<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por que um pinguim? A ideia surgiu com uma mordida de um deles no dedo de Linus, num zool\u00f3gico da Austr\u00e1lia. Depois disso, a ave, apelidada de Tux, virou s\u00edmbolo do sistema operacional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Linus descreve que pensava que o sistema operacional seria um substituto do Minix, com melhorias naquilo que ele achava ruim ou insuficiente. Quando viu, havia criado um shell, o termo UNIX para interface entre o usu\u00e1rio e o sistema operacional. E a primeira coisa que o kernel, o n\u00facleo do sistema criado por Linus, fazia era acionar o shell, que era um clone do Bourne Shell, um dos shells originais do Unix. Em meados de agosto, o shell estava pronto e com ele era f\u00e1cil criar e compilar outros programas. O ver\u00e3o na Finl\u00e2ndia estava no auge e Linus continuava trancado no quarto, chamando sistema secretamente de Linux, embora tivesse o nome Freax reservado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com a ajuda dos grupos de discuss\u00e3o na web, Linus pedia aos colegas que dissesse o que gostariam de ver no Minix, j\u00e1 que estava criando um sistema operacional como hobby para PCs. Em 17 de setembro de 1991, o shell funcionava e o Linux passava a ser distribu\u00eddo gratuitamente em um servidor da Internet. A vers\u00e3o era a 0.01, o que indicava que o software n\u00e3o estava t\u00e3o pronto assim. Eram cerca de 10.000 linhas de c\u00f3digo. Hoje, s\u00e3o mais de 10 milh\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em outubro, vem a vers\u00e3o 0.02, depois a 0.03. No m\u00eas de novembro o software j\u00e1 estava na vers\u00e3o 0.10. Os internautas apareciam com d\u00favidas para instalar e melhorar o sistema, que come\u00e7ava a fazer barulho na comunidade underground de tecnologia. &#8220;De repente, as pessoas come\u00e7avam a substituir o Minix pelo Linux&#8221;, relata Torvalds. O n\u00famero de usu\u00e1rios cresceu de 5, 10, 20 pessoas identific\u00e1veis a centenas de an\u00f4nimos que, a pedido do Linus, mandavam cart\u00f5es-postais para sua casa. Os cart\u00f5es chegavam do mundo inteiro. Da\u00ed para o reconhecimento e ado\u00e7\u00e3o mundial do Linux por empresas como IBM, e a cria\u00e7\u00e3o de companhias como Red Hat, VA Linux e tantas outras foi um pulo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Linus foi o primeiro desenvolvedor do Linux e ainda coordena os trabalhos. Depois dele, Alan Cox foi escolhido como guardi\u00e3o do pinguim e, no ano passado (2001) o brasileiro Marcelo Tosatti, de 18 anos, foi indicado para coordenar as atualiza\u00e7\u00f5es do kernel est\u00e1vel, ou seja, daquele que j\u00e1 est\u00e1 em uso. Torvalds e Cox continuam cuidando do desenvolvimento de novas vers\u00f5es. Se n\u00e3o fosse pelo esfor\u00e7o do estudante Linus Torvalds, talvez o mundo dos sistemas operacionais fosse um pouco mais inseguro em menos divertido. Hoje Linus trabalha na Transmeta, uma fabricante de chips. Mora no Vale do Sil\u00edcio, nos Estados Unidos e, como sua m\u00e3e previa, a m\u00e3e natureza fez seu servi\u00e7o: Linus casou-se com Tove, uma aluna que o convidou para sair por e-mail. Ele tem tr\u00eas filhas e uma BMW Z3. Se houvesse um conto de fadas geek, poder\u00edamos dizer que \u00e9 o primeiro do g\u00eanero, com um final at\u00e9 o momento feliz. Ou que est\u00e1 na vers\u00e3o 2.4. X, como o kernel do Linux.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Qual \u00e9 o nome mesmo?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para completar o sistema operacional Linux, Linus Torvalds e sua equipe usaram componentes desenvolvidos pela Free Software Foundation, como parte do projeto GNU, e isso causa uma confus\u00e3o de nomenclatura: se Linux \u00e9 o n\u00facleo, mas utilit\u00e1rios do GNU sustentam o software, porque n\u00e3o cham\u00e1-lo de GNU\/Linux? Pelo menos essa \u00e9 a vis\u00e3o de Richard Stallman, criador da FSF. &#8220;No in\u00edcio dos anos 90, j\u00e1 t\u00ednhamos ocupado todo o sistema, exceto o n\u00facleo (e n\u00f3s ainda estamos trabalhando num kernel, o GNU\/Hurd).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desenvolver esse n\u00facleo tem sido bem mais dif\u00edcil do que esper\u00e1vamos, e n\u00f3s ainda estamos trabalhando em sua finaliza\u00e7\u00e3o. Felizmente, voc\u00ea n\u00e3o precisa esperar por ele, por que o Linux e est\u00e1 funcionando agora. Quando Linus Torvalds escreveu o Linux, ele completou a \u00faltima grande lacuna&#8221;, explica Stallman. &#8220;Pessoas poder\u00e3o, ent\u00e3o, colocar o Linux junto com GNU para compor um sistema livre completo, um sistema GNU baseado em Linux, ou GNU\/Linux, para simplificar&#8221;, diz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa vis\u00e3o causa pol\u00eamica, claro. Grande parte da comunidade linuxista, apesar de n\u00e3o questionar a grande contribui\u00e7\u00e3o do GNU para o Linux, acha essa nomenclatura uma bobagem. Joe Kaplenk, especialista no assunto e autor de livros sobre sistemas operacionais, lembrou que, para fazer realmente justi\u00e7a, o Linux deveria se chamar GNU\/BSD\/AT&amp;T\/Unix\/Multics\/Minix\/Linux. Afinal, antes do GNU, j\u00e1 existia software livre. E o Linux incorpora, em suas distribui\u00e7\u00f5es, muita coisa do GNU, mas tamb\u00e9m muito software que n\u00e3o \u00e9&nbsp;GNU. Considerando tudo isso, o nome Linux est\u00e1 de bom tamanho, diz Kaplent.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">[<a href=\"javascript:history.go(-1)\">Voltar<\/a>]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Linux \u00e9 um fen\u00f4meno Nenhum outro sistema operacional deu tanto o que falar nos \u00faltimos anos. 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