{"id":3465,"date":"2009-05-01T12:00:47","date_gmt":"2009-05-01T15:00:47","guid":{"rendered":"http:\/\/antonini.med.br\/blog\/?p=3465"},"modified":"2022-02-15T03:29:21","modified_gmt":"2022-02-15T03:29:21","slug":"como-faziamos-sem-emprego","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonini.psc.br\/?p=3465","title":{"rendered":"Como Faz\u00edamos Sem&#8230; Emprego"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">No m\u00eas do trabalho, um especialsobre como era a vida antes de existirprofiss\u00e3o, direito trabalhista e sindicato.<br \/>\n<strong><!--more--><\/strong>\n<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">por <strong>Rodrigo Gallo<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1752, um oper\u00e1rio ingl\u00eas foi chamado para uma conversa com o capataz da metalurgia onde trabalhava, na periferia de Londres. O funcion\u00e1rio foi informado de que, caso quisesse continuar empregado, deveria trabalhar duas horas a mais por dia, sem receber nada a mais por isso. Como j\u00e1 era de praxe desde o feudalismo, ele n\u00e3o tinha a op\u00e7\u00e3o de discutir com o chefe, sob risco at\u00e9 de apanhar, e aceitou a imposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esse tipo de humilha\u00e7\u00e3o, descrita num relat\u00f3rio da TUC (Trades Union Congress, uma das maiores centrais sindicais da Inglaterra), era comum nas f\u00e1bricas do s\u00e9culo 18. As pessoas eram obrigadas a se sujeitar a condi\u00e7\u00f5es de trabalho insalubres, muitas vezes sem receber sal\u00e1rio fixo. Esse cen\u00e1rio come\u00e7ou a mudar durante a Revolu\u00e7\u00e3o Industrial, per\u00edodo que serviu para aprimorar as m\u00e1quinas e os processos de produ\u00e7\u00e3o, atingindo com mais for\u00e7a a Europa e os Estados Unidos. Por causa do aumento da explora\u00e7\u00e3o, os trabalhadores se organizaram e partiram para a briga com os patr\u00f5es, exigindo coisas que hoje soam banais, como sal\u00e1rios fixos, f\u00e9rias e aposentadoria. Veja aqui como viv\u00edamos sem&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8230;Profiss\u00f5es<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Revolu\u00e7\u00e3o Industrial foi uma das principais respons\u00e1veis pela divis\u00e3o dos trabalhadores por categorias profissionais. Com a automa\u00e7\u00e3o das ind\u00fastrias e o aprimoramento da tecnologia, nos s\u00e9culos 18 e 19, os funcion\u00e1rios passaram a ser divididos pela capacidade de lidar com as m\u00e1quinas. Antes da revolu\u00e7\u00e3o, os trabalhadores n\u00e3o tinham profiss\u00f5es definidas, o que complicava ainda mais a situa\u00e7\u00e3o dos assalariados da ind\u00fastria. Eles eram contratados para ser simplesmente empregados da f\u00e1brica. Por isso, deveriam ser capazes de fazer tudo, desde atuar nas linhas de produ\u00e7\u00e3o at\u00e9 limpar banheiros, se fosse necess\u00e1rio. Em cidades como Londres e Paris, empregavam-se muitas mulheres e crian\u00e7as, que eram consideradas m\u00e3o-de-obra barata. O recrutamento dos empregados levava em conta apenas crit\u00e9rios f\u00edsicos \u2013 como for\u00e7a para trabalhos bra\u00e7ais e agilidade para as tecelagens. Por falta de treinamento, era comum que os oper\u00e1rios sofressem amputa\u00e7\u00f5es. Nesses casos, os patr\u00f5es ainda culpavam os acidentados por descuido \u2013 e os demitiam em seguida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8230;Direitos trabalhistas<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre os s\u00e9culos 17 e 19, sem leis trabalhistas, os oper\u00e1rios eram obrigados a se sujeitar a empregos desumanos e a muita humilha\u00e7\u00e3o, principalmente em pa\u00edses industrializados como Inglaterra e Fran\u00e7a. \u201cN\u00e3o havia aposentadoria nem assist\u00eancia m\u00e9dica. Com rela\u00e7\u00e3o ao hor\u00e1rio, trabalhava-se muitas vezes 14, 16 e at\u00e9 18 horas por dia\u201d, escreveu o historiador Augusto Lanzoni em seu livro Inicia\u00e7\u00e3o \u00e0s Ideologias Pol\u00edticas. Al\u00e9m disso, nada de folga nem hor\u00e1rio de almo\u00e7o. \u201cOs trabalhadores eram remunerados por hora trabalhada, sem possuir vencimentos fixos. Eles at\u00e9 podiam folgar, mas teriam o dia descontado do pagamento no fim do m\u00eas\u201d, afirma o soci\u00f3logo Gl\u00e1ucio Gonzalez, da Funda\u00e7\u00e3o Santo Andr\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A situa\u00e7\u00e3o come\u00e7ou a melhorar aos poucos, principalmente ap\u00f3s o crescimento dos movimentos oper\u00e1rios, que tomaram for\u00e7a de vez a partir da segunda metade do s\u00e9culo 19 na Europa. Para que as leis espec\u00edficas fossem criadas, houve muito derramamento de sangue. Um exemplo ocorreu em 8 de mar\u00e7o de 1857, em Nova York, quando oper\u00e1rias de uma tecelagem fizeram uma greve exigindo a redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho, de 12 horas. Reprimidas pela pol\u00edcia, se esconderam dentro da f\u00e1brica. Os patr\u00f5es trancaram as portas e atearam fogo ao pr\u00e9dio, carbonizando 129 pessoas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com o tempo, essas lutas culminaram na cria\u00e7\u00e3o de leis espec\u00edficas na Europa e nos Estados Unidos, j\u00e1 no s\u00e9culo 20, que foram respons\u00e1veis pelo aumento da qualidade de vida da popula\u00e7\u00e3o assalariada. Segundo Augusto Lanzoni, as conquistas se expandiram para o restante do mundo \u00e0 medida que os pa\u00edses se industrializavam e os trabalhadores se viam obrigados a formar organiza\u00e7\u00f5es para defender seus direitos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8230;Sindicatos<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores em sindicatos ou associa\u00e7\u00f5es era veementemente proibida pelos governos burgueses que comandavam os pa\u00edses europeus nos s\u00e9culos 18 e 19. Assim, n\u00e3o era permitido qualquer tipo de protesto na porta das f\u00e1bricas. \u201cQuem participava de greves era perseguido como criminoso e podia acabar preso. N\u00e3o havia regras que permitissem a organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores, e sindicatos ou associa\u00e7\u00f5es eram considerados ilegais\u201d, afirma Gonzalez.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em pa\u00edses como Inglaterra e Fran\u00e7a, os empregados se reuniam clandestinamente e, dessas reuni\u00f5es, surgiram os primeiros movimentos oper\u00e1rios, que brigariam por melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho. Em 1\u00ba de maio de 1886, em Chicago, Estados Unidos, mais de 1 milh\u00e3o de trabalhadores sa\u00edram \u00e0s ruas para protestar. Centenas foram presos pela pol\u00edcia. Tr\u00eas dias depois, numa assembl\u00e9ia na pra\u00e7a Haymarket, uma bomba explodiu, matando dezenas de trabalhadores e ferindo outros 200. Mesmo ilegais e com tamanha repress\u00e3o, os protestos resultaram em mudan\u00e7as. Em 1890, o Congresso americano votou e aprovou a lei que fixava a carga hor\u00e1ria de trabalho em oito horas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os trabalhadores brasileiros come\u00e7aram a se mobilizar principalmente na d\u00e9cada de 1940, quando a industrializa\u00e7\u00e3o ganhou mais for\u00e7a no pa\u00eds. A grande conquista foi a cria\u00e7\u00e3o da Consolida\u00e7\u00e3o das Leis do Trabalho (CLT), garantindo alguns direitos b\u00e1sicos. A legisla\u00e7\u00e3o sofreu adendos a partir de 1960, com o surgimento do sistema \u00fanico de previd\u00eancia (hoje chamado de INSS) e do Fundo de Garantia do Tempo de Servi\u00e7o (FGTS).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Leia a mat\u00e9ria original <a href=\"http:\/\/historia.abril.uol.com.br\/economia\/conteudo_439118.shtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">aqui<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">[<a href=\"javascript:history.go(-1)\">Voltar<\/a>]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No m\u00eas do trabalho, um especialsobre como era a vida antes de existirprofiss\u00e3o, direito trabalhista e sindicato.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[20],"tags":[],"class_list":["post-3465","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-historia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3465","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=3465"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3465\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":28044,"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/3465\/revisions\/28044"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=3465"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=3465"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=3465"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}