{"id":4566,"date":"2009-06-14T08:05:03","date_gmt":"2009-06-14T11:05:03","guid":{"rendered":"http:\/\/antonini.med.br\/blog\/?p=4566"},"modified":"2022-02-15T03:29:02","modified_gmt":"2022-02-15T03:29:02","slug":"pesquisa-mostra-que-politicas-publicas-abordam-prostituicao-apenas-para-a-prevencao-da-aids","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonini.psc.br\/?p=4566","title":{"rendered":"Pesquisa mostra que pol\u00edticas p\u00fablicas abordam prostitui\u00e7\u00e3o apenas para a preven\u00e7\u00e3o da AIDS"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Apesar de historicamente presente no cotidiano brasileiro, a prostitui\u00e7\u00e3o ainda  n\u00e3o disp\u00f5e de uma pol\u00edtica de cidadania em volta da quest\u00e3o. Essa \u00e9 a  constata\u00e7\u00e3o da psic\u00f3loga Luciene Jimenez, do Centro de Refer\u00eancia de DST\/HIV da  cidade de Diadema, na Grande S\u00e3o Paulo. Em sua pesquisa realizada durante quatro  anos pela Faculdade de Sa\u00fade P\u00fablica da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP),  Luciene\u00a0constatou que falta espa\u00e7o para a cidadania. \u201cA epidemia de s\u00edfilis  foi o principal motivo para a cria\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas de sa\u00fade para essa popula\u00e7\u00e3o.  As a\u00e7\u00f5es estavam pautadas sobre o agente de transmiss\u00e3o da doen\u00e7a e n\u00e3o  consideravam as pessoas envolvidas\u201d, afirmou.<!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/antonini.med.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/06\/prostituicao.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-medium wp-image-8077\" title=\"prostituicao\" src=\"http:\/\/antonini.med.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/06\/prostituicao-300x271.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"271\" \/><\/a>Segundo a psic\u00f3loga, a pesquisa foi uma  \u201cetnografia\u201d entre os anos de 2005 e 2008 nos campos de prostitui\u00e7\u00e3o de mulheres  e de travestis de Diadema, nos quais eram realizadas atividades de preven\u00e7\u00e3o de  DSTs e HIV e redu\u00e7\u00e3o de danos no uso de drogas. Durante a pesquisa, as  prostitutas passaram a ter suas atividades rotineiras relatadas em um di\u00e1rio de  campo e tamb\u00e9m foram realizadas\u00a0entrevistas em grupo semi-dirigidas com  prostitutas e com travestis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com Luciene, at\u00e9 maio de 2008,  quando foi encerrada a pesquisa, a pol\u00edtica de sa\u00fade colocada pelo programa  nacional para profissionais do sexo estava baseada somente na preven\u00e7\u00e3o de DSTs  e HIV, compreendida como uma proposta de conten\u00e7\u00e3o da transmiss\u00e3o do v\u00edrus por  meio da distribui\u00e7\u00e3o de camisinhas, gel lubrificante, folders, etc. \u201cPara ser  uma pol\u00edtica voltada para a quest\u00e3o da cidadania, precisa de fluxos e parcerias  que est\u00e3o fora da sa\u00fade como educa\u00e7\u00e3o, cultura, habita\u00e7\u00e3o, etc.\u201d, adverte.  Luciene lembra que h\u00e1 um grande d\u00e9ficit na qualidade do atendimento a essa  popula\u00e7\u00e3o. \u201cOs travestis e as prostitutas t\u00eam acesso a insumos, sorologias e  atendimentos variados no que tange \u00e0s DSTs e Aids. Na verdade, seus maiores  problemas, inclusive de sa\u00fade, v\u00e3o muito al\u00e9m disso\u201d, explica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAs a\u00e7\u00f5es  de sa\u00fade p\u00fablica voltadas para a prostitui\u00e7\u00e3o possuem um vi\u00e9s hist\u00f3rico  regulamentarista cujo objetivo \u00e9 controlar o corpo de todas as mulheres,  inclusive daquelas que n\u00e3o exercem a prostitui\u00e7\u00e3o\u201d, critica. Segundo Luciene, o  problema das pol\u00edticas de sa\u00fade \u00e9 hist\u00f3rico e pol\u00edtico. \u201c\u00c9 um fato hist\u00f3rico e  pol\u00edtico que os corpos e as sexualidades, das mulheres e dos homens estejam  enredados por in\u00fameros dispositivos de controle. A prostitui\u00e7\u00e3o \u00e9 apenas um  deles e est\u00e1 fortemente engajado com outros, como o casamento, a  homossexualidade, etc.\u201d, acredita.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para a psic\u00f3loga, mudar esse quadro \u00e9  simples e poss\u00edvel. \u201cPassa pela possibilidade de as pol\u00edticas de sa\u00fade  trabalharem no sentido de promover a autonomia dos sujeitos &#8211; homens, mulheres,  jovens, idosos, etc. &#8211; sobre os seus corpos biol\u00f3gicos, reprodutivos, sexuais,  hist\u00f3ricos, etc. Pol\u00edticas de sa\u00fade voltadas para a promo\u00e7\u00e3o da capacidade de o  sujeito fazer escolhas passariam, por exemplo, pela discuss\u00e3o de todos os  m\u00e9todos e recursos existentes no mercado para contracep\u00e7\u00e3o e preven\u00e7\u00e3o de DST, e  n\u00e3o apenas a camisinha\u201d, diz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo Luciene, as pol\u00edticas de sa\u00fade  devem considerar a preven\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia e o encaminhamento de situa\u00e7\u00f5es de  viol\u00eancia como parte do seu trabalho e oferecer aos profissionais do sexo, al\u00e9m  de uma caixa de preservativos por m\u00eas e acesso a sorologias, espa\u00e7os onde possam  denunciar, se for o caso, as viol\u00eancias sofridas cotidianamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quanto \u00e0  legisla\u00e7\u00e3o brasileira em torno da prostitui\u00e7\u00e3o, a psic\u00f3loga acredita que h\u00e1 uma  confus\u00e3o sobre a quest\u00e3o. Em entrevista \u00e0 Ag\u00eancia USP de Not\u00edcias, Luciene  afirmou que ao mesmo tempo em que a lei permite a pr\u00e1tica, ela se restringe  somente \u00e0s mulheres e sem nenhum tipo de agenciamento ou organiza\u00e7\u00e3o.\u201cSe duas ou  tr\u00eas prostitutas alugarem um apartamento para fins de prostitui\u00e7\u00e3o, isso \u00e9  crime. Tudo o que uma mulher pode, se quiser se prostituir, \u00e9 ficar na rua, a  c\u00e9u aberto, sem nenhum tipo de prote\u00e7\u00e3o. Elas n\u00e3o podem nem ao menos se  organizar em forma de cooperativas\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para a prostitui\u00e7\u00e3o de homens, n\u00e3o  h\u00e1 legisla\u00e7\u00e3o. \u201cSe um homem est\u00e1 na rua andando de um lado para o outro, com  fins de prostitui\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o, ele pode ser punido no delito vadiagem\u201d. \u201cA  prostitui\u00e7\u00e3o \u00e9 um problema social e legalmente complexo e como tal precisa ser  considerado e compreendido desde o ponto de vista dos modos de organiza\u00e7\u00e3o da  sociedade\u201d, diz Luciene. E que deve ter uma abordagem ampla que considere toda a  extens\u00e3o do tecido social.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Leandro Kleber<\/strong><br \/>\nDo <a href=\"http:\/\/contasabertas.uol.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Contas Abertas <\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">[<a href=\"javascript:history.go(-1)\">Voltar<\/a>]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apesar de historicamente presente no cotidiano brasileiro, a prostitui\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o disp\u00f5e de uma pol\u00edtica de cidadania em volta da quest\u00e3o. Essa \u00e9 a constata\u00e7\u00e3o da psic\u00f3loga Luciene Jimenez, do Centro de Refer\u00eancia de DST\/HIV da cidade de Diadema, na Grande S\u00e3o Paulo. 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