{"id":484,"date":"2008-11-07T20:10:04","date_gmt":"2008-11-07T23:10:04","guid":{"rendered":"http:\/\/www.antonini.med.br\/blog\/?p=484"},"modified":"2022-02-15T03:29:58","modified_gmt":"2022-02-15T03:29:58","slug":"aids-surgiu-ha-um-seculo-diz-estudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonini.psc.br\/?p=484","title":{"rendered":"Aids surgiu h\u00e1 um s\u00e9culo, diz estudo"},"content":{"rendered":"<div style=\"text-align: justify;\">An\u00e1lise gen\u00e9tica das amostras mais antigas do HIV, de 1959 e 1960, sugere que v\u00edrus come\u00e7ou a infectar humanos j\u00e1 em 1900 e para epidemiologista dos EUA, novo estudo pode ajudar a detectar os genes imunes a muta\u00e7\u00e3o e tornar o HIV mais f\u00e1cil de atacar.<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><!--more--><\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">RICARDO BONALUME NETO<br \/>\nDA REPORTAGEM LOCALO v\u00edrus da Aids come\u00e7ou a se espalhar entre seres humanos h\u00e1 bem mais tempo do que se imaginava at\u00e9 agora: em torno de um s\u00e9culo atr\u00e1s ele deixou as florestas da \u00c1frica central e come\u00e7ou a circular nas cidades que os colonizadores europeus constru\u00edam na regi\u00e3o.<\/p>\n<p>A nova estimativa foi poss\u00edvel gra\u00e7as \u00e0 descoberta de exemplares do v\u00edrus preservados em uma amostra de 1960 de tecido humano preservada em um hospital de Kinshasa, capital da Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo. \u00c9 a segunda amostra mais antiga do v\u00edrus -a outra, datada de 1959 e da mesma cidade, foi descrita em 1995.<\/p>\n<p>A compara\u00e7\u00e3o das seq\u00fc\u00eancias do material gen\u00e9tico das duas permitiu calcular que um ancestral comum dos dois v\u00edrus j\u00e1 existia em torno de 1900.<\/p>\n<p>As seq\u00fc\u00eancias de DNA das amostras antigas, batizadas ZR59 e DRC60, diferem em 12%, o que indicaria um ancestral comum das duas meio s\u00e9culo antes. O HIV evolui 1 milh\u00e3o de vezes mais r\u00e1pido que um animal, o que o torna um alvo dif\u00edcil para a medicina.<\/p>\n<p>O estudo foi feito por uma equipe de 12 cientistas, liderados por Michael Worobey, da Universidade do Arizona em Tucson, EUA, e publicado na edi\u00e7\u00e3o de hoje da revista cient\u00edfica brit\u00e2nica &#8220;Nature&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;A consider\u00e1vel dist\u00e2ncia gen\u00e9tica entre DRC60 e ZR59 demonstra diretamente que a diversifica\u00e7\u00e3o do HIV-1 no centro-oeste da \u00c1frica ocorreu bem antes da pandemia reconhecia de Aids&#8221;, escreveram Worobey e colegas.<\/p>\n<p>O HIV-1 possui tr\u00eas linhagens b\u00e1sicas. Uma delas, conhecida como grupo M, \u00e9 a causa de mais de 95% dos casos de Aids em todo o mundo, lembra Paul Sharp, da Universidade de Edimburgo, Reino Unido. Ele comenta a descoberta na mesma edi\u00e7\u00e3o da revista.<\/p>\n<p>&#8220;Conhecer a seq\u00fc\u00eancia original, ancestral, do HIV-1 do grupo M e como ele evoluiu poder\u00e1 ajudar os cientistas a desenvolver drogas e vacinas. Se voc\u00ea souber quais partes do genoma original do HIV-1 grupo M foram conservadas ao longo do tempo, esses genes podem codificar prote\u00ednas que s\u00e3o cr\u00edticas \u00e0 sobreviv\u00eancia do HIV e improv\u00e1veis de mudar muito no futuro&#8221;, disse \u00e0 Folha a epidemiologista Rosemary McKaig, do Instituto Nacional de Alergia e Doen\u00e7as Infecciosas dos EUA, que co-patrocinou a nova pesquisa.<\/p>\n<p>J\u00e1 Sharp \u00e9 mais c\u00e9tico. &#8220;Conhecer a evolu\u00e7\u00e3o do HIV-1 prov\u00ea uma \u00fatil informa\u00e7\u00e3o de fundo, mas pode n\u00e3o ter um impacto direto no desenvolvimento de drogas ou vacinas.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;O estudo \u00e9 muito importante porque mostra a evolu\u00e7\u00e3o do v\u00edrus na circula\u00e7\u00e3o cr\u00edptica [oculta] entre humanos&#8221;, diz o brasileiro Paolo Zanotto, especialista em evolu\u00e7\u00e3o de v\u00edrus do Instituto de Ci\u00eancias Biom\u00e9dicas das USP. Ele lembra que o agente causador da doen\u00e7a precisa de uma fase de adapta\u00e7\u00e3o para passar do chimpanz\u00e9 ao homem, quando ele passa a &#8220;testar&#8221; a malha de transmiss\u00e3o humana -e, eventualmente, criar uma epidemia.<\/p>\n<p>No caso africano n\u00e3o h\u00e1 provas de como se deu a transmiss\u00e3o em maior escala no ser humano, mas os autores do estudo sugerem que isso tenha acontecido gra\u00e7as \u00e0 urbaniza\u00e7\u00e3o. O v\u00edrus tenderia a se espalhar com o adensamento da popula\u00e7\u00e3o e a intensifica\u00e7\u00e3o de comportamentos de risco.<\/p>\n<p>&#8220;O relevante para n\u00f3s no Brasil hoje \u00e9 que o estudo mostra que um v\u00edrus pode estar circulando, apesar de ainda n\u00e3o estar causando uma epidemia&#8221;, diz Zanotto. O melhor exemplo, diz, \u00e9 o subtipo 4 do v\u00edrus da dengue. Para ele, faz mais sentido agir antes nesses casos com medidas profil\u00e1ticas do que &#8220;correr a reboque&#8221; da epidemia depois que ela come\u00e7ar.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">[<a href=\"javascript:history.go(-1)\">Voltar<\/a>]<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>An\u00e1lise gen\u00e9tica das amostras mais antigas do HIV, de 1959 e 1960, sugere que v\u00edrus come\u00e7ou a infectar humanos j\u00e1 em 1900 e para epidemiologista dos EUA, novo estudo pode ajudar a detectar os genes imunes a muta\u00e7\u00e3o e tornar o HIV mais f\u00e1cil de atacar.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[21],"tags":[],"class_list":["post-484","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-h-p"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/484","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=484"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/484\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":28148,"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/484\/revisions\/28148"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=484"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=484"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=484"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}