{"id":6050,"date":"2009-10-20T19:07:40","date_gmt":"2009-10-20T22:07:40","guid":{"rendered":"http:\/\/antonini.med.br\/blog\/?p=6050"},"modified":"2022-02-15T03:28:18","modified_gmt":"2022-02-15T03:28:18","slug":"os-arabes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonini.psc.br\/?p=6050","title":{"rendered":"Os \u00c1rabes"},"content":{"rendered":"<p><!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-15618\" alt=\"588\" src=\"http:\/\/cienciasdasaude.med.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2009\/10\/588.gif\" width=\"244\" height=\"49\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Ar\u00e1bia \u00e9 uma vasta pen\u00ednsula situada no extremo sudoeste da \u00c1sia, entre o Mar Vermelho, o Oceano \u00cdndico e o Golfo P\u00e9rsico. Suas terras s\u00e3o desertas em 4\/5 de sua extens\u00e3o (quase 3 milh\u00f5es de quil\u00f4metros). A \u00e1rea mais povoada \u00e9 a do sudeste, onde, no s\u00e9timo s\u00e9culo, destacavam-se duas cidades: <strong>Meca <\/strong>(ou <strong>Makka<\/strong>) e <strong>Iatreb<\/strong> (ou <strong>Yatrib<\/strong>).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Meca<\/strong> era a cidade santa dos \u00e1rabes, aonde iam em peregrina\u00e7\u00e3o pelo menos uma vez na vida. \u00c0 exce\u00e7\u00e3o dos habitantes dos o\u00e1sis e das zonas mais favor\u00e1veis, onde viviam os sedent\u00e1rios, o povo da Ar\u00e1bia era n\u00f4made. Criavam camelos e viajavam em caravanas para a S\u00edria, Palestina e regi\u00f5es vizinhas. Eram desunidos, formando tribos muitas vezes rivais. Religiosamente id\u00f3latras, adoravam paus e pedras, aos quais atribu\u00edam poderem sobrenaturais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sua cultura era bastante rude. Seu esp\u00edrito contradit\u00f3rio. Leais \u00e0 palavra empenhada, valentes em combate, supersticiosos, inteligentes e hospitaleiros, cru\u00e9is e generosos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em <strong>570 <\/strong>do C<strong>alend\u00e1rio Juliano <\/strong>(<em>calend\u00e1rio solar criado por ordem do <strong>Ditador Perp\u00e9tuo de Roma, J\u00falio C\u00e9sar e <\/strong>que jamais foi coroado <strong>Imperador <\/strong>de Roma, mas sim <strong>Ditador Perp\u00e9tuo de Roma<\/strong>, t\u00edtulo que ele recebeu pouco antes de ser assassinado pela corruptela liderada pelo seu filho adotivo chamado <strong>Bruthus<\/strong><\/em><strong>) <\/strong>e que serviu de base para o C<strong>alend\u00e1rio Gregoriano<\/strong> &#8220;criado&#8221; pelo Papa Greg\u00f3rio IX que baseou-se no nascimento de Jesus Cristo como ano I desse calend\u00e1rio), nasceu em <strong>Meca <\/strong>(ou <strong>Makka<\/strong>) uma crian\u00e7a que iria transformar a Ar\u00e1bia e grande parte do mundo. Seu nome: <strong>Maom\u00e9<\/strong> ou <strong>MOHAMAD<\/strong>, como se diz na l\u00edngua \u00e1rabe. Pertencia \u00e0 fam\u00edlia dos <strong>Coreichitas<\/strong>, privilegiada por guardar e conservar o templo sagrado dos \u00c1rabes, a Caaba. Esta era uma casa c\u00fabica, coberta com um v\u00e9u negro, onde se guardavam 360 \u00eddolos e mais uma pedra negra, considerada sagrada e cuja lenda consta do seguinte: &#8220;quando caiu sobre a terra, enviada por <strong>Deus<\/strong>, ela era branca como a neve, mas acabou escurecendo e enegrecendo devido aos pecados dos homens&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tendo perdido os pais ainda pequeno, Maom\u00e9 foi criado pelo seu tio, <strong>Abu-Beckr <\/strong>(ou <strong>Abu-Bekre<\/strong>). Cedo tornou-se caravaneiro, trabalhando para sua prima <strong>Cadidja<\/strong>, rica vi\u00fava, que mais tarde fez sua esposa. Nas viagens que realizava pela S\u00edria e Palestina, Maom\u00e9 entrou em contato com judeus e crist\u00e3os e com suas id\u00e9ias religiosas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s seu casamento com <strong>Cadidja<\/strong>, <strong>Maom\u00e9<\/strong>, enriquecido, deixou de trabalhar e dedicou-se \u00e0 medita\u00e7\u00e3o. Retirava-se \u00e0s montanhas para orar e de l\u00e1 voltava dizendo ter tido vis\u00f5es nas quais o anjo Gabriel lhe ordenava pregar a verdadeira religi\u00e3o a seus semelhantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Resolvido a cumprir sua miss\u00e3o, <strong>Maom\u00e9<\/strong> come\u00e7a convertendo seus parentes. Primeiramente <strong>Cadidja<\/strong>, seus filhos e genro. <strong>Abu-Bekre<\/strong> e sua segunda esposa, <strong>Aicha<\/strong>. A seguir resolve pregar em pra\u00e7a p\u00fablica. Falando com veem\u00eancia contra a religi\u00e3o de seus semelhantes, provoca neles grande revolta. Para salvar-se e \u00e0 sua fam\u00edlia, resolve fugir de <strong>Meca<\/strong> para <strong>Iatreb<\/strong>, que a partir de ent\u00e3o passa a chamar-se <strong>Medina<\/strong> ou <strong>Madina<\/strong>, que significa <strong><em>Cidade do Profeta<\/em><\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tal fato ocorreu em <strong>622<\/strong> e ficou conhecido como a <strong>H\u00e9gira<\/strong> (<em>ou a <strong>retirada<\/strong>, segundo tradu\u00e7\u00e3o dos historiadores ocidentais<\/em>). Em Medina <strong>Maom\u00e9<\/strong> continua sua prega\u00e7\u00f5es. Pouco a pouco vai conquistando mais adeptos, at\u00e9 que consegue unir a cidade sob sua lideran\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar de analfabeto, ditava os mandamentos de sua religi\u00e3o (<strong>Isl\u00e3 &#8211; <\/strong>ou submiss\u00e3o \u00e0 vontade de Deus) a seus secret\u00e1rios, que os registravam. Depois de reunidos, formaram o <strong>Cor\u00e3o<\/strong> (ou <strong>Alcor\u00e3o<\/strong> <strong>Sagrado<\/strong>) que s\u00e3o as leituras, e a <strong>Suna<\/strong> (as tradi\u00e7\u00f5es) em cujo livro Maom\u00e9 coloca suas instru\u00e7\u00f5es e ensinamentos pessoais, como n\u00e3o comer carne de porco, jejuar nos tempos prescritos pela f\u00e9, normas de higiene, e muitas outras instru\u00e7\u00f5es, algumas das quais inspiradas no C\u00f3digo de Hamurabi, do qual \u00e9 famosa a <strong>Lei do Tali\u00e3o<\/strong>, ou &#8220;olho por olho, dente por dente&#8221;). Em <strong>630<\/strong>, oito anos ap\u00f3s sua expuls\u00e3o de Meca, Maom\u00e9 volta \u00e0 frente de numerosos guerreiros e destr\u00f3i os \u00eddolos da Caaba, respeitando apenas a <strong>Pedra Negra.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao morrer Maom\u00e9, em <strong>632<\/strong>, toda a Ar\u00e1bia estava unida religiosa e politicamente. Entre os mandamentos do <strong>Isl\u00e3<\/strong>, estava o da <strong>guerra santa<\/strong> aos infi\u00e9is (n\u00e3o est\u00e1 no <strong>Alcor\u00e3o<\/strong>, mas sim na <strong>Suna<\/strong>). Prometendo o c\u00e9u \u00e0queles que tombassem na luta em defesa da propaga\u00e7\u00e3o da f\u00e9, Maom\u00e9 conseguia de seus soldados uma combatividade extraordin\u00e1ria. O guerreiro \u00e1rabe n\u00e3o temia a morte. Para ele, era o maior pr\u00eamio que poderia almejar um islamita.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Morto Maom\u00e9, seguem-lhe os <strong>califas<\/strong> ou sucessores. Foram os califas que iniciaram a forma\u00e7\u00e3o do Imp\u00e9rio \u00c1rabe. <strong>Abu-Bekre, Omar<\/strong> e <strong>Otm\u00e3<\/strong> foram os primeiros eleitos pelos fi\u00e9is, com a capital em Meca. Mais tarde, o califado tornou-se heredit\u00e1rio, surgindo as dinastias dos <strong>Om\u00edadas<\/strong>, sediada em <strong>Damasco<\/strong> e dos <strong>Ab\u00e1ssidas<\/strong>, sediados em <strong>Bagd\u00e1.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Omar<\/strong> foi um grande conquistador. Sob seu governo, os \u00c1rabes terminam a ocupa\u00e7\u00e3o da S\u00edria e da Palestina (at\u00e9 ent\u00e3o prov\u00edncias do Imp\u00e9rio Romano do Oriente). A seguir tomam a <strong>P\u00e9rsia<\/strong> e a <strong>Mesopot\u00e2mia<\/strong>. Depois avan\u00e7am para o <strong>Egito<\/strong>. Na luta pela tomada de <strong>Alexandria<\/strong>, incendeia-se a famosa biblioteca edificada por <strong>Alexandre, o Grande.<\/strong> Contam alguns historiadores abalizados que grande parte do acervo da biblioteca, aproximadamente umas 500 mil pe\u00e7as liter\u00e1rias em pergaminhos foram queimadas em caldeiras para esquentar \u00e1gua de banho dos generais e o restante foi destru\u00eddo durante uma das cruzadas crist\u00e3s. Os \u00c1rabes fundam a cidade do Cairo, atual capital do Egito. Do Egito dirigem-se para oeste e avan\u00e7am pela L\u00edbia, Tun\u00edsia, Arg\u00e9lia e Marrocos. O general <strong>T\u00e1rik <\/strong>transp\u00f5e o estreito que separa a \u00c1frica da Europa e pisa solo ib\u00e9rico. A partir dessa \u00e9poca, tal estreito para a chamar-se <strong>Gibraltar<\/strong>, que traduz-se por <strong>Montanha de T\u00e1rik.<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Espanha estava ocupada pelos Visigodos. Os \u00e1rabes derrotam-nos (711). Somente o norte da pen\u00ednsula (Ast\u00farias) consegue impedir o total dom\u00ednio \u00e1rabe. Ali se refugiam os crist\u00e3os que, sete s\u00e9culos mais tarde, conseguiram retomar a pen\u00ednsula dos mu\u00e7ulmanos. N\u00e3o satisfeitos em dominar quase toda a pen\u00ednsula ib\u00e9rica, os \u00e1rabes ultrapassam os Pirineus e avan\u00e7am pela G\u00e1lia (atual Fran\u00e7a). L\u00e1, por\u00e9m, s\u00e3o recha\u00e7ados pelas tropas de <strong>Carlos Martel<\/strong> vencedor da <strong>Batalha de Poitiers<\/strong> (732) que os obriga a recuar para o territ\u00f3rio da Espanha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A esses tempos os \u00e1rabes eram donos de um vast\u00edssimo imp\u00e9rio, que ia do atual Portugal at\u00e9 o sul do Himalaia, na \u00c1sia, atrav\u00e9s do norte da \u00c1frica. A grandeza desse imp\u00e9rio era demasiada. Logo foi ele desmembrado formando os califados de <strong>Bagd\u00e1<\/strong>, de <strong>C\u00f3rdoba<\/strong>, de <strong>Damasco<\/strong> e do <strong>Cairo.<\/strong> O mais famoso califa talvez tenha sido o de Bagd\u00e1 <strong>&#8211; Harum &#8211; Al &#8211; Rachid &#8211; <\/strong>imortalizado nas lendas das <strong>&#8220;Mil e Uma Noites&#8221;.<\/strong><\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\"><strong>Os deveres do Islamita<\/strong><\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">O <strong>Profeta Mohamad <\/strong>deixou a seus seguidores uma doutrina simples e clara. S\u00f3 um <strong>Deus<\/strong>: <strong>Al\u00e1<\/strong>. Seu verdadeiro profeta: <strong>Maom\u00e9. <\/strong>O <strong>Ju\u00edzo Final,<\/strong> quando os homens ser\u00e3o julgados. <strong>A Predestina\u00e7\u00e3o; <\/strong>a <strong>Ressurrei\u00e7\u00e3o<\/strong> dos mortos, para o pr\u00eamio ou o castigo eterno. Para fazer jus ao gozo do para\u00edso, o bom mu\u00e7ulmano deveria: <strong>orar<\/strong> v\u00e1rias vezes ao dia, prostrados com a face ao solo e voltado em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 Meca; <strong>jejuar<\/strong> nas \u00e9pocas determinadas pela f\u00e9; <strong>peregrinar a Meca<\/strong>, pelo menos uma vez na vida; <strong>dar esmolas<\/strong>; converter os infi\u00e9is, se necess\u00e1rio, pela <strong>guerra santa<\/strong>; <strong>perdoar as inj\u00farias; praticar a caridade; n\u00e3o cometer adult\u00e9rio, roubo, homic\u00eddio; n\u00e3o comer carne de porco; n\u00e3o beber vinho e n\u00e3o jogar. <\/strong><\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\">Harum &#8211; Al &#8211; Rachid<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">Famoso califa (786-809), piedoso e extraordinariamente combativo. Celebrizou-se por sua corte faustosa e pela sua generosidade. Foi grande admirador de Carlos Magno, a quem presenteou, enviando rica embaixada \u00e0 sua corte.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\">Cultura \u00c1rabe<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os \u00e1rabes deram extraordin\u00e1ria contribui\u00e7\u00e3o \u00e0 civiliza\u00e7\u00e3o. Foram elementos de liga\u00e7\u00e3o entre o Oriente e o Ocidente. Divulgaram na Europa o uso da <strong>p\u00f3lvora<\/strong>, da <strong>b\u00fassola<\/strong>, do <strong>papel de trapo<\/strong> e dos <strong>algarismos. <\/strong>Deixaram not\u00e1veis obras de arquitetura com bel\u00edssimos arcos e colunas delgadas, decorados com finos mosaicos. Produziram not\u00e1veis decora\u00e7\u00f5es com &#8220;arabescos&#8221; complicados. Embora fossem proibidos de representar a figura humana, extravasaram seu poder criador pintando folhas e formas geom\u00e9tricas. Foram not\u00e1veis matem\u00e1ticos e produziram excelentes alquimistas, estes obtendo sucesso na expans\u00e3o das ci\u00eancias alqu\u00edmicas gra\u00e7as ao voto de confian\u00e7a incondicional que deram \u00e0 alquimia desde o in\u00edcio da forma\u00e7\u00e3o da na\u00e7\u00e3o \u00e1rabe. Sobressa\u00edram-se tamb\u00e9m grandes fil\u00f3sofos, escritores, m\u00fasicos e psic\u00f3logos, especialmente os \u00faltimos, pois o primeiro nosoc\u00f4mio para tratamento de enfermos mentais foi fundado em Bagd\u00e1. Sua influ\u00eancia at\u00e9 hoje se faz presente nas culturas espanhola e portuguesa, por for\u00e7a da ocupa\u00e7\u00e3o da Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica por v\u00e1rios s\u00e9culos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com a forma\u00e7\u00e3o da na\u00e7\u00e3o \u00c1rabe, a farm\u00e1cia passou a contar com esses novos aliados que se revelaram desde o in\u00edcio seus maiores entusiastas e defensores fieis e leais, exercendo uma efetiva e marcante participa\u00e7\u00e3o no estabelecimento da <strong>FARM\u00c1CIA<\/strong> como ci\u00eancia e como profiss\u00e3o. Foram eles quem primeiramente fizeram a separa\u00e7\u00e3o da<strong> farm\u00e1cia<\/strong> da <strong>medicina<\/strong> e deram os primeiros passos na dire\u00e7\u00e3o de uma ci\u00eancia aut\u00f4noma, s\u00e9ria, estritamente cient\u00edfica e atuante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira Farm\u00e1cia P\u00fablica de que se tem not\u00edcia foi fundada em Bagd\u00e1, p\u00f4r ordem do <strong>Califa ALIMAZUR,<\/strong> no ano de 776.D.C.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">[singlepic id=615 w=320 h=240 float=left]<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m da primeira farm\u00e1cia p\u00fablica, os mu\u00e7ulmanos criaram ainda o primeiro <strong>Nosoc\u00f4mio <\/strong>(<em>casa de Doentes<\/em>) espec\u00edfico para o tratamento dos doentes mentais, na cidade de <strong>Bagd\u00e1<\/strong> por volta do ano 705d.C., no qual dispensavam um tratamento relativamente humanit\u00e1rio ao enfermo. Nesse mesmo nosoc\u00f4mio, destacou-se, pelos idos do ano 865d.C., um de seus chefes, um homem chamado <strong>RAZ\u00c9S<\/strong>, cuja proped\u00eautica combinava uma causa org\u00e2nica para a doen\u00e7a mental com m\u00e9todos psicol\u00f3gicos de tratamento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os<strong> maometanos<\/strong> tomaram numerosos s\u00e1bios <strong>S\u00edrios <\/strong>e <strong>Persas <\/strong>sob sua prote\u00e7\u00e3o e nessas condi\u00e7\u00f5es foram estruturando-se as primeiras bases da qu\u00edmica e da farmacologia, ainda confundidas com o misticismo e a astrologia.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\">Os \u00c1rabes Antes de Maom\u00e9<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Ar\u00e1bia \u00e9 uma pen\u00ednsula de forma quadrangular, situada entre o mar Vermelho, o Golfo P\u00e9rsico e o mar Mediterr\u00e2neo. Seus 3 milh\u00f5es de quil\u00f4metros quadrados s\u00e3o dominados pelo deserto, onde o vento levanta negras nuvens que chegam a ocultar o Sol. S\u00e3o rar\u00edssimos os rios que conseguem vencer a areia e formar alguns o\u00e1sis.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os \u00e1rabes, segundo a tradi\u00e7\u00e3o, s\u00e3o descendentes de Ismael, filho de Abra\u00e3o. At\u00e9 o s\u00e9culo VI estavam divididos em sedent\u00e1rios e n\u00f4mades &#8211; grupos rivais que freq\u00fcentemente se combatiam. Organizados em tribos, preocupados com o aumento da fam\u00edlia como forma da sobreviv\u00eancia do grupo, os \u00e1rabes tinham h\u00e1bitos rudes e pouco refinados. Em mat\u00e9ria religiosa eram fetichistas, em sua maioria, adorando paus e pedras que encontravam em suas peregrina\u00e7\u00f5es pelo deserto. Algumas tribos, gra\u00e7as a viagens que realizavam periodicamente \u00e0 Palestina, haviam-se convertido ao Juda\u00edsmo ou ao Cristianismo. O centro religioso da maioria era Meca, a cidade santa, onde ao centro da pra\u00e7a principal ficava a Caaba &#8211; templo de forma c\u00fabica, sempre coberto com um v\u00e9u negro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na Caaba, al\u00e9m da pedra negra &#8211; seu principal objeto de adora\u00e7\u00e3o, estavam numerosas outras, que eram procuradas pelos \u00e1rabes em suas peri\u00f3dicas peregrina\u00e7\u00f5es a Meca. Ao redor da pra\u00e7a da Caaba desenvolveu-se pr\u00f3spero com\u00e9rcio, especializado na presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os aos peregrinos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m de atender aos visitantes da cidade santa, os mercadores de Meca dedicavam-se a outras lucrativas atividades. Uma delas era o mercado de escravos, camelos e mulheres. As fam\u00edlias que viviam desse pr\u00f3spero neg\u00f3cio iriam resistir, naturalmente, \u00e0 reforma religiosa tentada, a partir do ano 611, pelo profeta de Al\u00e1, tamb\u00e9m conhecido por Maom\u00e9.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\">Os \u00c1rabes Depois de Maom\u00e9<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s a morte de Maom\u00e9, em 632, os \u00e1rabes haviam conquistado sua unidade pol\u00edtica e religiosa. Al\u00e9m disso tinham um importante dever a cumprir, deixado pelo Profeta, que era o de levar todos os infi\u00e9is a curvarem-se diante de Al\u00e1. Profundamente conscientes de sua f\u00e9 e de seus deveres, os sucessores de Maom\u00e9 (Califas) empreenderam a conquista das regi\u00f5es vizinhas, espalhando a f\u00e9 islamita, enquanto anexavam territ\u00f3rios e entesouravam riquezas dos povos vencidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre as regi\u00f5es conquistadas estava a Palestina, a S\u00edria, a P\u00e9rsia, o Egito e quase todo o norte da \u00c1frica. No ano de 711, partindo da \u00c1frica, cruzam o estreito de Gibraltar e desembarcam na Espanha. Ali vencem os Visigodos, at\u00e9 ent\u00e3o senhores de grande parte da Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica. Estabelecem na Espanha uma s\u00f3lida base, que iria resistir por muito tempo \u00e0 reconquista por parte dos crist\u00e3os (s\u00f3 completada ao tempo dos reis cat\u00f3licos, j\u00e1 na Idade Moderna).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Partindo da Espanha, os \u00e1rabes tentam penetrar na Fran\u00e7a, transpondo os Pirineus. S\u00e3o batidos na c\u00e9lebre batalha de Poitiers (732), pelas tropas de Carlos Martel, que estabelecem o limite m\u00e1ximo da ocupa\u00e7\u00e3o \u00e1rabe, naquele ponto do territ\u00f3rio europeu.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">At\u00e9 750 governava os \u00e1rabes a dinastia dos Omiadas. Nesse ano, Abul-Abas estabelece a dinastia dos Ab\u00e1ssidas, que passa a ter sua sede em Bagd\u00e1. Ali ficaram c\u00e9lebres seus sucessores pelo luxo de suas cortes e pela suntuosidade de seus pal\u00e1cios. Apesar das divis\u00f5es que sucessivamente ir\u00e3o desmembrar o imenso Imp\u00e9rio \u00c1rabe, sua grandiosidade pode ser avaliada pela extens\u00e3o do territ\u00f3rio: do rio Indo ao Atl\u00e2ntico; do C\u00e1ucaso ao Saara.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A expans\u00e3o \u00e1rabe e a seguran\u00e7a dos califas obrigaram-nos a manter poderosas tropas formadas por aguerridos soldados. Em Bagd\u00e1 chegou a haver um ex\u00e9rcito regular de 50 mil homens, que recebiam soldo e participavam do produto das pilhagens contra os povos vencidos. Mais tarde, precisando de soldados mais disciplinados, os califas substitu\u00edram os jovens \u00e1rabes pelos turcos, que passaram a servi-los como mercen\u00e1rios.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\">Avicena<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">[singlepic id=616 w=160 h=120 float=right]Nestas \u00e9pocas se pode encontrar, entre outros: <strong>AVICENA <\/strong>(980-1037d.C), um diplomata, fil\u00f3sofo e poeta persa, cognominado <strong>o Galeno Persa<\/strong>, deu contribui\u00e7\u00e3o \u00e0s ci\u00eancias farmac\u00eauticas, chegando a montar uma botica dentro de sua pr\u00f3pria casa, onde atendia os necessitados, e ainda, podem ser encontrados muitos outros grandes cientistas e alquimistas an\u00f4nimos que, mesmo na condi\u00e7\u00e3o de meros an\u00f4nimos ou coadjuvantes, deram grandes contribui\u00e7\u00f5es \u00e0s ci\u00eancias farmac\u00eauticas.<\/p>\n<h4 style=\"text-align: justify;\">As Universidades Sarracenas e o Ensino da Alquimia<\/h4>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com a invas\u00e3o expansionista sarracena da pen\u00ednsula ib\u00e9rica, fundaram-se as <strong>Universidades<\/strong>, como a de <strong>C\u00f3rdoba<\/strong>, transformando-se estas, em centros important\u00edssimos de difus\u00e3o da cultura <strong>greco-asi\u00e1tica<\/strong> da qual os mu\u00e7ulmanos eram deposit\u00e1rios e, com isso, a farm\u00e1cia ganhou enorme impulso com os <strong>ALQUIMISTAS<\/strong> que passaram a ser formados nestas universidades Sarracenas, trazendo enormes conhecimentos e avan\u00e7os na prepara\u00e7\u00e3o de xaropes medicinais e p\u00edlulas e ainda, em busca da<strong> pedra filosofal<\/strong> (<em>que transformaria tudo o que tocasse em ouro e cuja busca da Pedra Filosofal come\u00e7ou com <strong>Zoroastro, <\/strong>tamb\u00e9m chamado de<strong> Zaratustra<\/strong>, l\u00e1 na Babil\u00f4nia antiga<\/em>.) e do <strong>elixir da longa vida<\/strong> (<em>que tornaria os homens imortais ou pelo menos mais longevos, tamb\u00e9m idealizado por <strong>Zoroastro<\/strong><\/em>), foram descobrindo e produzindo novos compostos qu\u00edmicos, novas drogas e, apesar de toda a persegui\u00e7\u00e3o deflagrada contra eles pela Igreja Cat\u00f3lica p\u00f4r suspeitas de bruxaria, eles lan\u00e7aram as bases da Farm\u00e1cia Moderna.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Esses homens deixaram um modelo de perseveran\u00e7a, de dedica\u00e7\u00e3o, devo\u00e7\u00e3o e doa\u00e7\u00e3o de si mesmos, pois deram suas vidas em nome das <strong>CI\u00caNCIAS ALQU\u00cdMICAS<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Muitos acabaram queimados em fogueiras como bruxos, n\u00e3o p\u00f4r processos da Santa Inquisi\u00e7\u00e3o, pois esta ainda n\u00e3o existia na Idade M\u00e9dia, mas sim pelo temor que assolava todos os homens de ent\u00e3o, temores estes impostos pelo pensamento religioso da \u00e9poca, predominantemente impositivo, desp\u00f3tico e teocr\u00e1tico e que era seguido \u00e0 risca p\u00f4r plebeus, nobres, fidalgos, vassalos, reis, enfim, p\u00f4r todos os homens, mulheres e crian\u00e7as que faziam exatamente o que o Clero ordenava &#8220;<strong>em nome de DEUS.<\/strong>&#8220;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">At\u00e9 guerra fizeram em nome do CRIADOR, as famosas <strong>CRUZADAS<\/strong> que acabaram p\u00f4r facilitar a difus\u00e3o da <strong>ALQUIMIA<\/strong> pelo mundo medieval.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">[<a href=\"javascript:history.go(-1)\">Voltar<\/a>]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[27],"tags":[],"class_list":["post-6050","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-noticias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6050","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=6050"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6050\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":30961,"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/6050\/revisions\/30961"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=6050"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=6050"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=6050"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}