{"id":633,"date":"2008-11-15T23:18:35","date_gmt":"2008-11-16T02:18:35","guid":{"rendered":"http:\/\/www.antonini.med.br\/blog\/?p=633"},"modified":"2022-02-15T03:29:57","modified_gmt":"2022-02-15T03:29:57","slug":"do-windows-ao-kurumin-linux","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonini.psc.br\/?p=633","title":{"rendered":"Do Windows ao Kurumin Linux"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Uma viagem sem escalas e sem retorno.<!--more--><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Rog\u00e9rio Chociay<br \/>\n<\/strong>25\/01\/2007Este artigo expressa minha experi\u00eancia com Linux, feita sobretudo com o Kurumin. Creio que cont\u00e9m alguns coment\u00e1rios interessantes e \u00fateis para os leitores que est\u00e3o ingressando no universo Linux.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-15764\" alt=\"kurumin\" src=\"http:\/\/antonini.med.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2008\/11\/kurumin.jpg\" width=\"251\" height=\"188\" \/>Minha experi\u00eancia com Linux come\u00e7ou h\u00e1 cerca de tr\u00eas anos, quando adquiri a revista de inform\u00e1tica PCMaster n\u00famero 80, que apresentava como brinde um ced\u00ea do Linux Kurumin 2.12. Eu estava atravessando uma fase bastante curiosa de minha vida profissional: professor aposentado da UNESP, mas ainda vinculado \u00e0 institui\u00e7\u00e3o como orientador e professor de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, estava bastante insatisfeito com meus programas de computadores, que volta e meia travavam, especialmente ap\u00f3s atualiza\u00e7\u00f5es, o que era para mim terr\u00edvel. Sem conhecimento de Inform\u00e1tica, andei perdendo muitos arquivos com os travamentos dos programas. Meu computador, um velho PC133, Pentium III, 933 Mgz, tinha como sistema operacional um Windows ME que eu adquirira numa loja de departamentos, com atualiza\u00e7\u00e3o para XP, adquirido algum tempo depois. O ME j\u00e1 era campe\u00e3o em travamentos, mas ap\u00f3s a atualiza\u00e7\u00e3o para XP o processo ficou mais complicado ainda, e muitas vezes tive vontade de dar chutes nas paredes ao perder arquivos e emails armazenados. Provavelmente, tudo se devia a minha inabilidade de lidar com os programas, e n\u00e3o, necessariamente, aos sistemas operacionais em si mesmos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ora, quando coloquei o live cd do Kurumin 2.12 no drive e reiniciei o computador, nada aconteceu: entrou simplesmente o velho Win. O fato me for\u00e7ou a ler com aten\u00e7\u00e3o o artigo da revista, e pude aos poucos entender. Hoje percebo que naquele instante estava deixando de ser um analfabeto em Inform\u00e1tica e come\u00e7ava a ingressar no mundo fascinante do Linux.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando o Kurumin 2.12 finalmente entrou, com a melodia caracter\u00edstica de inicializa\u00e7\u00e3o, fiquei estupefato. Aquela tela brilhante, de paisagem de crep\u00fasculo (ou alvorada), assustou-me um pouco, e confesso que nada fiz, sen\u00e3o desligar depois de alguns minutos sem fazer nada, com medo de estragar meu computador, se mexesse demais e erradamente no Kurumin (esta \u00e9 uma das principais preocupa\u00e7\u00f5es, hoje eu diria \u201csupersti\u00e7\u00f5es\u201d, do usu\u00e1rio iniciante). Disse para mim mesmo, na ocasi\u00e3o, que Linux era um neg\u00f3cio complicado e que eu jamais conseguiria entender, se n\u00e3o fizesse um curso. Somente dois ou tr\u00eas dias depois minha curiosidade me fez ativar novamente o live cd, isso depois de reler o artigo da revista. Desta vez j\u00e1 entrei animado, com informa\u00e7\u00f5es importantes, e arrisquei-me a navegar pelo programa, inclusive brincando com alguns games. No in\u00edcio fiquei agradavelmente surpreso com a quantidade de programas, o que no outro sistema seria impens\u00e1vel sem desembolsar um bom dinheiro. Em resumo: minha segunda experi\u00eancia foi fascinante, mexeu realmente com minha curiosidade, minha imagina\u00e7\u00e3o e minha vontade de deixar de ser um simples usu\u00e1rio aut\u00f4mato para me transformar num usu\u00e1rio realmente ativo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando, depois de alguns dias, resolvi fazer a experi\u00eancia da instala\u00e7\u00e3o, percebi, gratificado, que estava fazendo uma escolha acertad\u00edssima. O fato de o Linux ser gratuito enquanto o outro sistema operacional custa um pre\u00e7o escorchante deixava de ser uma das motiva\u00e7\u00f5es principais para ingressar no universo Linux. N\u00e3o era mais s\u00f3 quest\u00e3o de dinheiro, mas de satisfa\u00e7\u00e3o pessoal, de sentir-me ativo e capaz de opera\u00e7\u00f5es que, antes, tinha de levar a um especialista e pagar o pre\u00e7o. A instala\u00e7\u00e3o do Linux Kurumin me surpreendeu: fac\u00edlima, did\u00e1tica, sem possibilidade de cometer erro grave. O particionamento pelo Fdisk ou pelo Qparted funcionava sem quaisquer problemas, ou, quando dava, era provocante procurar resolv\u00ea-los: formatar deixou de ser para mim um palavr\u00e3o e passou a ser uma opera\u00e7\u00e3o instigante; termos como montar, desmontar, descomentar me provocavam experi\u00eancias novas. At\u00e9 os erros que eu cometia eram gostosos, pois me levavam a novas descobertas. Levei algum tempo para ter coragem de instalar o diret\u00f3rio home numa parti\u00e7\u00e3o separada, mas, quando o fiz, percebi que nunca mais perderia meus arquivos e emails.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foram tantas as satisfa\u00e7\u00f5es de usu\u00e1rio que percebe estar deixando a passividade e come\u00e7ando a \u201cdominar a m\u00e1quina\u201d, que se torna dif\u00edcil destacar uma delas. Creio, por\u00e9m, que a conex\u00e3o com a Internet foi vital para minha decis\u00e3o futura. O Kurumin, por princ\u00edpio, carrega consigo os principais drivers de instala\u00e7\u00e3o dos winmodems, e ao descobrir isso, e ao descobrir como era f\u00e1cil acionar esses drivers, percebi que a viagem no Linux seria prazerosa. De fato, esta \u00e9 uma caracter\u00edstica do Kurumin que nunca me cansarei de louvar. Ouso afirmar que muitos usu\u00e1rios que experimentam outras distribui\u00e7\u00f5es Linux desistem ao perceberem como ser\u00e1 complicado instalar drivers de winmodems ou softmodems. As reclama\u00e7\u00f5es verific\u00e1veis em qualquer forum de usu\u00e1rios o demonstram. O Kurumin, inteligentemente e com grande perspic\u00e1cia das car\u00eancias do usu\u00e1rio, facilitou tudo, possibilitando a instala\u00e7\u00e3o do dispositivo de fax-modem com um simples clique. Creio que os mentores do Kurumin tiveram ainda outra motiva\u00e7\u00e3o, altamente louv\u00e1vel, para disponibilizar os drivers: o fato de que provavelmente a maioria dos brasileiros n\u00e3o disp\u00f5e ainda de conex\u00e3o em banda larga, mas apenas por via telef\u00f4nica e por meio da placa de fax-modem. Era exatamente esse meu caso na \u00e9poca, j\u00e1 que a banda larga n\u00e3o chegava em condi\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas adequadas at\u00e9 minha resid\u00eancia. Sem o Kurumin e seus drivers, meu ingresso no universo Linux teria demorado ainda uns dois anos. Certa distribui\u00e7\u00e3o nacional fez exatamente o contr\u00e1rio: tentou impor um tipo espec\u00edfico de modem, que, curiosamente, \u00e9 caro e quase imposs\u00edvel de se encontrar no mercado. Com isso simplesmente perdeu todos os usu\u00e1rios que t\u00eam placas de fax-modem no computador. Ou talvez n\u00e3o os queira, embora isso n\u00e3o combine com a filosofia Linux.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quando j\u00e1 me acostumava com o Kurumin 2.12, chegou o 3.0 e mais coisas para aprender. Na vers\u00e3o 3.0 que instalei em meu computador n\u00e3o aparecia o \u00edcone do disquete. Descobrir por que e como fazer para funcionar ou \u201cmontar\u201d me levou a novo aprendizado. Entusiasmado, passei a fazer parte da promo\u00e7\u00e3o do Guia do Hardware, enviando uma import\u00e2ncia e recebendo periodicamente as novas vers\u00f5es que iam surgindo. E fui experimentando todas, atualizando minha m\u00e1quina, errando, acertando, reclamando de algumas altera\u00e7\u00f5es que demorava para perceber como funcionavam.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa mudan\u00e7a de h\u00e1bito causada pelo universo Linux trouxe-me outra, tamb\u00e9m empolgante: criei coragem e fiz o que sonhava havia algum tempo: montei sozinho um computador. Isso, para um professor de L\u00edngua Portuguesa e Literatura n\u00e3o foi simples, teve alguns percal\u00e7os, mas ao cabo de seis meses de leituras e releituras montei meu melhor computador do zero, comprando pe\u00e7a por pe\u00e7a e arriscando perder tudo numa manobra desastrada: placa Asus A7V8X-X, processador Athlon XP 2.400+, placa de v\u00eddeo GeForce, etc. Felizmente, n\u00e3o fiz nenhuma manobra desastrada e o computador funciona at\u00e9 hoje sem \u201cdar pau\u201d, como se diz na g\u00edria da Inform\u00e1tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s todo esse processo de aprendizagem, criei mais coragem e experimentei praticamente todas as principais distribui\u00e7\u00f5es Linux atuais. Gostei bastante de algumas, mas sempre que tentei us\u00e1-las alternativamente ao Kurumin, percebi que haveria algum tipo de perda, em virtude, provavelmente, da familiaridade que passei a ter com essa distribui\u00e7\u00e3o, particularmente pela facilidade de operar o Lilo para configurar o menu de inicializa\u00e7\u00e3o para todas as parti\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Contando agora com Internet banda larga, via DSL, tenho baixado as vers\u00f5es 6.1 e 7.0b com grande facilidade. Como tenho quatro computadores em casa conectados em rede dom\u00e9stica (o que \u00e9 fac\u00edlimo com o Kurumin Linux e bem mais complicado em algumas outras distribui\u00e7\u00f5es), instalei o Kurumin 6.1 no computador que funciona como gateway (PC100, Pentium III, 550 Mgz) e o Kurumin 7.1b no computador mais potente (PC3200, Athlon XP, 2400+). Ambos funcionam perfeitamente, sem maiores problemas. Dentre todas as vers\u00f5es do Kurumin at\u00e9 hoje, destaco a 4.1, que simplesmente funciona em todos os meus computadores, at\u00e9 mesmo nos mais antigos que est\u00e3o encostados na estante como rel\u00edquias. E estou entusiasmad\u00edssimo com a 7.0b, que at\u00e9 o momento me parece perfeita e de inicializa\u00e7\u00e3o rapid\u00edssima. Certo receio que tinha de ser o Grub desta \u00faltima vers\u00e3o mais complicado que o Lilo desapareceu logo na instala\u00e7\u00e3o: \u00e9 at\u00e9 mais simples e eficaz e permitir\u00e1 maior compatibilidade na instala\u00e7\u00e3o de outras distribui\u00e7\u00f5es em outras parti\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Que mais dizer? A julgar pelo que ocorre comigo e vejo que ocorre com as pessoas de minha fam\u00edlia, que foram introduzidas por mim no universo Linux, creio que o Linux veio para ficar e para mudar o comportamento do usu\u00e1rio, que \u00e0 medida que aprende vai se tornando cada vez menos dependente de terceiros para resolver os naturais problemas que surgem no seu computador. Hoje formatar, criar parti\u00e7\u00f5es, mem\u00f3ria swap, Lilo, Grub, montar, desmontar, descomentar, etc., v\u00e3o se tornando termos naturais, do dia a dia em minha fam\u00edlia. E todos usam o Firefox como navegador e o Thunderbird como programa de correspond\u00eancia eletr\u00f4nica. E todos nos tornamos freq\u00fcentadores ass\u00edduos do Guia do Hardware, que \u00e9, de longe, o melhor e mais completo site de distribui\u00e7\u00e3o Linux. Nunca sa\u00ed sem resposta do Guia, todas as vezes que tinha uma d\u00favida. E muitas vezes fiquei mais tempo do que esperava, lendo mat\u00e9rias interessantes que me provocavam a novas experi\u00eancias. Toda a informa\u00e7\u00e3o para montar minha rede dom\u00e9stica foi obtida com a leitura de um dos artigos de Carlos Morimoto. E tenho certeza de que, teimoso e curioso como sou, se continuar lendo com aten\u00e7\u00e3o, aprenderei at\u00e9 a programar em Linux. N\u00e3o h\u00e1 barreira para a curiosidade e a determina\u00e7\u00e3o humanas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Posso dizer, portanto, que minha viagem do sistema operacional anterior para o Kurumin Linux foi sem escalas e sem retorno. Como professor, poeta, pesquisador, revisor e ghost-writer, nada h\u00e1 hoje, no outro sistema operacional, que eu n\u00e3o fa\u00e7a, com muit\u00edssima vantagem, no Kurumin. Sou hoje um defensor intransigente do c\u00f3digo aberto, que n\u00e3o apenas \u00e9 muito mais econ\u00f4mico, mas \u00e9 mais democr\u00e1tico. E creio que se enquadra at\u00e9 mesmo muito melhor na ideologia capitalista, pois em vez de facilitar a dois ou tr\u00eas grupos multinacionais dominarem o mercado e imporem suas regras (o que \u00e9 politicamente bastante perigoso), possibilita uma distribui\u00e7\u00e3o equitativa, permite que se criem centenas de milhares de empresas e milh\u00f5es de empregos em todo o mundo, cria liberdade de a\u00e7\u00e3o e educa os usu\u00e1rios para a liberdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 esse o universo Linux.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Rog\u00e9rio Chociay \u00e9 professor do Curso de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Letras da UNESP, c\u00e2mpus de S\u00e3o Jos\u00e9 do Rio Preto-SP. Autor do livro Pontua\u00e7\u00e3o, Ponto por Ponto (S\u00e3o Paulo: Editora \u00cdbis, 2005).<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: center;\">[<a href=\"javascript:history.go(-1)\">Voltar<\/a>]<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma viagem sem escalas e sem retorno.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[24],"tags":[],"class_list":["post-633","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-informatica"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/633","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=633"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/633\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":28129,"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/633\/revisions\/28129"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=633"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=633"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=633"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}