{"id":709,"date":"2008-11-19T09:10:05","date_gmt":"2008-11-19T12:10:05","guid":{"rendered":"http:\/\/www.antonini.med.br\/blog\/?p=709"},"modified":"2022-02-15T03:29:57","modified_gmt":"2022-02-15T03:29:57","slug":"proteina-de-bence-jones","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/antonini.psc.br\/?p=709","title":{"rendered":"Prote\u00edna de Bence-Jones"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span class=\"content\"> Prote\u00edna de Bence-Jones \u00e9 uma cadeia leve de imunoglobulinas policlonais sintetizada por um clone de plasm\u00f3cito normalmente maligno, das seguintes formas: 1-produ\u00e7\u00e3o de cadeias leves apenas, ou 2-s\u00edntese an\u00f4mala que leva \u00e0 produ\u00e7\u00e3o e secre\u00e7\u00e3o de mol\u00e9culas intactas de imunoglobulinas e excesso de cadeias leves.<!--more--><\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span class=\"content\"> <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span class=\"content\">Em 1845, o Patologista BENCE JONES descreveu a prote\u00edna\u00a0 na urina de um paciente que hoje se sabe, padecia de MIELOMA M\u00daLTIPLO. A subst\u00e2ncia encontrada na urina do mesmo apresentava a peculiaridade de precipitar quando aquecida \u00e0 temperatura entre 45 e 60oC e de redissolver-se quando a temperatura subia acima dos 60o C e chegava \u00e0 ebuli\u00e7\u00e3o. Esta propriedade t\u00e9rmica constitui a base da PROVA DE CALOR DE BENCE-JONES e foi utilizada at\u00e9 o in\u00edcio dos anos 70.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 1963, SCHWARTZ e EDELMAN compararam os hidrolizados tr\u00edpticos da cadeia leve de uma globulina de mieloma e a prote\u00edna de Bence-Jones de um mesmo paciente e perceberam que esta \u00e9 constitu\u00edda por cadeias leves que n\u00e3o haviam sido incorporadas na prote\u00edna hom\u00f3loga do mieloma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estudos posteriores da seq\u00fc\u00eancia de amino\u00e1cidos demonstrou que a Prote\u00edna de Bence-Jones \u00e9 formada por aproximadamente 214 amino\u00e1cidos e possui a mesma estrutura das cadeias leves da imunoglobulina normal e que esta prote\u00edna pode ser uma cadeia leve kappa ou lambda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para a detec\u00e7\u00e3o da prote\u00edna de Bence-Jones tem sido empregada a precipita\u00e7\u00e3o pelo calor, por \u00e1cidos ou sais, eletroforese de prote\u00ednas e imunoeletroforese.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A prova de precipita\u00e7\u00e3o por calor de Bence-Jones consiste em aquecer a urina entre 45 e 60\u00ba C na qual se forma um precipitado, este se redissolvendo quando a urina \u00e9 aquecida at\u00e9 ebuli\u00e7\u00e3o e voltando a precipitar conforme a urina esfria. As provas que empregam \u00e1cidos, sais ou ambos como agentes precipitantes s\u00e3o as seguintes: 1-amostra de urina sobre HCl ou HNO3 concentrados; 2-\u00e1cidos sulfossalic\u00edlico; 3-\u00e1cido tricloroac\u00e9tico; 4-\u00e1cido tolussulf\u00f4nico e 5-n-propanol \u00e0 16% e 37\u00baC. Em presen\u00e7a de prote\u00ednas de Bence-Jones, forma-se um precipitado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A eletroforese e a imunoeletroforese s\u00e3o os m\u00e9todos mais utilizados para a detec\u00e7\u00e3o da prote\u00edna, apesar de estar sendo\u00a0 proposto o m\u00e9todo de imunofixa\u00e7\u00e3o por ser mais sens\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2-M\u00c9TODOS DE REFER\u00caNCIA E DE ELEI\u00c7\u00c3O:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para detec\u00e7\u00e3o da prote\u00edna monoclonal, a prova de calor de Bence-Jones aplica as propriedades t\u00e9rmicas peculiares \u00e0 prote\u00edna. PUTMANM e cols. descobriram que o grau de precipita\u00e7\u00e3o depende da for\u00e7a i\u00f4nica e da composi\u00e7\u00e3o eletrost\u00e1tica da mistura de rea\u00e7\u00e3o e do intervalo de pH. Para uma precipita\u00e7\u00e3o \u00f3tima \u00e9 necess\u00e1rio um pH rigorosamente controlado e situado entre 4,6 e 5,4. A prova de calor \u00e9 relativamente pouco sens\u00edvel e n\u00e3o permite detectar a prote\u00edna em quantidades abaixo de 1,45g\/l., al\u00e9m do mais, n\u00e3o \u00e9 espec\u00edfica pois outras prote\u00ednas como a transferrina podem dar um resultado falso positivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em urina normal, s\u00e3o encontradas cadeias leves livres heterog\u00eaneas em quantidades t\u00e3o pequenas que n\u00e3o superam os 50mg\/24 horas. Estas cadeias policlonais (kappa e lambda) possuem propriedades as mesmas t\u00e9rmicas da prote\u00edna de Bence-Jones. Os\u00a0 pacientes com doen\u00e7as do tecido conectivo e outras desordens que produzem hipergamaglobulinemia policlonal apresentam um aumento na secre\u00e7\u00e3o de cadeias leves e sua urina pode dar um resultado falso-positivo com a prova de calor de Bence-Jones.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todas as prote\u00ednas de Bence-Jones definidas imunologicamente n\u00e3o possuem as mesmas propriedades t\u00e9rmicas caracter\u00edsticas. STONES e FRENKEL perceberam que apenas 6 em 18 amostras de urina de pacientes com enfermidades de cadeias leves apresentavam uma prova de calor positiva. DEEGAN descreveu que um paciente com enfermidade de cadeias leves perdia de 10 a 14g de prote\u00ednas em 24 horas e haviam dado resultados negativos em v\u00e1rias provas de calor. Consequentemente, devido a falta de sensibilidade e de especificidade destas provas, elas n\u00e3o devem ser empregadas para detec\u00e7\u00e3o da prote\u00edna de Bence-Jones.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em uma revis\u00e3o de provas de precipita\u00e7\u00e3o por \u00e1cidos ou sais, HOBBES observou que em 79 amostras que continham mais de 50mg de prote\u00edna de Bence-Jones por litro foram encontrados os seguintes resultados em porcentagens: 1-urina sobre HCl conc., 5%; 2-urina sobre HNO3\u00a0 conc.: 15%; 2-3-2-3% de \u00e1cido sulfossalic\u00edlico: 6% e outros 18% de precipita\u00e7\u00e3o incompleta; 4-10% de \u00e1cido tricloroac\u00e9tico: 5%. A porcentagem dos fracassos obtidos com outras provas de precipita\u00e7\u00e3o menos efetivos, em 66 amostras de urina que continha mais de 150mg\/l de prote\u00edna de Bence-Jones, oscilavam entre 31 e 52%.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A prova de tiras reativas para prote\u00ednas \u00e9 inconsistente e a mi\u00fado se encontram resultados negativos em presen\u00e7a de quantidades significativas de prote\u00edna\u00a0 de Bence-Jones. As prote\u00ednas totais na urina, incluindo a de Bence\/Jones\u00a0 podem\u00a0 ser determinadas pelo m\u00e9todo do biureto t\u00e3o logo as mesmas sejam precipitadas com solu\u00e7\u00e3o etan\u00f3lica de \u00e1cido fosfotungu\u00edstico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este m\u00e9todo para prote\u00ednas totais tem sido empregado em aproximadamente 165 estudos de eletroforese de prote\u00ednas por ano. N\u00e3o se disp\u00f5e de informa\u00e7\u00f5es acerca do n\u00famero de amostras que continha prote\u00edna de Bence-Jones, todavia um n\u00famero moderado de pacientes com mieloma foram diagnosticados. Durante um per\u00edodo de aproximadamente cinco anos n\u00e3o foi observado nenhum caso no qual a eletroforese de prote\u00ednas n\u00e3o tenha revelado a presen\u00e7a da prote\u00edna de Bence-Jones e o m\u00e9todo do biureto modificado tenha falhado em sua detec\u00e7\u00e3o. N\u00e3o se disp\u00f5e de dados acerca da porcentagem de falhas desta prova e segundo a opini\u00e3o de muitos pesquisadores, o m\u00e9todo do biureto parece ser muito eficiente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em resumo: nenhum dos m\u00e9todos que incluem a precipita\u00e7\u00e3o por \u00e1cidos ou\u00a0 sais \u00e9 totalmente eficaz na detec\u00e7\u00e3o da prote\u00edna de Bence-Jones na urina, portanto, n\u00e3o devem ser utilizados como provas de escolha em apura\u00e7\u00e3o de diagn\u00f3sticos finais. O m\u00e9todo das tiras reativas \u00e9 inaceit\u00e1vel. Todavia, a an\u00e1lise de prote\u00ednas urin\u00e1rias totais \u00e9 o m\u00e9todo mais pr\u00e1tico para determinar quantitativamente a prote\u00edna de Bence-Jones, al\u00e9m do mais, d\u00e1 resultados deveras \u00fateis, uma vez que se tem estabelecido sua presen\u00e7a por eletroforese de prote\u00ednas s\u00e9ricas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os m\u00e9todos de elei\u00e7\u00e3o para a detec\u00e7\u00e3o da prote\u00edna de Bence-Jones s\u00e3o a imunoeletroforese e a eletroforese. A eletroforese de prote\u00ednas urin\u00e1rias totais em acetato de celulose ou em gel de agarose se constitui numa prova discriminat\u00f3ria apropriada. A amostra deve ser concentrada umas 50 vezes. A amostra preferida \u00e9 uma al\u00edquota de urina de 24 horas, por\u00e9m, freq\u00fcentemente se obt\u00e9m bons resultados com uma amostra de primeira urina da manh\u00e3. Basicamente, qualquer outro pico que n\u00e3o seja albumina pode ser uma prote\u00edna de Bence-Jones. Deve realizar-se uma imunoeletroforese com anti-soros anticadeias kappa e anticadeias lambda para descartar que o pico anormal se deva \u00e0 transferrina, a quantidades aumentadas de cadeias livres policlonais ou a mol\u00e9culas completas de imunoglobulinas excretadas em grandes quantidades devido a um transtorno glomerular. A presen\u00e7a da prote\u00edna de Bence-Jones usualmente produz um arco anormal de um dos tipos de cadeias leves.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No com\u00e9rcio podem ser encontrados dois tipos de anti-soros: contra cadeias leves fixadas e contra n\u00e3o-fixadas. Como anticorpos para o anti-soro contra cadeias leves se utiliza a mol\u00e9cula de imunoglobulina completa. Como anticorpo para cadeia n\u00e3o fixada se usa a prote\u00edna de Bence-Jones. Uma s\u00e9rie de determinantes antig\u00eanicos ficam expostos somente quando a cadeia leve est\u00e1 livre e outra s\u00e9rie determinantes est\u00e3o expostos em forma indistinta quando a cadeia leve est\u00e1 fixada ou livre. Em conseq\u00fc\u00eancia, os anti-soros dirigidos contra as cadeias leves livres reagem somente com a prote\u00edna de Bence-Jones e com as cadeias n\u00e3o fixadas. Lamentavelmente, n\u00e3o se recomenda o anti-soro apenas contra cadeias livres para a determina\u00e7\u00e3o de rotina de prote\u00edna de Bence-Jones. Tem sido encontrados diversos subtipos destas prote\u00ednas com determinantes espec\u00edficos e o anti-soro contra um subtipo pode reagir de forma diferente contra outros. O anti-soro comercial est\u00e1 usualmente preparado contra um, dois ou para alguns poucos tipos de prote\u00ednas de Bence-Jones. Em geral, \u00e9 prefer\u00edvel um anti-soro preparado contra cadeias leves fixadas e livres de origem espec\u00edfica. A imunofixa\u00e7\u00e3o tem sido recomendada como prova diagn\u00f3stica para prote\u00edna de Bence-Jones. WHICHER percebeu que a imunofixa\u00e7\u00e3o \u00e9 10 vezes mais sens\u00edvel que a eletroforese e pode detectar at\u00e9 0,001g de prote\u00edna de Bence-Jones por litro de urina, se esta for concentrada at\u00e9 200 vezes. Todavia \u00e9 poss\u00edvel questionar a utilidade cl\u00ednica de uma prova t\u00e3o sens\u00edvel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A determina\u00e7\u00e3o quantitativa da prote\u00edna de Bence-Jones por m\u00e9todos imunoqu\u00edmicos n\u00e3o \u00e9 efetiva devido \u00e0 diferen\u00e7as na reatividade dos diversos subtipos frente a anti-soros em particular. As prote\u00ednas totais em urina geralmente s\u00e3o determinadas por m\u00e9todos qu\u00edmicos e usa-se a eletroforese de prote\u00ednas urin\u00e1rias. Os m\u00e9todos com \u00e1cido sulfossalic\u00edlico e \u00e1cido tricloroac\u00e9tico s\u00e3o empregados para a determina\u00e7\u00e3o de prote\u00ednas totais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em qualquer destes m\u00e9todos o agente precipitante pode n\u00e3o reagir com uma prote\u00edna espec\u00edfica de Bence-Jones, de modo que a eletroforese de prote\u00ednas urin\u00e1rias deve sempre acompanhar a prova qu\u00edmica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3-AMOSTRAS:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para a determina\u00e7\u00e3o da prote\u00edna de Bence-Jones se utilizam amostras de soro e urina, de prefer\u00eancia no caso da urina, a de 24 horas, todavia, freq\u00fcentemente se tem obtido resultados satisfat\u00f3rios com a primeira urina da manh\u00e3. As amostras de soro e de urina podem ser conservados por 5 a 7 dias \u00e0\u00a0 4oC. A urina deve ser concentrada cerca de 50 vezes antes da eletroforese.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">4-INTERVALO DE REFER\u00caCIA E INTERPRETA\u00c7\u00c3O.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No soro de pessoas aparentemente h\u00edgidas, s\u00e3o pequenas as quantidades de prote\u00ednas monoclonais. Estas pessoas podem desenvolver\u00a0 ou n\u00e3o um processo maligno de plasm\u00f3citos. A imunofixa\u00e7\u00e3o pode detectar na urina destas pessoas as cadeias leves catab\u00f3licas provenientes destas prote\u00ednas monoclonais \u201cbenignas\u201d. Este produto catab\u00f3lico \u00e9 uma cadeia leve monoclonal, por\u00e9m n\u00e3o devida a um clone que sintetiza apenas cadeias leves ou mais cadeias leves que pesadas. DAMNACCO e WALDENSTR\u00d6N demonstraram que em 42 pacientes com gamopatia monoclonal benigna, 23,8% tinham uma cadeia leve monoclonal em sua urina, sem contudo nunca exceder os 60mg\/l.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na realidade, o aumento do catabolismo de uma imunoglobulina s\u00e9rica monoclonal tamb\u00e9m pode levar a excre\u00e7\u00e3o de cadeias leves monoclonais na urina. A eletroforese e a imunoeletroforese de prote\u00ednas detectaram estes produtos catab\u00f3licos. Geralmente, seus n\u00edveis s\u00e3o inferiores \u00e0 200mg\/l ou a 300mg\/l na 24 horas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Consequentemente, se o n\u00edvel da imunoglobulina monoclonal em soro \u00e9 maior que 20g\/l, n\u00e3o deve ser dado um diagn\u00f3stico de prote\u00edna de Bence-Jones, a menos que a concentra\u00e7\u00e3o urin\u00e1ria seja maior que 200mg\/l. Quando os n\u00edveis s\u00e3o inferiores a este valor, \u00e9 imposs\u00edvel determinar se a cadeia leve livre \u00e9 um produto catab\u00f3lico ou uma s\u00edntese \u201cde novo\u201d de uma cadeia leve monoclonal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A prote\u00edna de Bence-Jones est\u00e1 associada principalmente com o mieloma m\u00faltiplo; por\u00e9m pode ser encontrada em pacientes com hiperglobulinemia de Waldenstr\u00f6n, Leucemia linfoc\u00edtica cr\u00f4nica, amiloidose, carcinoma e uns poucos pacientes sem enfermidades aparentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O mieloma m\u00faltiplo \u00e9 a mais comum das desordens com uma incid\u00eancia de 3 para cada 100.000 habitantes e constitui-se num neoplasma maligno de plasm\u00f3cito que afeta principalmente ossos e medula \u00f3ssea. O diagn\u00f3stico pode ser estabelecido se for encontrado: 1-uma prote\u00edna monoclonal em soro (mais de 20g\/l) ou cadeias leves em urina (mais de 60mg\/24 horas); 2-mais de 10% de plasm\u00f3citos na medula e, 3-uma les\u00e3o l\u00edtica em ossos. Os crit\u00e9rios 2 e 3\u00a0 n\u00e3o s\u00e3o constantes em presen\u00e7a de tumores de plasm\u00f3citos extra esquel\u00e9ticos. Aproximadamente 1% dos casos de mieloma m\u00faltiplo s\u00e3o tumores n\u00e3o secretores e neles s\u00f3 aparecem os crit\u00e9rios 2 e 3. Para se definir o diagn\u00f3stico provavelmente sejam necess\u00e1rios v\u00e1rias bi\u00f3psias de medula, j\u00e1 que esta pode estar afetada de forma localizada. Outros achados laboratoriais como anemia, hipercalcemia e n\u00edveis muito baixos de imunoglobulinas normais podem contribuir para o diagn\u00f3stico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os componentes M(monoclonais) encontrados em um mieloma geralmente s\u00e3o IgG, IgA ou cadeias livres de imunoglobulinas (prote\u00ednas de Bence-Jones). Ocasionalmente o componente M ser\u00e1 IgD ou IgM ( maioria das IgM monoclonais est\u00e3o associadas com a macroglobulinemia de WALDNSTR\u00d6N) ou em alguns casos, IgE. Aproximadamente 20% dos mieloma secretam apenas cadeias leves livres (prote\u00edna de Bence-Jones). Quase 50% dos pacientes com mieloma apresentam imunoglobulinas monoclonais em soro e cadeias leves monoclonais na urina.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A presen\u00e7a ou aus\u00eancia da prote\u00edna de Bence-Jones na urina depende da velocidade da s\u00edntese e quantidade de cadeias leves produzidas e do estado renal do paciente. A prote\u00edna de Bence-Jones marcada tem uma vida m\u00e9dia de 4 horas em um indiv\u00edduo normal contra as 8 ou at\u00e9 32 horas em pacientes com estado renal alterado. Em conseq\u00fc\u00eancia, se o paciente tem uma fun\u00e7\u00e3o renal normal, a prote\u00edna de Bence-Jones ser\u00e1 encontrada na eletroforese de prote\u00ednas em urina, por\u00e9m, n\u00e3o no soro. No entanto, ao se deteriorar o estado renal, a prote\u00edna de Bence-Jones pode ser detectada no soro. Portanto, devem ser estudadas amostras de soro e de urina por eletroforese antes de se descartar a presen\u00e7a da prote\u00edna de Bence-Jones.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As prote\u00ednas M do soro e urina detectadas por eletroforese devem ser identificadas por imunoeletroforese ou por imunofixa\u00e7\u00e3o. As amostras que cont\u00e9m uma cadeia leve monoclonal e n\u00e3o reagem com os anti-soros anticadeia pesadas espec\u00edficas para IgG, IgM e IgA, devem ser encaradas como anti-soros contra IgD e IgE. A rea\u00e7\u00e3o positiva de cadeias leves monoclonais que n\u00e3o reagem com os anti-soros espec\u00edficos contra cadeias pesadas (IgG, IgM, IgA, IgD e IgE) s\u00e3o compat\u00edveis com um mieloma de cadeias leves. A quantidade de prote\u00edna monoclonal presente est\u00e1 diretamente relacionada com o tamanho e a massa tumoral. A resposta ao tratamento\u00a0 e o tempo de sobrevida est\u00e3o relacionados\u00a0 com uma combina\u00e7\u00e3o dos valores de hemoglobina e c\u00e1lcio provenientes das les\u00f5es l\u00edticas a n\u00edvel da prote\u00edna monoclonal no momento do diagn\u00f3stico. Os valores de creatinina s\u00e9rica s\u00e3o empregados para a subclassifica\u00e7\u00e3o (ou tipagem).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Comumente se emprega o sistema de gradua\u00e7\u00e3o desenvolvido por DURIE e SALMON para mieloma m\u00faltiplo. O tratamento se desenvolver\u00e1 por s\u00e9ries de determina\u00e7\u00f5es dos n\u00edveis da prote\u00edna M. Um paciente que apresenta uma diminui\u00e7\u00e3o de 50% na produ\u00e7\u00e3o de prote\u00edna M pode considerar-se que, geralmente, tem uma redu\u00e7\u00e3o de 50% da massa tumoral, enquanto a duplica\u00e7\u00e3o da s\u00edntese da prote\u00edna M reflete uma duplica\u00e7\u00e3o da massa tumoral. O crit\u00e9rio do National Cancer Institute\u2019s Myeloma Task Force (Grupo de Trabalho\u00a0 do Instituto Nacional do C\u00e2ncer &#8211; USA) para uma resposta objetiva \u00e9 a diminui\u00e7\u00e3o de 50% na concentra\u00e7\u00e3o da prote\u00edna M no soro, ou na excre\u00e7\u00e3o de cadeias leves na urina de 24 horas. O Southwest Oncology Group (Grupo de Oncologia do Sudeste &#8211; USA) define como resposta objetiva a redu\u00e7\u00e3o de 75% na produ\u00e7\u00e3o de prote\u00ednas M s\u00e9ricas (n\u00edveis inferiores a 25g\/l) e a diminui\u00e7\u00e3o de 90% na excre\u00e7\u00e3o urin\u00e1ria de cadeias leves monoclonais at\u00e9 n\u00edveis inferiores \u00e0 0,2g\/24 horas. Estas respostas devem manter-se por pelo menos quatro semanas e devem estar acompanhadas por valores de c\u00e1lcio s\u00e9rico\u00a0 normais; valor de albumina s\u00e9rica de aproximadamente 30g\/l e nenhum progresso na enfermidade \u00f3ssea. Os pacientes com uma redu\u00e7\u00e3o entre 50 e 74% na produ\u00e7\u00e3o de prote\u00edna M s\u00e3o considerados em evolu\u00e7\u00e3o positiva (melhora). Em geral, os n\u00edveis de prote\u00edna M s\u00e3o determinados por eletroforese.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A protein\u00faria de Bence-Jones tem um efeito nefrot\u00f3xico e em conseq\u00fc\u00eancia, aumenta o risco de disfun\u00e7\u00e3o renal. Os pacientes com mieloma que secretam apenas prote\u00edna de Bence-Jones em seu soro e urina tem o pior progn\u00f3stico. O mieloma de cadeias Lambda tem um progn\u00f3stico mais grave que o de cadeias Kappa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A protein\u00faria de Bence-Jones nem sempre indica presen\u00e7a de uma enfermidade maligna. KYLEY e GREIPP acompanharam sete pacientes com protein\u00faria de Bence-Jones (mais de 1,0g\/24 horas) durante 21 anos e n\u00e3o observaram evid\u00eancias de processos malignos. Finalmente, cinco pacientes desenvolveram mieloma m\u00faltiplo entre o s\u00e9timo e o vig\u00e9simo primeiro ano. Entretanto, dois pacientes ainda apresentaram prote\u00edna benigna de Bence-Jones ao cabo de sete a doze anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">5-REFER\u00caNCIAS BIBLIOGR\u00c1FICAS:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1-MONTEGOMERY, Rex. et Alli. Biochemistry. Iowa, USA:\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 The<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mosby Co., 1990. p.667<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2-STRYER, Lubert. Bioqu\u00edmica. 3\u00b0ed.\u00a0 Rio: Guanabara-Koogan, 1992.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">p.734.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3-TODD, et alli. Diagn\u00f3sticos Cl\u00ednicos e Conduta Terap\u00eautica\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 por<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Exames Laboratoriais. 16\u00b0 ed. S\u00e3o Paulo:\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ed. Manole, 1989.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">p.734.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: right;\"><span class=\"content\">Copyright \u00a9 por Vladimir Antonini Todos os direitos reservados.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">[<a href=\"javascript:history.go(-1)\">Voltar<\/a>]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Prote\u00edna de Bence-Jones \u00e9 uma cadeia leve de imunoglobulinas policlonais sintetizada por um clone de plasm\u00f3cito normalmente maligno, das seguintes formas: 1-produ\u00e7\u00e3o de cadeias leves apenas, ou 2-s\u00edntese an\u00f4mala que leva \u00e0 produ\u00e7\u00e3o e secre\u00e7\u00e3o de mol\u00e9culas intactas de imunoglobulinas e excesso de cadeias leves.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[21],"tags":[],"class_list":["post-709","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-h-p"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/709","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=709"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/709\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":29755,"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/709\/revisions\/29755"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=709"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=709"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/antonini.psc.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=709"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}