Rimonabanto chega ao Brasil
21 de novembro de 2008 | Autor:

Um ano após ser aprovado pelo Ministério da Saúde, começa a ser comercializado no país o rimonabanto (princípio ativo do Acomplia), a mais recente promessa da indústria farmacêutica para tratar a obesidade e reduzir a gordura abdominal, associada a diabetes e doenças cardiovasculares.

O lançamento vai aliviar o bolso de quem já vinha consumindo o remédio via importação, pagando mais de R$ 400,00 por mês de tratamento. Nas farmácias brasileiras, a caixa vai custar no máximo R$ 225,00.

Segundo a Sanofi-Aventis, fabricante do produto, o Acomplia já é comercializado em mais de 50 países, incluindo a Europa. Mas o produto não foi aprovado pela agência regulatória dos EUA, o FDA, devido aos riscos de depressão e pensamentos suicidas associados à substância. O comitê consultivo da agência vetou a droga em junho do ano passado, requisitando mais resultados que comprovem sua segurança.

Estudo

Em um dos estudos feitos com o remédio, apresentado no último congresso do Colégio Americano de Cardiologia, efeitos psiquiátricos foram documentados em 43,4% dos pacientes, incidência quase duas vezes maior que a observada em indivíduos que tomaram placebo. Outros efeitos colaterais possíveis são tontura e náusea.

Os pacientes tratados com rimonabanto perderam, em média, 4 kg e 5 cm de circunferência abdominal, após 18 meses de tratamento. As taxas de HDL (bom colesterol) aumentaram e as de triglicérides diminuíram em mais de 20%, o que indica que a droga pode desacelerar a evolução das doenças cardiovasculares.

Estudos anteriores também mostraram que o remédio beneficia pacientes com diabetes tipo 2, não só por reduzir o peso, mas também por melhorar o controle dos níveis de açúcar no sangue.

“O Acomplia não é uma panacéia. Como qualquer medicamento, ele produz efeitos adversos e por isso não pode ser usado com finalidade estética”, afirma Jaderson Lima, diretor médico-científico da Sanofi-Aventis.

O rimonabanto é indicado para pacientes obesos (com Índice de Massa Corpórea maior ou igual a 30 kg/m²) ou com sobrepeso (IMC maior que 27 kg/m²) e fatores de risco associados, como diabetes tipo 2 e triglicérides alto.

Mecanismo de ação

O rimonabanto inaugura uma classe de medicamentos que atuam no chamado sistema endocanabinóide, ligado ao apetite e ao metabolismo de açúcares e gorduras. Esse mecanismo foi descoberto a partir de estudos sobre os efeitos da maconha no organismo. Se a droga é capaz de estimular a fome, os pesquisadores avaliaram que era possível sintetizar uma substância que provocasse o efeito contrário.

“O medicamento atua no sistema de recompensa do cérebro, por isso não se pode descartar o risco de depressão”, explica o endocrinologista Alfredo Halpern, chefe do grupo de obesidade e síndrome metabólica do Hospital das Clínicas de São Paulo. Ele lembra que outras drogas para emagrecer que atuam no sistema nervoso também podem afetar o humor.

Como ressalta o endocrinologista Marcos Tambascia, professor da Unicamp, é preciso que os especialistas questionem seus pacientes sobre pensamentos suicidas e histórico de depressão antes de prescrever o remédio. “O psiquiatra tem um olho clínico para detectar se a pessoa está deprimida. Já nós, endocrinologistas, temos que perguntar se o paciente já pensou em se matar ou achou que a vida não tinha sentido”, diz.Vetado no Estados Unidos

O governo brasileiro vai manter o registro do remédio contra obesidade que foi vetado por um comitê de 14 especialistas do FDA, agência norte-americana que regula os produtos alimentícios e farmacêuticos, na última quarta-feira. O início da comercialização no país está previsto para o final de julho.

O medicamento Acomplia (rimonabanto) – uma das maiores promessas da indústria farmacêutica para o controle, ao mesmo tempo, da obesidade, do colesterol ruim e da diabetes- foi aprovado há um ano na Europa e há dois meses no Brasil.

A decisão unânime do comitê norte-americano não é definitiva, mas o FDA costuma seguir as orientações desses especialistas. A alegação para o veto é a necessidade de se observar por mais tempo os efeitos colaterais, especialmente os distúrbios psiquiátricos que foram associados ao uso do remédio, antes de liberá-lo para a venda.

Segundo a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), o registro do rimonabanto será mantido porque os resultados das pesquisas clínicas demonstraram que, obedecidas as indicações médicas, o remédio é seguro. Por se tratar de uma droga nova, a agência vai monitorar durante cinco anos os possíveis efeitos colaterais.

O comitê do FDA revisou os resultados de um amplo programa de 59 estudos clínicos que envolveram mais de 15 mil pacientes. Dados adicionais sobre a segurança do rimonabanto foram obtidos a partir de estudos ainda em andamento e de mais de 110 mil pessoas que já tomaram o rimonabanto na Europa e em outros países.

O veto se apoiou no fato de que os pacientes que tomaram o medicamento tiveram duas vezes mais efeitos colaterais psiquiátricos -incluindo depressão, ansiedade e problemas de sono- do que pessoas que receberam tratamento com placebo.

Para Sandy Walsh, porta-voz da agência, “é mais adequado acumular informações adicionais e observar a ação do rimonabanto com mais atenção antes de partir para o uso em massa da droga para perda de peso”.

Segundo comunicado da Sanofi-Aventis, fabricante do remédio, a empresa continuará a trabalhar de maneira próxima ao FDA para cumprir as recomendações do comitê.

Ela informa que, no próximo mês, discutirá com o FDA um PDUFA (acordo que prevê que a indústria farmacêutica faça um pagamento adicional à agência para a contratação de recursos extras que permitam a aceleração dos processos de análise e aprovação de seus novos medicamentos) para a análise do rimonabanto.

O remédio e os seus efeitos, de acordo com a empresa, têm sido exaustivamente estudados e há perfis de eficácia e segurança bem definidos.

Além dos eventos adversos psiquiátricos, foram constatados distúrbios gastrintestinais (náuseas, vômitos, diarréia) e do sistema nervoso (dor de cabeça, tonturas).

“Os eventos adversos geralmente ocorreram dentro dos primeiros dois a três meses de tratamento e foram freqüentemente de intensidade leve a moderada”, informou a Sanofi-Aventis.

O rimonabanto está aprovado em 37 países, já sendo comercializado em 18 deles. A principal indicação do remédio é para as pessoas que têm acúmulo de gordura abdominal -que se infiltra entre os órgãos e produz substâncias que aumentam o risco de doenças cardiovasculares.

Essa situação também estimula a elevação do colesterol e do diabetes tipo 2.

Só gostaria de saber o nome dos parlamentares que integram o lobby e quanto cada um está levando para fazer pressão na ANVISA.

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