PSA – Antígeno Prostático Específico
31 de outubro de 2008 | Autor:

Antígeno Prostático Específico não é uma prova sorológica muito precisa para câncer de próstata, pois a sensibilidade e especificidade não são muito boas, especialmente na faixa intermediária entre 4,1 a 10,0 ng/mL.

1. INTRODUÇÃO

O desenvolvimento da análise automatizada de P.S.A. e o resultado de rotina usando o soro do P.S.A. é particularmente responsável para o recente aumento no diagnóstico de câncer de próstata.

Embora ainda não tenha sido aprovado pelo F.D.A. para o diagnóstico do câncer de próstata, o P.S.A. está sendo amplamente usado como uma modalidade de diagnóstico e a Sociedade Americana de Câncer e Associação Urológica Americana têm recomendado o uso anual da determinação de rotina do P.S.A.

O P.S.A. é usado não somente para o diagnóstico de homens assintomáticos para câncer de próstata, mas também para monitorar os resultados de cirurgias essenciais, terapia de radiação, de privação de andrógenos e tratamento do câncer refratário de próstata.

Diante deste cenário clínico, a eficácia da terapia pode ser exatamente monitorada pela mudança na superfície do soro do P.S.A., advindo de valor pré-terapêutico. Em adição, o P.S.A. tem mostrado valor prognóstico precedendo o resultado de cirurgia essencial e terapia de radiação.

Apesar da sua utilidade, o uso do P.S.A. permanece controverso. Em todas as aplicações, incluindo a sua significância depois de cirurgia essencial, onde sua força supõe-se seria de maneira nenhuma controversa, há discordâncias em como o P.S.A. poderia ser usado e interpretado. O uso e a interpretação do soro P.S.A. permanece controverso porque o P.S.A. não é um marcador de células cancerosas da próstata, e sim um marcador de células epiteliais da próstata. Portanto, carece de especificidade.

O P.S.A. pode estar aumentado no soro devido a algum estado patológico que induzirá a saída do P.S.A. até o soro. Esses estados incluem prostatites crônica e aguda, comumente associadas com hiperplasia prostática benigna (HPB), obstrução ductal comumente vista em HPB e em algumas manipulações cirúrgicas da próstata, incluindo biópsia, ressecção e examinação vigorosa. O P.S.A. no soro pode estar diminuído por algum fenômeno que inibe a função celular normal.

A produção do P.S.A. está sob controle andrógeno (testosterona, dihidrotestosterona, receptores de andrógeno) e, alguma perturbação de seu mecanismo regulatório, pode escurecer a superfície do soro de P.S.A.

Alguns fatores são capazes de afetar a regulação andrógena, incluindo absorção de estrógenos, terapia farmacológica (inibidores da 5-a-redutase, inibidores competitivos de receptores de andrógenos e inibidores de hormônio luteinizante) e disfunção testicular de envelhecimento. Em adição, transformação maligna pode diminuir a produção de P.S.A. Como células diferenciadas, suas habilidades para produzir proteínas responsáveis por funções normais das células podem diminuir. Esta observação é verdadeira para câncer de próstata, a qual pode demonstrar somente fraca coloração imunohistoquímica positiva para P.S.A.

Por estas razões, o soro do P.S.A. é um imperfeito marcador de tumor e, ainda assim, é provavelmente o melhor marcador de tumor que conhecemos. Uma das maiores limitações da interpretação do P.S.A. ocorre secundariamente para a contribuição variável da hiperplasia prostática benigna para a superfície do soro. Em geral, câncer é incomum à região normal do soro (i.e. £ 40 ng/mL) e comum a regiões abaixo de 10,0 ng/mL. É entre 4,1 e 10,0 ng/mL que hiperplasia prostática benigna e câncer de próstata coexistem, mas com uma incidência de aproximadamente 80-85% e 15-20%, respectivamente.

A aplicação final do P.S.A. é em determinar que epitélio na próstata não é de tipo prostático. Isto se tem demonstrado recentemente ser de grande utilidade prática em confirmar o diagnóstico de duas proliferações não neoplásicas que poderia envolver próstata e ser confundida com adenocarcinoma prostático, especificamente adenoma nefrogênico da uretra e hiperplasia mesonéfrica.

Embora estes diagnósticos sejam inicialmente suspeitados na examinação do esfregaço da hematoxilina-eosina, é proveitoso na base confirmatória do desempenho da coloração para P.S.A., porque quando negativos, eles suportam o diagnóstico do adenoma nefrogênico. De maneira similar, foi recentemente documentado que hiperplasia mesonéfrica envolveria a próstata e poderia levar a erro no diagnóstico de adenocarcinoma prostático. Embora, novamente o diagnóstico é suspeitado na base de rotineiros esfregaços coloridos, colorações negativas do epitélio linear dos túbulos mesonéfricos para P.S.A. jogam uma parte na confirmação do diagnóstico.

2. DIAGNÓSTICO LABORATORIAL

2.1. Método 1 – Pesquisa Imunológica do P.S.A. no Soro:

O P.S.A. é uma proteína com atividade enzimática e é encontrado no soro de duas formas: na forma livre e complexado com anti-proteases.

Quando elevadas concentrações de P.S.A. são encontradas no soro, há possibilidade de hipertrofia prostática e/ou câncer de próstata. No soro, a atividade proteolítica do P.S.A. é inibida pela a-1-quimiotripsina, a-2-macroglobulina e outras proteínas de fase aguda.

É secretado pelas células epiteliais das glândulas hepáticas. A a-1-quimiotripsina é a maior forma de complexação do P.S.A., cuja forma livre é a menor fração no soro.

A padronização dos imunoensaios do P.S.A. é necessária. Os benefícios dessa padronização são os seguintes:

– os resultados serão uniformes e permitirão que pacientes sejam “testados” por diferentes ensaios e laboratórios.

– pesquisa significativa em câncer de próstata pode ser utillizada por permitir a comparação de dados clínicos e estudos clínicos com o uso de diferentres ensaios de P.S.A.

Muitos fatores contribuem para os problemas de padronização, dentre os quais estão os seguintes:

– P.S.A. isoformas usadas para produzir anticorpos anti-P.S.A.

– reatividade específica dos anticorpos. Os anti-P.S.A. podem possuir diferentes reatividades e afinidades pelas várias formas de P.S.A. livre ou complexadas.

Resultado:

A concentração de P.S.A. é diretamente proporcional à do anticorpo anti-P.S.A. usado.

Câncer de próstata é incomum à região normal do soro, ou seja, £ 40 ng/mL.

Valores entre 4,1 e 10,0 ng/mL, coexistem hiperplasia prostática benigna (80 – 85%) e câncer de próstata (15 – 20%).

2.2. Método 2 – Formação de Manchados Imunohistoquímicos para P.S.A.:

Técnica:

Pedaços de epitélio de próstata colocados em uma lâmina, formam manchados em presença de anticorpos anti-P.S.A., devido a reação deste com o P.S.A., coloridos por hematoxilina-eosina.

Resultado:

Quando há formação de manchados coloridos no epitélio, a reação indica que as células retiradas da próstata são da próstata, levantando a hipótese de diagnóstico de câncer prostático, descartando hipóteses de neoplasias que envolvem a próstata, adenoma nefrogênico da uretra e hiperplasia mesonéfrica.

Essa técnica serve, portanto, para diferenciar câncer de próstata dessas outras neoplasias envolvendo a próstata.

Observação:

Para diagnóstico de câncer de próstata, esse método não é específico, uma vez que P.S.A. é marcador do epitélio de próstata e não da glândula em si. Além disso, quando se trata de câncer de próstata, a reação é fraca, devido a alterações de síntese de proteínas pelas células malignas, podendo haver um falso-negativo.

Valores de referência

Os resultados do teste de PSA referem o nível de PSA detectado no sangue. Os resultados são referidos em nanograma por mililitro (ng/ml) no sangue. As referências são as seguintes:

  • 0 a 2,5 ng/ml é considerado um valor baixo
  • 2.6 a 9,9 ng/ml é considerado um valor ligeiro a moderado
  • 10 a 19,9 ng/ml é considerado um valor moderadamente elevado
  • 20 ng/ml ou mais é considerado um valor significativamente elevado

Não há um valor específico para se dizer que um nível de PSA é normal ou anormal. Contudo, quanto maior o nível de PSA, maior é a probabilidade de cancro estar presente. Vários factores podem causar a flutuação de níveis de PSA. Quando os níveis de PSA sobem com o tempo, outros testes poderão ser necessários.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. COHIN, R. et al. Diagnostic imunopathology. 2.ed. New York: Rawen Press,

1994. 2600 p.


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Categoria: HP