Nada a comemorar, apenas a lamentar.
Lamentar um conselho federal que permite que os regionais defendam pautas absurdas e até criminosas, e que nada têm a ver com suas atribuições legais, que são inscrever os profissionais e fiscalizar o exercício da profissão. Esta última, altamente negligenciada, permite que qualquer um, sem a mínima formação e condição, exerça a profissão de psicólogo.
É lamentável que psicólogos, insatisfeitos com os limites da profissão, intrometam-se em atribuições privativas de outros profissionais, como o tal Grupo de Trabalho “Psicologia, Maconha e Psicodélicos”. Psicólogos sequer sabem para que serve e como se usa a tabela periódica dos elementos químicos e querem se meter em farmacologia e em toxicologia forense, que é atribuição privativa de farmacêutico, conforme disposto no DL nº 85.878/81, que estabelece o âmbito da profissão farmacêutica, tentando anular a proscrição (proibição) do uso de maconha, LSD, mescalina, DMT (dimetil-triptamina) e psilocibina, estabelecida há décadas após exaustivos ensaios clínicos e de farmacologia experimental.
O pior é a justificativa para o tal GT psicologia: “crítica ao proibicionismo e modelo de guerra às drogas e a defesa intransigente da luta antimanicomial.” Confiram o absurdo na página do GT aqui.
O palavrório da frase destacada acima, transcrita da página do evento, é coisa de criança birrenta ou de adolescente mimado que é contra tudo e todos. Não é conversa de profissional sério, menos ainda de cientista.
A luta antimanicomial é o cúmulo da hipocrisia, pois psicólogos sequer sabem como é a rotina de uma família que tem um doente mental em casa.
Quando entrei na faculdade, há mais de 40 anos, eu namorava uma moça que tinha uma tia-avó esquizofrênica paranoica que morava com ela e seus pais. Acompanhei essa mulher de 1984 até dezembro de 2011, quando ela faleceu aos 84 anos de idade. Costumo dizer aos meus amigos e pacientes que, enquanto o Prof. Dr. Renato Rocco foi meu professor de psicopatologia teórica, ela foi minha professora de psicopatologia prática, pois aprendi o manejo do psicótico na prática com ela.
Contrariando a reportagem de capa da edição 151 da Revista Contato, publicada pelo egrégio Conselho Regional de Psicologia da 8ª Região, cuja chamada é “Trancar Não é Cuidar“, não se interna um psicótico em surto para se livrar dele, mas para garantir sua integridade física e a segurança de sua família. Aprendi isso com minha professora de psicopatologia prática. Ela pouco dormia e, quando adormecia, a família tirava, com o maior cuidado para não acordá-la, facas e até machadinhas que ela escondia embaixo de seu travesseiro ou colchão.
Se os psicólogos quiserem ser respeitados como profissionais e cientistas, que se deem ao respeito, atenham-se aos limites do seu âmbito profissional, não empunhem bandeiras de nenhum tipo além daquelas previstas na legislação que regulamenta a profissão e no código de ética profissional.
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